Aos estudantes barrados no Enem durante a aplicação da primeira prova, no último domingo (17), a orientação é pedir a reaplicação da prova, informa o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
Os casos foram registrados em todo o Brasil e ocorreram devido a lotação prevista para as salas ser superior ao determinado pelos protocolos para evitar a proliferação da Covid-19. As circunstâncias motivaram uma ação da DPU (Defensoria Pública da União), que pede o adiamento da prova e abriu um canal para receber as irregularidades.
Filas no CCE, da UFSC, neste primeiro domingo de Enem – Foto: Bruna Stroisch/NDLeia mais
Como fazer o pedido
Os pedidos para reaplicação serão recebidos nos dias 25 e 29 de janeiro, pela Página do Participante do Enem. Aos contemplados, a reaplicação está marcada para os dias 23 e 24 de fevereiro, na mesma data e com a mesma prova aplicada para pessoas privadas de liberdade – Enem PPL.
SeguirTodo estudante que se sentiu afetado por problemas logísticos deverá realizar o pedido. Dentro outros motivos válidos, estão desastre naturais que afetem a aplicação, falta de energia elétrica, erro na execução do leitor de tela. Cada pedido será julgado individualmente pelo Inep. A situação do pedido pode ser consultada neste site.
O Inep assegura que o exame reaplicado terá mesmo nível de dificuldade, com a metodologia de TRI (Teoria de Resposta ao Item). “Todos os anos o Inep prepara duas provas: a regular e a de reaplicação/PPL. Este ano, com o Enem Digital, foram preparadas três provas” informou o Inep, por meio de nota.
Candidatos foram barrados na entrada do CCE, na UFSC. – Foto: Bruna Stroisch/NDEm Florianópolis, o ND+ registrou na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) um grupo de candidatos que não puderam entrar nas salas. A Universidade avisou com antecedência e restringiu a ocupação para 40%, enquanto os participantes foram distribuídos pelo Inep utilizando 80% da capacidade das salas, informou a universidade na ocasião.
Estudantes barrados e abstenção
Diante dos casos, o defensor João Paulo de Campos Dorini, da DRDH-SP (Defensoria Regional de Direitos Humanos de São Paulo) pediu no fim da tarde desta segunda-feira (18) o adiamento e a reaplicação da prova. O pedido já havia sido feito antes da aplicação do exame, mas foi negado pela Justiça.
Ele pede o adiamento da prova agendada para este domingo (24). Assim como a reaplicação da prova para todos os alunos que se abstiveram na primeira prova – em Santa Catarina, o índice de abstenção foi de 52,8%, maior do que os vizinhos Rio Grande do Sul (51,9%) e Paraná (52,2%) – acima também que a média geral no país (51,5%).
Dorini, que também pede a condenação da União e do Inep por má-fé, argumenta que os réus não respeitaram o protocolo que eles mesmos estabeleceram. “Defenderam ser possível realizar o exame com 50% da ocupação das salas, mas contaram com 80% de ocupação no dia da primeira prova” afirmou o defensor.
Observatório do Enem
A DPU (Defensoria Pública da União) também está fazendo um levantamento das irregularidades ocorridas durante a aplicação da prova, por meio de formulário disponibilizado no site da Defensoria ou através deste link.
Defensoria colhe relatos de irregularidades no Enem – Foto: DPU/Divulgação/NDNo formulário poderão ser informadas “qualquer notícia de dificuldades e problemas relacionados à aplicação da prova do ENEM”.
De acordo com a DPU, as comunicações serão registradas e catalogadas para embasar atuações coletivas da Defensoria Pública da União e propiciar à Instituição o conhecimento das demandas atinentes ao Enem.