Greve na UFSC: servidores técnicos bloqueiam entrada e ocupam reitoria

Governo deve se reunir com os servidores técnicos nesta terça-feira (11) em mais uma tentativa de negociação da greve

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Beatriz Rohde Florianópolis

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A UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) amanheceu com as entradas bloqueadas nesta terça-feira (11). O protesto dos servidores técnico-administrativos em educação também ocupou os dois prédios da reitoria.

Servidores técnicos bloqueiam a entrada da UFSC nesta terça-feiraUFSC amanheceu com acesso bloqueado como parte do protesto nacional dos servidores técnicos – Foto: Reprodução/Sintufsc

A greve dos servidores técnicos de universidades e institutos federais em todo o país já dura três meses. A paralisação nacional começou no primeiro dia do ano letivo da graduação na UFSC, em 11 de março.

Segundo o Sintufsc, sindicato que representa os servidores técnicos da universidade, a categoria acumula uma defasagem salarial de 54% nos últimos sete anos.

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Representantes do Ministério da Gestão e do Ministério da Educação devem se reunir com os grevistas às 16h desta terça-feira em mais uma tentativa de negociação.

Servidores técnicos da UFSC protestam em BrasíliaServidores técnicos da UFSC durante manifestação em Brasília, em 21 de maio – Foto: Reprodução/Sintufsc

Além do reajuste nos salários, a greve reivindica a reestruturação da carreira dos servidores técnicos, reajuste de bolsas estudantis, recomposição do orçamento das instituições federais e revogação de normas aprovadas nos governos Temer e Bolsonaro.

O reajuste salarial proposto pelo governo é de 9% em janeiro de 2025 e 5% em abril de 2026, mas nenhuma parcela em 2024. O Ministério da Gestão alega não haver espaço orçamentário para um aumento este ano.

A pasta defende que, se considerado o reajuste de 9% concedido aos servidores técnicos em 2023, a oferta representa aumento médio de 28% até 2026, sendo 37,6% no estágio inicial da carreira.

Estudantes da UFSC se manifestam em reunião do Conselho UniversitárioAlém dos servidores técnicos, professores e estudantes da UFSC aderiram à greve – Foto: Salvador Gomes/Agecom/UFSC

O governo já acordou um reajuste de 52% no auxílio-alimentação, que passou de R$ 658,00 em 2023 para R$ 1.000,00 em 2024. A categoria também garantiu a correção do valor médio do auxílio-saúde em 49% e do auxílio-creche em 51%.

“Em 3 meses de greve, é preciso coragem para apresentar um percentual de reajuste que seja minimamente condizente com as perdas salariais acumuladas nos últimos 7 anos: 0% não é proposta!”, defendeu o Sintufsc nas redes sociais.

O sindicato faz referência à declaração de Lula durante a reunião com os reitores na segunda-feira (10), em Brasília.

O presidente afirmou que “no Brasil está cheio de dirigente sindical que é corajoso para decretar uma greve, mas não tem coragem de acabar com a greve”.

Governo anuncia investimento em universidades federais

Lula anuncia investimento durante reunião com reitores de instituições federaisLula afirmou não haver motivo para a greve nas universidades federais durar tanto – Foto: Reprodução/MEC

Na reunião com os reitores, o presidente Lula anunciou um investimento de R$ 5,5 bilhões para todas as instituições federais de ensino superior. O valor é destinado à expansão das universidades e hospitais universitários.

Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, os recursos contemplam 223 novas obras, sendo 20 em andamento e 95 retomadas em salas de aula, laboratórios, auditórios, bibliotecas, refeitórios, moradias e centros de convivência.

O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) inclui R$ 3,17 bilhões na consolidação de estruturas, R$ 600 milhões para expansão e R$ 1,75 bilhões para hospitais universitários.

Cartaz escrito "A greve continua. Lula, a culpa é sua!" em frente à Reitoria II da UFSC“A greve continua. Lula, a culpa é sua!” protestam os grevistas na UFSC – Foto: Reprodução/Sintufsc

Serão dez novos campi vinculados a universidades já existentes e oito novos hospitais universitários, mas nenhum em Santa Catarina.

O governo também acrescentará R$ 400 milhões no custeio das instituições. Com a recomposição, o orçamento para as universidades federais será de R$ 6,38 bilhões em 2024, enquanto dos institutos federais será de R$ 2,72 bilhões.

“Nesse caso da educação, se vocês analisarem o conjunto da obra vocês vão perceber que não há muita razão para essa greve estar durando o que está durando. Quem está perdendo não é o Lula, quem está perdendo não é o reitor, quem está perdendo é o Brasil e os estudantes brasileiros”, argumentou o presidente.

Veja as 21 reivindicações locais dos servidores técnicos da UFSC

Reitoria da UFSC ocupada por servidores técnicos em greve na manhã desta terça-feiraServidores técnicos em greve ocuparam os dois prédios da reitoria da UFSC na manhã desta terça-feira – Foto: Reprodução/Sintufsc

Além das exigências nacionais da categoria, os servidores técnicos da UFSC entregaram à reitoria uma lista com 21 pontos da pauta local. Confira a seguir:

  1. Fora Spyros e Eleições diretas para superintendência no HU e outros cargos diretivos;
  2. Volta do SASC para a comunidade universitária;
  3. Realização de exames periódicos  para os servidores  RJU;
  4. Revisão das avaliações dos laudos de insalubridade do HU com participação dos trabalhadores;
  5. Realização de novos laudos sobre a insalubridade nos demais setores;
  6. Reestruturação do Restaurante Universitário;
  7. Priorização da manutenção da infraestrutura existente pela gestão, com disponibilidade e transparência do orçamento;
  8. Reorganização da Prefeitura Universitária;
  9. Recomposição dos recursos para a assistência estudantil;
  10. Recomposição imediata das equipes de trabalho dos setores (chamamento de concurso dos códigos de vagas em aberto);
  11. Redimensionamento de pessoal e abertura de novas vagas para concurso;
  12. 30 horas para todos;
  13. Regulamentação do Projeto piloto das 30h;
  14. Regulamentação do Projeto piloto do Teletrabalho;
  15. Efetivação da CISSP e implantação de uma política de prevenção e promoção à saúde do trabalhador;
  16. Facilitar o processo de movimentação interna, com maior frequência e transparência dos editais de remoção;
  17. Paridade nos conselhos e instâncias de deliberação;
  18. Implementação de uma política efetiva e permanente de prevenção e combate ao assédio moral no trabalho;
  19. Reestruturação das avaliações de desempenho e estágio probatório conforme proposta já encaminhada pelos TAEs;
  20. Posicionamento da Reitoria em relação à Auditoria Cidadã da dívida;
  21. Não ao ponto eletrônico.

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