Escola de Joinville cria projeto que debate e explica a frequência das chuvas na cidade

Chamado de “Guarda-chuville”, o objetivo é trazer para a sala de aula as chuvas, uma dos assuntos que unem a teoria e a prática

Renata Bomfim Joinville

Receba as principais notícias no WhatsApp

As chuvas frequentes em Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, os desafios de frequência escolar e a urgência de encantar as crianças e diminuir os impactos de defasagem causados pela pandemia da Covid-19 têm mobilizado projetos que conectam a realidade prática com assuntos teóricos.

Alunos aprendem as causas e efeitos das chuvas em Joinville – Foto: Renata Bomfim/Divulgação/Its TeensAlunos aprendem as causas e efeitos das chuvas em Joinville – Foto: Renata Bomfim/Divulgação/Its Teens

Assim surgiu o “Guarda-chuville”, que desde o final de 2021 desenvolve o guarda-chuva como objeto de estudo e conhecimento como uma oportunidade de envolver todos os componentes curriculares de ensino.

Além das consequências naturais que uma cidade sofre pelo excesso das chuvas, no dia a dia e dentro da sala de aula os professores também sentem o impacto na presença escolar. Na Escola Municipal Professor Aluizius Sehnem, a média é de cinco faltas por turma em dia chuvoso. E qual é um dos possíveis motivos? A falta de guarda-chuva.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Por ser uma escola de projetos, quem entra na unidade logo vê guarda-chuva pelos corredores, sala de aula e encontra até um “guarda-chuvário” – espaço criado para empréstimo controlado pelos estudantes com guarda-chuva para uso -, além de outros para conserto.

À frente do controle estão os próprios alunos, que além de aprenderem de forma lúdica, são os protagonistas do processo com aprendizagem de conhecimento teórico e prático.

“A gente não pode pensar numa escola simplesmente tradicional, mas de projetos mesmo, onde eles (alunos) estão envolvidos com o seu objetivo de estudo e conhecimento que é o seu guarda-chuva”, pontua o supervisor da escola, Reginaldo Rodrigues da Silva.

Com o acessório, toda a escola tem desenvolvido projetos, como leitura de livros com o tema, estudos matemáticos sobre a chuva, customização, busca histórica do termo e, nas turmas dos Anos Iniciais da professora Andréia Heinz Pessoa, além de cada aluno ter o seu guarda-chuva pendurado na sala de aula, eles têm se aprofundado no tema com o guarda-chuva literário: ação que une leitura e o objeto de conhecimento.

“Todos os dias, uma criança vai levar um guarda-chuva e um livro, e a família ajuda na leitura. No outro dia ele traz o material e outra criança leva”, comenta. “A gente vai trabalhar vários autores envolvendo poemas e poesias.”

Quer fazer parte do projeto das chuvas? Aproveite para doar um guarda-chuva novo ou fazer uma doação. Para isso, basta ir até a unidade, no bairro Espinheiros. A Escola Municipal Professor Aluizius Sehnem está localizada na Rua Pref. Baltazar Buschle, 3645, no bairro Espinheiros.

Por que chove tanto em Joinville?

Imagine que dos 365 dias que correm um ano inteiro, 294 sejam marcados pelas chuvas. Parece tema de fanfic? Pois não é: saiba que é fato e, sim, aconteceu em Joinville, lá em 2015, de acordo com registros feitos pela Epagri/Ciram.

Para fugir das chuvas, o guarda-chuva é um companheiro de quem mora em Joinville – Foto: Foto: Renata Bomfim/divulgação/Its TeensPara fugir das chuvas, o guarda-chuva é um companheiro de quem mora em Joinville – Foto: Foto: Renata Bomfim/divulgação/Its Teens

No lugar mais alto do pódio de cidades chuvosas de Santa Catarina, fatores geográficos entregam a posição sem concorrência para quem acumula títulos como a Capital da Dança, cidade das bicicletas, das flores e, claro, da chuva.

Mas tem uma boa explicação para a torneira de água que cai do céu sem parar escolher logo Joinville para passar mais de 200 dias aberta, desde 2013: localização, vegetação e solo úmido.

Segundo o professor doutor de climatologia e meteorologia da Univille, Paulo Ivo Koehntopp, os ventos que vêm do oceano, ao passarem pela Baía da Babitonga – que fica às margens da cidade – chegam carregados de umidade e se deparam logo com uma serra no caminho, ficam pressionados e sobem para a atmosfera, onde o ar está mais frio e adivinha? Favorece a chuva.

“A umidade carregada pelos ventos, ao tentar ultrapassar a serra, é condensada pelas temperaturas mais baixas do topo, transformando-se em chuva. A este fenômeno dá-se o nome de chuva orográfica.

Também contribui significativamente para as chuvas em nossa região as frentes frias e a evapotranspiração, que é a transpiração das árvores que compõem as florestas de nossa região”, destaca Paulo.

Ou seja, a somatória de situações da área onde Joinville está localizada favorece a presença constante da chuva na cidade.

A grande questão é que esse acúmulo pode trazer sérios problemas para quem vive em regiões com esse perfil, como deslizamentos de terra, dificuldade para escoamento da água quando a maré está cheia e problemas de saúde por conta da umidade.

Moradia, natureza e práticas sustentáveis

Além de carregar um guarda-chuva na mochila junto com o material escolar, é necessário que se desenvolvam hábitos conscientes de cuidado com o espaço em que se vive. Por isso, veja as dicas do professor Paulo:

  • Evitar a ocupação e moradia em áreas de risco geológico, tais como proximidade com a serra, encosta de morros, margens de rios, zonas de alagamento, entre outros.
  • Evitar o desmatamento, pois a vegetação nativa é responsável pela fixação do solo e diminuição da velocidade das águas em caso de enchentes.
  • Descartar o lixo de maneira adequada, evitando o entupimento da rede pública de coleta de águas pluviais bem como das calhas de nossos rios.
  • Criar e manter jardins em casa, permitindo que existam pontos de infiltração para o subsolo das chuvas que caem em nosso terreno.

Tópicos relacionados