Estudantes aprendem sobre educação financeira em projeto-piloto

Geração de valor, investimento, economia e controle de gastos foram alguns dos temas abordados nos encontros extracurriculares para desenvolvimento do projeto de educação financeira

Ana Caroline Arjonas Florianópolis

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Para apresentar novas possibilidades e incentivar o relacionamento saudável com o dinheiro, os estudantes da Escola Básica Municipal (EBM) Maria Conceição Nunes participaram do projeto-piloto “Investidor Mirim” de educação financeira.

A iniciativa é uma parceria das Secretarias Municipais de Educação, Turismo, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico da Prefeitura Municipal de Florianópolis, junto ao escritório EQI Investimentos.

Alunos da EBM Maria Conceição Nunes participam de projeto-piloto de educação financeira – Foto: Ana Caroline Arjonas/Divulgação/its TeensAlunos da EBM Maria Conceição Nunes participam de projeto-piloto de educação financeira – Foto: Ana Caroline Arjonas/Divulgação/its Teens

Durante os cinco encontros, a turma com mais de 40 estudantes aprendeu a trajetória do dinheiro, como é possível agregar valor, o que são os investimentos e como os gastos podem comprometer a rentabilidade no fim do mês.

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Indo além da relação com a grana, a instrução é para o futuro, para quando surgirem as primeiras oportunidades de trabalho. “Eu sempre me preocupei com essa questão de preparar as crianças para a vida real, é uma preocupação que eu já tenho há mais tempo”, conta o diretor, Ildo Turatti, que acompanhou as reuniões e percebeu que alguns jovens não sabiam a diferença entre os cartões de crédito e de débito, por exemplo.

A confusão entre as formas de pagamento era uma dúvida para Raphaela Coelho, 15, que agora sabe o que cada alternativa representa. A conscientização é outro aprendizado que deve permanecer para os próximos anos. “Antes eu gastava tudo em livro, tinha promoção e eu comprava, agora estou me segurando e gastando só o essencial.”

Para prender a atenção da garotada, Maurício de Oliveira da Silva, Lucas Linhares e André Avantes, embaixadores do projeto, tiveram que levar para a sala de aula mais do que a teoria, expondo experiências de pessoas conhecidas.

“Achei muito interessante algumas realidades de pessoas que tiveram muito dinheiro, que eles deram muitos exemplos, e que em momentos perderam tudo fazendo besteira, não guardando, não economizando. Achei muito interessante saber os dois lados, uma pessoa que perdeu tudo, que ganhou muita coisa e perdeu, ou que ganhou muita coisa e continua ganhando, investindo, conseguindo uma vida boa”, opina a estudante Sarah Zanella, 14.

Causar espanto e incentivar a reflexão era o objetivo, meta que foi alcançada. “A proposta vai muito além de apenas dialogar sobre o mercado financeiro. O nosso grande alvo é realmente conseguir desmistificar a relação com o dinheiro, que é um bem finito, que do outro lado ele te permite possibilidades infinitas. Quando você tem essa relação que não é equilibrada, normalmente ela acaba sendo muito danosa quando você não tem acesso à informação”, menciona Maurício.

Com o intuito de gerar uma boa relação entre o indivíduo e as economias, o profissional, que é economista de formação, fez questão de contar as próprias histórias, como na época em que comprava e vendia pipas, agregando valor ao item, ou como gastou o primeiro salário — comprando uma mobilete e um MP4.

“O nosso grande desafio é conseguir quebrar o que hoje é um ciclo vicioso: eu tenho o meu avô endividado, consequentemente, o meu pai endividado e eu serei endividado. Provavelmente o meu filho será endividado e esse ciclo acaba se perpetuando no tempo”, explica o consultor, que acredita no rompimento para o começo de um “ciclo virtuoso”.

Discutir temas que não são abordados em casa é papel da escola. Neste caso, com o projeto-piloto “Investidor Mirim”, a turma começou a disseminar o conteúdo com amigos e parentes, com aqueles que estão fora do ambiente escolar, comprovando o poder da informação.

“A maioria das crianças da nossa escola vem de uma classe um pouco mais inferior, e eles mostram que mesmo assim eles têm possibilidade, mesmo com pouco recurso financeiro, com um valor baixo de investimento se pode gerar um valor alto”, fala o diretor Ildo.

E os primeiros frutos começaram a surgir, pelo menos para Bernardo da Costa,15. “Desses dias que eu investi R$ 100, já estou com R$ 0,18 na conta”, conta o garoto. Além dos encontros no contraturno, a turma também conheceu a sede da empresa EQI Investimentos.

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