Pequeno no tamanho, mas capaz de gerar estragos significativos. As listras brancas pelo corpo e os voos de até 1,20 m de altura são algumas das características do Aedes aegypti. Por isso, estudantes da Escola Municipal de Jovens e Adultos descobriram uma forma de conter o avanço da dengue — essa é a ideia do protótipo.
Alunos e professores que fizeram parte do projeto, criando protótipo para combater o Aedes aegypti – Foto: Renata Bomfim/Divulgação/its TeensCom o desejo de ir além da prevenção e do cuidado com os espaços e a água parada, o projeto “Dengoso” contou com a participação do professor de Ciências da Natureza, João Paulo da Silva Caetano; do instrutor maker, Júlio Cesar Orige; e os estudantes Marcelo Henrique Vieira Silva, 16, do sétimo ano, e Gabriel Kruger, 15, do nono ano.
Com um pouco de água e ração de gato, o grupo produziu o feromônio, uma das substâncias que despertam a atenção dos mosquitos — a mistura que pode ser perigosa quando combinado com a cor de roupa (preto, ciano, vermelho e laranja), luz do ambiente e cheiro da pele.
SeguirO processo começou no ano passado, junto com a alta de casos registrados em Joinville. Por meio de pesquisas e testes, os envolvidos descobriram os elementos que despertam a atenção dos mosquitos, além de pensar em saídas para eliminar a presença do Aedes aegypti.
“O mosquito da dengue é muito complexo, tem muita coisa sobre ele que ainda não descobrimos. Todo dia pesquisamos mais e mais, descobrimos que ele é atraído por cor, o feromônio, várias coisas além da água e do sangue”, comenta Gabriel, que lembra da curiosidade sobre o tema.
Com PVC, ventoinha, led com luz específica, renda e um dispositivo de choque, os estudantes e professores descobriram que é possível criar uma armadilha que prende e mata o Aedes aegypti, pausando a proliferação e o aumento no número de casos.
“Nós descobrimos coisas que ninguém imaginava sobre o mosquito. E depois que foi confirmado com a parte epidemiológica que realmente tem muita coisa que ainda não se sabe sobre, a parte mais interessante é de continuar a sua pesquisa”, diz o professor João.
A ideia já foi compartilhada com profissionais da Secretaria Municipal de Educação e de Saúde, e os próximos passos do grupo incluem pesquisa e construção, teste e análise dos dados. Para quem acompanhou o processo desde o início, a iniciativa vai além da prevenção.
“Criamos a armadilha que já mata o mosquito. Se criarmos mais, desenvolver mais, as pessoas vão conhecer, todo mundo vai querer um desse em casa, e pode diminuir a chance do mosquito”, menciona o estudante Marcelo.
Para quem já foi picado e sabe como funciona o processo de recuperação, a descoberta causa um sentimento único.
“Tive dengue duas vezes, mas queria aprender mais. Quando me convidaram para participar do projeto fiquei muito alegre. Foquei bastante e aprendi muita coisa, muito conhecimento mesmo”, finaliza Gabriel.