Escolas têm até outubro para incluir história de mulheres de SC no currículo

Lei traz reparação histórica diante do não protagonismo das mulheres no conteúdo escolar; entenda o projeto e o que ele aborda

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Em setembro de 2021 foi aprovado, por 20 votos a 5, na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, um projeto para inclusão no currículo escolar o estudo da história de mulheres de SC. O PL 86/2019, de autoria da bancada feminina da Alesc, traz reparação histórica diante do não protagonismo feminino no currículo escolar.

Ensino sobre mulheres de SC deve ser incluso no histórico escolar até outubro de 2022 – Foto: Prefeitura de Camboriú/Arquivo/DivulgaçãoEnsino sobre mulheres de SC deve ser incluso no histórico escolar até outubro de 2022 – Foto: Prefeitura de Camboriú/Arquivo/Divulgação

O projeto foi baseado em um estudo da história das mulheres catarinenses, feito por professoras da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). O projeto foi sancionado em outubro de 2021 e as escolas têm cerca de seis meses para se adaptarem à temática.

“Infelizmente a historiografia não costuma focalizar as mulheres. Mulheres que são artistas, pintam, escrevem poesia, mas que também são trabalhadoras que exercem papéis na política”, citou Joana Maria Pedro, uma das pesquisadoras do projeto.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

A professora explicou ainda que o estudo se chama “mandonas”, pois geralmente ao escutarmos que uma mulher é mandona a sociedade determina que ela não tem direito de mandar.

“Ao dar importância, ao mostrar a trajetória vamos fazer as pessoas lembrarem de mulheres que foram importantes em suas próprias vidas. A gente precisa destes para que as pessoas saibam que elas fizeram história”, explicou Joana.

A pesquisa, financiada pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), fez em sua primeira etapa divisões por áreas temáticas. Mulheres Precursoras, Mulheres na Guerra do Contestado, Mulheres na Política, na Ciência, na Literatura e Artes, na Religião, Lideranças nos Movimentos Sociais, são exemplos das divisões.

Quem são as mulheres estudadas?

Anita Garibaldi e Antonieta de Barros – a primeira mulher negra brasileira a assumir mandato popular -, estão entre as mulheres protagonistas. Há ainda mulheres como Maria Rosa, Chica Pelega e Nega Jacinta, que participaram da Guerra do Contestado. Santa Paulina, Beata Albertina, Irmã Edwiges, também fazem parte das mulheres estudadas.

O estudo tem autoria das professoras Cristina Scheibe Wolff e Joana Maria Pedro (do Laboratório de Estudos em Gênero e História/LEGH da UFSC) e Teresa Kleba Lisboa (do Instituto de Estudos de Gênero/IEG da UFSC), com o apoio do Bolsista Técnico Luiz Augusto Possamai Borges (da UFSC).

Para implantação e execução da lei, poderão ser firmadas parcerias, convênios e afins entre instituições de ensino públicas e/ou privadas, bem como outras organizações não governamentais.

Tópicos relacionados