Escola Mais Segura: policial deixa reserva para voltar ao trabalho em colégio onde se formou

Sargento da PM, Cláudia Fraga serviu por 30 anos e decidiu deixar aposentadoria para atuar no Escola Mais Segura após ataque em Blumenau

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Redação ND* Florianópolis

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Décadas depois de concluir o ensino fundamental na Escola de Educação Básica Aldo Câmara, em São José, na Grande Florianópolis, a sargento Cláudia Fraga, de 52 anos, retornou ao colégio, mas agora para trabalhar. Ela decidiu adiar o descanso da reserva remunerada e aderiu ao programa Escola Mais Segura.

“Esse colégio aqui é o meu de referência, eu fiz da primeira à oitava série aqui. Então foi uma escolha do coração. Eu voltei à minha origem de ensino na própria escola em que eu me formei”, relata a policial.

Cláudia Fraga, 52 anos, terceiro sargento da PMSC – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/SECOM/NDCláudia Fraga, 52 anos, terceiro sargento da PMSC – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/SECOM/ND

Cláudia revela que optou por sair da reserva da Polícia Militar de Santa Catarina pelo senso de dever com a comunidade onde cresceu e se formou. Ela atuou na segurança catarinense por mais de 30 anos.

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Além da sargento, centenas de policiais da reserva também decidiram deixar a reserva remunerada para atuarem na segurança das escolas catarinenses. Todas as regiões de Santa Catarina já contam com profissionais dentro dos colégios estaduais.

“Estamos alcançando resultados positivos, com o aumento significativo da segurança escolar sendo percebido em todo o estado. Há uma previsão de ampliação gradativa do programa até o final do ano. Paralelo a isso, nossa missão é diminuir a situação da violência externa e também interna que infelizmente sabemos que atinge o entorno escolar”, afirma o secretário estadual da Segurança Pública, Paulo Cezar Ramos de Oliveira.

Cláudia Fraga atua na segurança de escola de São José – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/SECOM/NDCláudia Fraga atua na segurança de escola de São José – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/SECOM/ND

Os sete primeiros meses de 2023 já somam mais ocorrências de violência nas escolas do que o mesmo período de 2022 – o aumento é de 57,8%. Os dados são do painel do NEPRE (Núcleo de Educação e Prevenção às Violências na Escola), da SED/SC (Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina).

A SED argumentou, em nota, que os números se explicam por conta da abertura do canal específico e com denúncias anônimas.

Preocupação é que não ocorram mais casos de violência, diz policial

A presença da polícia dentro da escola estadual ocorre após o ataque que matou quatro crianças em uma creche de Blumenau, em abril.

Desde então, a intenção é colocar um policial armado em cada uma das escolas estaduais com o programa Escola Mais Segura. A iniciativa é multidisciplinar e envolve várias secretarias e órgãos públicos.

Logo quando soube do programa, Cláudia não pensou duas vezes e decidiu participar. Os primeiros dias no colégio gerou curiosidade da criançada.

“Fui a primeira voluntária do 7° batalhão e o comando se preocupou em nos apresentar à direção do colégio. Teve muita curiosidade e muitas perguntas”, destaca Cláudia.

“No primeiro dia eu passei em todas as turmas para falar do projeto, do programa em si e da preocupação com a segurança para que não ocorram mais em nosso estado casos tão lamentáveis”.

Ela avalia que sua presença na escola aumentou a sensação de segurança entre os pais.

“Faltavam 15 minutos para as 7h, e eu perguntei pra ele [pai da criança]. Se o senhor quiser ir trabalhar pode deixar a criança aqui, pode ficar tranquilo que quando abrirem os portões, eu coloco pra dentro. Hoje eles se sentem seguros de deixar os filhos ali comigo”, conta.

Cláudia Fraga retorna a escola após terminar carreira na ativa da PM – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/SECOM/NDCláudia Fraga retorna a escola após terminar carreira na ativa da PM – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/SECOM/ND

Marciléia Izabel Pereira Santos, diretora-geral da EEB Aldo Câmara, concorda.

“É como se ela já estivesse aqui há muito tempo. A gente sentiu a comunidade mais segura. Os dias têm sido mais tranquilos depois que ela chegou aqui, confesso”, frisa.

Além da segurança, Cláudia ressalta que a presença dela na escola reforça a importância social da polícia.

“Saber que o policial é a segurança, a salvaguarda de um município. O policial está presente, ele não tá só com a farda parado. Pela manhã ajudamos a fazer o trânsito, aqui dentro garantir que eles se sintam bem protegidos”, conta um pouco mais sobre o trabalho no Escola Mais Segura, completando: “Eles trazem o pai e a mãe e apresentam, ‘essa é a tia Cláudia, agora você não precisa mais me trazer porque eu tô protegido’”.

Escola Mais Segura

O programa Escola Segura tem a participação de todas as forças da Segurança – Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Científica -, além das secretarias da Segurança Pública e da Educação. Ele foi anunciado em abril, aprovado pela Assembleia Legislativa em maio e implementado nos meses seguintes gradualmente dentro das escolas do estado.

Mesmo que uma escola ainda não tenha um policial específico em atuação, está reforçado desde a tragédia o policiamento nas escolas. Aquelas unidades que não contam até o momento com o policial da reserva previsto no programa contam com a ronda da segurança escolar diariamente, informa a Polícia Militar.

Apenas neste ano, até o mês de julho, foram atendidas 4.286 escolas, das quais 2.986 foram escolas públicas e 910 escolas privadas.

São iniciativas como a ronda escolar, as consultorias preventivas ao crime escolar, o projeto Estudante Cidadão, entre outras. O projeto mais antigo é o famoso Proerd, sigla para Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, realizado há 25 anos pela Polícia Militar, desde 16 de março de 1998.

*Com informações da Agência Catarinense de Notícias

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