Sabe aquela idade em que todos os lugares são propícios para brincadeiras? Quando os objetos ganham uma nova vida e se transformam? A experiência acaba sendo comum nos primeiros anos de vida. Para expor a importância do espaço para crianças, com territórios brincantes, e o brincar com aquilo que não é brinquedo, o Núcleo de Educação Infantil Municipal (Neim) Doralice Teodora Bastos e o Neim Jardim Atlântico marcaram presença na 1ª Mostra Cultural de Núcleos de Educação Infantil de Florianópolis.
Sala Educativa – Foto: Karine Joulie/Divulgação/its TeensA exposição contou com a parceria entre a Secretaria Municipal de Educação e o Museu de Florianópolis Sérgio Grando. Ao todo, sete Núcleos de Educação Infantil participaram do encontro, aproveitando o espaço para expor aquilo que é feito nas unidades.
“O objetivo foi dar visibilidade às propostas vivenciadas na Educação Infantil da rede municipal, além de mobilizar e valorizar o museu enquanto espaço de arte e cultura junto às crianças e famílias”, conta a diretora da Educação Infantil, Débora Raquel Schutz.
SeguirPara compilar aquilo que é vivenciado, o desafio foi recriar os ambientes, proporcionando a mesma independência e autonomia. A composição foi pensada em parceria com a produtora cultural e educadora audiovisual Karine Joulie, que contou com a ajuda da arte-educadora Sandra Checruski, integrante da equipe do museu.
Com visitação aberta ao público, os ganhos foram além das brincadeiras e da diversão. “A iniciativa de expor as produções das crianças é uma oportunidade formativa ímpar, pois além de valorizar o que as crianças fazem, reconhecer sua autoria, criatividade e protagonismo, ainda impulsionamos uma relação com a arte e com a cultura”, declara Débora.
Mais do que visitar um espaço novo e admirar as obras, a mostra foi uma oportunidade de colocar os pequenos como atores principais. “A gente acredita que as crianças produzem cultura, então estamos trazendo para o museu a produção da cultura das crianças, da cultura da infância”, comenta a coordenadora dos “Territórios Brincantes” do Neim Doralice Teodora Bastos, Simone Cintra.
Todo lugar é espaço de brincadeira?
Você já deve ter brincado em locais que não eram convidativos, certo? Já imaginou como seria estar em um lugar apropriado para brincadeiras, com itens, materiais e um visual que fosse capaz de instigar a diversão e o aprendizado?
Essa é a rotina no Neim Doralice Teodora Bastos, onde a disposição é pensada para as crianças. “Consiste na organização pedagógica pautada na criação de espaços criativos, brincantes, estéticos”, explica Simone.
Com a criação de cinco territórios, que vão mudando ao longo do ano, de acordo com o desejo da turma e a definição da equipe pedagógica, o dia a dia dos pequenos é planejado para instigar a troca de experiências.
Seja no “Meu Quintal” – conhecendo os animais e as plantas – ou no território “Casinha”, a imaginação vai guiando o desenvolvimento de cada um. Enquanto o desconhecido encanta, a turma usufrui da comunicação e da coordenação para desenhar, tocar e compreender o mundo ao redor.
O olhar atento existe desde 2017. No primeiro teste, Patrícia Lúcia Barbosa da Silva, Charles Caubi Brandão e Cláudia de Almeida ten Caten eram alguns dos professores que estavam à frente da ideia.
É possível brincar sem brinquedo?
Sabe aquela história de fazer qualquer controle virar um microfone? De transformar uma folha de papel em um belo avião? O desafio de recriar as brincadeiras, ou melhor, de pensar em uma nova versão é um dos projetos do Neim Jardim Atlântico.
“Trabalhamos com material não estruturado, então a gente prepara aquilo que não é considerado brinquedo propriamente dito”, expõe o coordenador do projeto “Brincar com o que não é brinquedo”, Ronaldo Lopes Vieira.
Por lá, frascos de perfume, canos, penas, madeiras, tecidos, CDs e pedras ganham outras utilidades. O diferencial é que cada criança tem o poder de criar brinquedos a partir do próprio gosto, daquilo que faz sentido, desenvolvendo a imaginação.
Arte, estética e cotidiano pedagógico
Expor em um museu é um desafio e tanto. Além de pensar na interação dos visitantes, a estética e a disposição dos itens podem dificultar ou facilitar a compreensão, impactando a experiência. Por isso, antes da mostra, os professores dos Neims selecionados participaram do curso “Arte, Estética e Cotidiano Pedagógico”, comandado por Karine Joulie.
Responsável pela produção e articulação cultural, a profissional alinhou os detalhes para complementar aquilo que foi montado pelos pequenos. O intuito era trazer parte da unidade para o museu e não criar itens especificamente para a exposição.
Com vídeos produzidos em cada Neim, quem estava na sala sabia que o objetivo principal era a brincadeira. “Foi gratificante conversar com alguém e essa pessoa se mostrar inspirada pelo que viu e, especialmente, quando as crianças entravam na sala e ficavam boquiabertas de verem um pedacinho do seu Neim, sua produção e suas imagens dentro do mesmo espaço que conta a história da sua cidade”, declara Karine.