Seja por questões políticas, econômicas ou pessoais, nos últimos dez anos, o número de imigrantes que chegaram ao Brasil aumentou em 24,4%, segundo os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Com isso, as escolas passaram a receber alunos estrangeiros nas unidades.
A aluna Sinai Ester Gonzalez Morillo escreve cartas de apoio aos outros estudantes estrangeiros – Foto: Valdirene Alves da Silva/Divulgação/its TeensAtualmente são 1,3 milhão de imigrantes que vivem no nosso país, em sua maioria são da Venezuela, Haiti, Bolívia e Colômbia. No Estado catarinense, Joinville é a segunda cidade que mais recebe venezuelanos, chegando a registrar 1.244 em maio deste ano.
No município, na Escola Municipal Professor Avelino Marcante – extensão, atende o total de sete crianças imigrantes que vieram da Bolívia, Haiti e Venezuela, tendo o último como a maioria. As famílias que vêm de fora são acolhidas por uma equipe de profissionais e os alunos que apresentam dificuldades na comunicação recebem aula de Língua Portuguesa no contraturno escolar.
SeguirPara incentivar também a valorização e o pertencimento, nas salas de aula também são estudadas as diferenças culturais. O apoio também parte dos próprios estudantes que vem de fora, exemplo disso é a venezuelana Sinai Ester Gonzalez Morillo, antiga aluna do 8º ano do Ensino Fundamental, que escreve cartas a novos alunos estrangeiros que chegam à escola.
Sinai estuda no município desde junho de 2021, e em pouco mais de um ano já consegue se comunicar bem em português. Fã da escrita, a ideia de escrever para os alunos surgiu quando uma funcionária da instituição, após a perda de seu pai, recebeu uma carta da estudante com palavras de conforto e ilustrações.
A atitude da menina de apenas 13 anos impressionou e tocou o coração da comunidade escolar. A partir disso, Sinai foi convidada a direcionar as cartas também aos outros alunos estrangeiros.
Os estrangeiros que recebem as cartas se sentem acolhidos pela escola – Foto: Valdirene Alves da Silva/Divulgação/its Teens“A entrega da cartinha é feita pessoalmente e sempre é carregada de muita emoção, muitos sorrisos, abraços”, explica Valdirene Alves da Silva, da equipe de Serviço de Orientação Educacional (SOE) da unidade.
Além de servir como incentivo para as crianças que estão lidando com novos desafios em um país desconhecido, a atitude também estimula as relações interpessoais na escola, criando novas amizades e despertando o sentimento de empatia.
“Ao receber a carta me senti muito feliz. Ela é venezuelana, como eu. Pudemos conversar na nossa língua materna”, declara a aluna Alba Camila Suárez Guaigua.
O sentimento de entregar essas mensagens também é gratificante para a própria autora. Sinai diz ter sido influenciada por sua religião e que quer encorajar outras pessoas a seguirem em frente com palavras de paz e esperança de um futuro melhor.
“Para mim é um verdadeiro prazer escrever para eles, porque como estrangeiros não é fácil estar longe da família e amigos, e se faz ainda mais difícil ter que se adaptar a um idioma e nova cultura”, comenta Sinai.
O resultado dessa ação pode ser visto também nos estudantes brasileiros, a curiosidade para conhecer as diferentes culturas está inspirando um novo projeto na instituição, como a futura realização da “Feira das Nações”.
Recentemente, Sinai transferiu-se para uma unidade mais próxima da sua casa, na Escola de Educação Básica Eng. Annes Gualberto, ainda Joinville. Mas, segundo Valdirene, a venezuelana continua escrevendo e está na ativa produzindo cartas para o Dia dos Professores.