Florianópolis tem seis escolas com mais de 100 anos. São unidades de ensino que se desenvolveram com a cidade e contribuíram para a formação de milhares de cidadãos.
Colégio Catarinense foi fundado em 1905 – Foto: CEE/Divulgação/NDComo forma de reconhecimento ao trabalho dessas instituições, o CEE (Conselho Estadual de Educação) de Santa Catarina elaborou o livro “Escolas Centenárias de Santa Catarina”, que conta a trajetória das escolas com 100 anos ou mais de todo o Estado.
Na última sexta-feira (10), o IEE (Instituto Estadual de Educação) comemorou 130 anos de fundação. Nesta segunda-feira (13), é o dia da Escola de Educação Básica Professor Henrique Stodieck celebrar seus 107 anos.
SeguirO ND+ listou as escolas centenárias localizadas na Capital catarinense e, baseada no livro do CEE, contou a história de cada uma delas.
Conheça as 6 escolas centenárias da Capital:
IEE (Instituto Estadual de Educação), 130 anos
A história do IEE (Instituto Estadual de Educação) teve início no ano de 1892, com a assinatura do decreto nº 155 de 10 de junho daquele ano.
Em seus 130 anos, o Instituto passou por várias mudanças de nome e de endereço e, finalmente, em 1966, passou a se chamar Instituto Estadual de Educação. Quando foi fundado, seu primeiro nome foi Escola Normal Catarinense.
Formava professores em três anos. Através do Decreto nº 1.205, de 19 de fevereiro de 1919, passou a exigir quatro anos para a formação dos profissionais do magistério.
Com um decreto de 1935, a escola recebeu a denominação de Instituto de Educação de Florianópolis. Em 27 de janeiro de 1947 foi denominado Instituto de Educação Dias Velho.
Em 4 de novembro de 1949 foi criado o Segundo Ciclo do Ensino Secundário, passando então a denominar-se Instituto de Educação e Colégio Estadual Dias Velho, permanecendo com esse nome até 1957.
Desse ano até 1963, passou a chamar-se Colégio Estadual Dias Velho. E, finalmente, em 1966, Instituto Estadual de Educação.
Em 1926, a então Escola Normal Catarinense inaugurou sua sede própria na rua Saldanha Marinho, mais tarde, sede da FAED (Faculdade de Educação) da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina).
O Instituto Estadual de Educação pertence à rede pública estadual. Oferece as modalidades de Ensino Fundamental– Anos Iniciais e Anos Finais, Ensino Médio, Ensino Médio Inovador, Ensino Profissionalizante de Magistério e Educação Integral com diversas modalidades de Atividades Curriculares Complementares de Cultura e Esporte.
Colégio Bom Jesus Coração de Jesus, 124 anos
O Bom Jesus Coração de Jesus iniciou suas atividades em 15 de janeiro de 1898, quando as irmãs da Divina Providência abriram 44 instituições, dentre elas asilos, hospitais e colégios.
A instituição está localizada na rua Emir Rosa e rua Hermann Blumenau, no Centro de Florianópolis.
Em 2007, a Sociedade Divina Providência, mantenedora do antigo Colégio Coração de Jesus, firmou parceria administrativa e pedagógica com a Associação Franciscana de Ensino Senhor Bom Jesus, com sede em Curitiba (PR) e mantenedora da rede de Colégios “Bom Jesus”. Assim, surgiu o Colégio Bom Jesus Coração de Jesus.
Diz a história que a velha casa de cinco cômodos, em precário estado de conservação, que compreendia ainda uma extensa horta e um cafezal, foi adaptada e arrumada inicialmente para acolher as primeiras irmãs enfermeiras. Elas chegaram à cidade no dia 25 de maio de 1897, para assumirem o Hospital de Caridade.
O Colégio Bom Jesus Coração de Jesus oferece, hoje, a Educação Infantil, incluindo maternal e integral, Ensino Fundamental I e II e o Ensino Médio.
Colégio Catarinense, 117 anos
O Colégio Catarinense, estabelecimento de ensino básico regular da rede privada de ensino, iniciou suas atividades em 30 de agosto de 1905 pertencente à Rede Jesuíta de Educação.
Criado pela Lei Estadual nº 669, as aulas no então chamado Ginásio Santa Catarina iniciaram no dia 15 de março de 1906, por contrato firmado entre o governo do Estado e a Companhia de Jesus (Sociedade Literária “Padre Antônio Vieira”).
O Fráter Frederico Maute, professor de música do Ginásio Catarinense, representou o quadro docente da instituição que teve como primeiro diretor o padre Norberto Ploes.
Em 23 de março de 1918, foi concedida a equiparação nacional ao Colégio Dom Pedro II, com base no decreto nº 11.530, de 18 de março de 1915. Em 6 de janeiro 1943, o Ginásio Catarinense passou a se chamar oficialmente Colégio Catarinense.
O prédio onde fica localizado o Colégio Catarinense vem sendo ampliado e modificado de forma paulatina ao longo dos seus 110 anos. No primeiro ano de funcionamento, como não estava em edifício próprio, o governador Vidal Ramos cedeu sua casa de moradia, na então Vila dos Pamplonas.
Mais tarde, a casa foi adquirida pelos jesuítas, assim como toda a área em seu entorno, para a instalação definitiva do Colégio.
A partir de 1907, o Colégio iniciou a construção da capela, do galpão e das salas de aula. A construção do estabelecimento de ensino perdurou até a década de 1950, quando a obra do edifício principal foi concluída.
IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina), 113 anos
O IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) foi fundado em 23 de setembro de 1909, em Florianópolis, pelo presidente da República Nilo Peçanha, como Escola de Aprendizes Artífices de Santa Catarina.
Seu objetivo era proporcionar formação profissional aos filhos de classes socioeconômicas menos favorecidas.
Em 13 de janeiro de 1937 mudou o nome para Liceu Industrial de Florianópolis. Cinco anos mais tarde, passou para Escola Industrial de Florianópolis.
A partir de 1968, passou a chamar-se Escola Técnica Federal de Santa Catarina. A Lei Federal nº 8.948, de 8 de dezembro de 1994, transformou todas as Escolas Técnicas em Centros Federais de Educação Tecnológica – CEFET.
A expansão iniciou em 1988, com a oferta de cursos em São José e, três anos depois, a inauguração da unidade de São José, a primeira fora da Capital.
Desde 2008, a denominação adotada é Instituto Federal de Santa Catarina, com oferta focada na educação profissional e tecnológica, com cursos que vão desde a capacitação profissional até o mestrado.
A primeira sede foi instalada em um prédio cedido pelo governo do Estado, na rua Almirante Alvim, no Centro.
Dez anos depois, transferiu-se para a rua Presidente Coutinho, onde permaneceu até 1962, quando se mudou para a avenida Mauro Ramos, local onde hoje funciona o Campus Florianópolis e que até 2006 foi sede da instituição.
Hoje, a reitoria está localizada na parte continental de Florianópolis e a instituição possui 22 campi em toda Santa Catarina.
EEB Lauro Müller, 110 anos
A Escola de Educação Básica Lauro Müller iniciou suas atividades com a denominação de Grupo Escolar Lauro Müller, no dia 24 de maio de 1912, dedicado aos estudos de 1ª a 4ª série.
No início da década de 1970, a escola incluiu de 5ª a 8ª série, passando a ser denominada Escola Básica Lauro Müller. Em 1973, com a união com o Grupo Escolar Barreiros Filho, surgiu a Escola Básica de Demonstração Lauro Müller.
Durante seis anos as duas unidades escolares dividiram espaços, uma na rua Marechal Guilherme (5ª à 8ª série) e a outra, na rua Nereu Ramos (1ª a 4ª série).
Há vinte anos foi autorizado o Ensino Médio, e a Escola Básica se transformou em Colégio Estadual de Demonstração Lauro Müller. No mês de abril de 2000, o Colégio passou a se chamar Escola de Educação Básica Lauro Müller.
Em 2011, ganhou o “Prêmio Internacional EducaRed”, como melhor escola do mundo em projetos desenvolvidos com tecnologia na Educação Especial.
O prédio que abriga a escola possui dois blocos, construídos no ano de 1912. Um dos blocos foi tombado nos anos 1990. Desde então, conserva suas características originais. Atualmente, a escola atende o Ensino Fundamental 1 e 2 e o Ensino Médio.
EEB Henrique Stodieck, 107 anos
A Escola de Educação Básica Professor Henrique Stodieck tem sua origem ligada à Escola Diocesana São José, fundada em 13 de junho de 1915, concebida e dirigida pelo padre jesuíta Luiz Schuller.
A escola foi instituída com o objetivo de oferecer ensino primário às famílias menos favorecidas, que não eram contempladas pela rede pública.
Na década de 1920, passou por significativa expansão, quando foi equiparada aos grupos escolares estaduais. Na época, passou a ser uma “escola complementar”, com duas escolas filiais, a Escola Santa Catarina e a Escola Padre Anchieta da Pedra Grande.
Em 1927, teve seu nome modificado para Grupo Escolar Arquidiocesano São José, que, no final da década de 1930, tinha quase mil estudantes, sendo o maior grupo escolar de Santa Catarina.
O Grupo Escolar Arquidiocesano São José era uma instituição voltada para as classes populares de Florianópolis, especialmente àquelas que habitavam os morros e sobreviviam de trabalhos informais.
Oferecia Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série, e progressivamente, as demais séries do então denominado primeiro grau com o reconhecimento do CEE (Conselho Estadual de Educação de Santa Catarina).
Os estudantes eram mistos, divididos em seção feminina e seção masculina. Na Capital catarinense, o ensino primário tinha divisões bem marcadas: os filhos das elites estudavam no Ginásio Catarinense e no Colégio Coração de Jesus.
Já as classes médias nos Grupos Escolares Lauro Müller e Silveira de Souza e as classes populares nas Escolas Isoladas e no Grupo Escolar Arquidiocesano São José.
Houve, no entanto, exceções à regra, como o caso particular de Osmar Cunha, que frequentou esta última escola, fez curso secundário e superior e chegou a ser prefeito de Florianópolis.
No ano de 1983 foi criado o curso de segundo grau. No mesmo ano, a escola passou a ser chamada de Colégio Estadual Professor Henrique Stodieck, em seu novo endereço, na rua Esteves Júnior, no Centro.