Fórum 2050: Mudanças em educação, trabalho e profissões em foco no 3º seminário do Jornal ND

Evento que será realizado neta terça-feira (27), às 14h30, em Florianópolis, discute o futuro dos empregos, o desaparecimento e o surgimento de profissões e as transformações na área de ensino

Redação ND Florianópolis

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O futuro da educação, do trabalho e das profissões. Esses assuntos são o foco do terceiro seminário do Fórum 2050 que, em função dos 16 anos do jornal ND, vem promovendo discussões sobre os desafios e caminhos para temas relevantes para a cidade de Florianópolis.

Aulas, escola, sala de aula, Rede de ensino municipal em Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/NDAulas, escola, sala de aula, Rede de ensino municipal em Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/ND

Seis seminaristas participam: o secretário de educação de Florianópolis, Maurício Fernandes; o diretor do Senai/SC, Fabrizio Pereira; o vice-presidente de talentos da Acate (Associação Catarinense de Tecnologia), Moacir Marafon; o reitor da UniSul, Mauri Heerdt; além dos professores da universidade, Baltazar Andrade Guerra e Rodrigo Alves, também diretor do Grupo Ânima.

O seminário será realizado no campus Dib Mussi da UniSul, no Centro de Florianópolis, às 14h30. Assim como nos encontros anteriores, haverá transmissão simultânea do portal ND+. Para o curador do seminário, professor Neri dos Santos, a transformação digital é o que está promovendo mudanças profundas na sociedade e, por consequência, nos temas do seminário.

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“Não temos certeza do tipo de atividade profissional que as pessoas vão desenvolver a partir de 2030, 2040 e 2050. Até lá, muitas profissões vão desaparecer e surgir”, comentou Neri. Na visão dele, a transformação digital está mudando a vida das pessoas e das organizações, sejam elas públicas, privadas ou do terceiro setor.

“Essa transformação vai atingir todos os setores da atividade humana e, particularmente, o setor educacional. Além disso, a forma como as pessoas trabalham está mudando e isso vai mexer também na remuneração”, disse o professor.

Ele citou como exemplo o fato dos jovens que, antes trabalhavam nas empresas de TI (Tecnologia da Informação) de Florianópolis e, agora, estão trabalhando para as empresas dos Estados Unidos, Europa, Ásia, de forma remota, e ganhando dólar.

Respostas para o futuro

Conforme o curador, o seminário é mais uma oportunidade para que os especialistas ajudem a cidade a responder questões ligadas à educação, trabalho e profissões.

“A primeira, que pode ser feita a todos os especialistas, é como incorporar a transformação digital na educação. Se o setor está sendo impactado, como isso pode ser incorporado de forma transitória e não disruptiva? Todos os níveis educacionais, do pré-escolar ao superior, serão impactados pela transformação digital. Não adianta ser contra as tecnologias digitais. Elas são imperativas”, afirmou Neri.

Ainda conforme o curador, a transformação digital vai exigir dos cidadãos, de forma geral, novas competências digitais. “Essa é outra pergunta que podemos fazer: essas competências estão sendo adquiridas pelos estudantes hoje? A resposta, posso dizer, é não. Nós, professores, e estou fazendo a autocrítica, não estamos ensinando o que as tendências estão exigindo”, lamentou Neri.

Outra mudança em curso na área educacional, para Neri, é uma troca de posição entre alunos e professores. “Até aqui, o professor era o protagonista. O foco, agora, não vai estar mais no ensino, mas na aprendizagem, e o protagonista deixa a ser o professor e passa a ser o estudante. Em vez de o professor empurrar a educação, os jovens é que vão puxar”.

Citando o exemplo do novo ensino médio, o professor enfatizou, também, que a educação não será mais baseada em conteúdo, mas em competências.

“Elas sempre foram importantes, agora, são imperativas. Antes, você formava uma pessoa em qualquer área por conteúdo e o indivíduo, na prática, adquiria as competências. Agora, o mercado de trabalho não quer mais empregar alguém que vai aprender no trabalho. As empresas querem admitir pessoas com inteligência emocional e autogerenciamento, por exemplo”, destacou.

Conheça os painelistas

Baltazar Andrade Guerra é professor da UniSul e vai abordar as experiências de Portugal, que fez uma profunda transição educacional no período recente. Ele vai mostrar, por exemplo, como Portugal melhorou sua posição no ranking mundial de educação em ciências, leitura e matemática.

Fabrizio Pereira é diretor do Senai/SC, uma das poucas instituições no Brasil que vem desenvolvendo a educação baseada em competências, sobretudo competências técnicas, na área de formação profissional. Pereira vai mostrar como isso é possível.

Mauri Heerdt é reitor da UniSul, universidade que está fazendo uma transição na educação digital, desde que foi adquirida pelo Grupo Ânima. O professor Mauri vai falar um pouco dessa transição e como está a implementação na UniSul.

Maurício Fernandes é professor na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e secretário municipal de Florianópolis. Vai apresentar o conceito das escolas do futuro, experiência implementada na Capital que oferta ensino em tempo integral e formação digital na rede pública.

Moacir Marafon é empresário, vice-presidente de talentos da Acate e um dos maiores incentivadores da capacitação tecnológica e em larga escala. Atualmente, a Capital tem cerca de 4.500 vagas na área de tecnologia sem profissionais capacitados para preenchê-las.

Rodrigo Alves é professor da UniSul e diretor do Grupo Ânima, que tem mais de 300 mil estudantes em todo o Brasil. Alves também vai mostrar a transição para a educação digital que ocorre em outras universidades geridas pelo grupo.

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