Estudante de Joinville conquista primeiro lugar em Medicina em universidade federal

Laís Alves dos Campos foi a primeira colocada no programa de ações afirmativas para pessoas com deficiência e autodeclaradas por etnia

Juliane Guerreiro Joinville

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Conquistar uma vaga em uma universidade pública é um grande motivo para celebrar, ainda mais em Medicina, um dos cursos mais disputados no país. É por isso que a estudante de Joinville Laís Alves dos Campos, de 21 anos, tem tanto a comemorar.

Após várias tentativas, ela foi aprovada em primeiro lugar na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) no programa de ações afirmativas da universidade destinado a pessoas com deficiência a autodeclaradas negras, pardas e indígenas. Com isso, vai realizar o sonho de cursar Medicina em uma das melhores faculdades do Brasil.

Laís foi aprovada em Medicina na UFRGS – Foto: Arquivo pessoalLaís foi aprovada em Medicina na UFRGS – Foto: Arquivo pessoal

Até chegar aqui, porém, o caminho não foi fácil. Em 2018, ela já havia conseguido a aprovação na mesma universidade, mas não conseguiu fazer a mudança para Porto Alegre por causa da situação financeira da família.

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“O resultado não era esperado, foi uma emoção irracional. Eu me jogava no chão de tanta felicidade e, quando não pude ir, isso criou um certo trauma”, lembra. Ela e a mãe haviam acabado de se mudar pra Joinville, vindas do Paraná, e não tinham dinheiro para uma nova mudança.

Apesar de perder a oportunidade, isso não fez com que Laís parasse de perseguir o sonho de infância. Estudante de escola pública, porém, ela não se sentia preparada suficientemente para a aprovação apenas com o conteúdo da escola e, por conta própria, buscou conhecimento em plataformas online.

“2019 foi um ano bem difícil. Acordava às 4h para estudar e chegava em casa só à noite do trabalho. Com isso, juntei tudo o que eu recebi prevendo uma futura mudança quando passasse pra não ter problemas para pagar a mudança de novo”, diz.

Estudando por conta própria, ela chegou muito perto da aprovação novamente, mas precisava de um empurrãozinho a mais. Foi então que conseguiu uma bolsa em um curso preparatório específico para Medicina, com os materiais pagos pelo sogro e pela sogra.

Os desafios, no entanto, continuaram. A pandemia do coronavírus chegou e os estudos online foram difíceis, principalmente porque Laís passou o ano todo em casa. “Foi um ano em que eu já estava cansada, que vinha de um ritmo pesado, e foi o mais difícil de todos”, lembra.

Desistir não era uma opção. A universidade federal sempre foi a primeira opção de Laís pela questão financeira, já que, além de não pagar mensalidade, os locais oferecem auxílio financeiro para moradia e disponibilizam o restaurante universitário.

A Medicina também era um sonho de infância, embora tenha sido deixado de lado por um tempo. “Eu tinha tirado de mente por achar que era uma faculdade muito elitizada, só pra quem podia pagar”. Novamente, a universidade pública mostrava sua importância.

A estudante de Joinville vai estudar na UFRGS, em Porto Alegre – Foto:  Gustavo Diehl/UFRGS/ReproduçãoA estudante de Joinville vai estudar na UFRGS, em Porto Alegre – Foto:  Gustavo Diehl/UFRGS/Reprodução

Quando recebeu o resultado, Laís não conteve a emoção. “Eu tinha noção de que poderia passar, então não teve tanto choque, mas foi muita felicidade. Contei primeiro pra minha mãe, que é a base de tudo, o motivo de não ter desistido, e comemorei com minha família”, conta.

Embora as aulas ainda não tenham data para começar, por causa da pandemia, Laís aguarda ansiosa o momento de dar os primeiros passos na Medicina. Força de vontade não vai faltar.

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