Criar um ambiente escolar inclusivo é garantir que todos os estudantes tenham o direito igualitário de desenvolver seu aprendizado e suas habilidades, sociais e cognitivas. Um dos meios de formar esse cenário é a implantação do ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) nas escolas.
Em cartaz sobre o Setembro Azul, Gustavo e amigas mostram a importância da Libras – Foto: Renata Santana/Divulgação/its TeensNa Escola Municipal Professor Edgar Monteiro Castanheira, com chegada do aluno surdo Gustavo Gomes, começou o projeto de inserir a Libras nas salas de aula. Em 2021, o trabalho ocorria durante as aulas de Língua Portuguesa, uma vez na semana, com a auxiliar de educadora e intérprete, Angélica Esper, com o objetivo estabelecer uma comunicação interativa entre a turma e Gustavo.
Junto ao apoio e orientação da gestora da unidade, Andreia Heiderscheidt Fuck, a professora de Língua Portuguesa, Renata Santana, iniciou o projeto com a aprendizagem de sinais, e o “batismo” dos colegas e da docente, criado pelo estudante surdo.
SeguirPara incentivar a aprendizagem, foram realizadas rodas de conversa na linguagem de sinais e jogos. Em 2022, a professora ampliou o projeto com a turma, que agora conta com a ajuda da supervisora Josiane de Fátima Almeida. Agora, já no 7º ano do Ensino Fundamental, os estudantes relembraram os ensinamentos aprendidos e praticam novos sinais.
Os alunos compreenderam a necessidade e o valor da comunicação acessível e, devido a esse interesse, tiveram facilidade para gravar e utilizar os sinais. Segundo Renata, algumas estudantes até manifestaram interesse em seguir com os estudos em Libras para se tornarem intérpretes no futuro.
Gustavo utiliza o programa de conversão para Libras para digitar o texto produzido em sala de aula – Foto: Renata Santana/Divulgação/its TeensPara Gustavo, o projeto também está sendo de imensa importância. Além de se sentir acolhido pelos colegas e ter um progresso evidente na sua aprendizagem, agora consegue se comunicar com mais autonomia e segurança, mostrando independência a partir de sua própria vivência.
Como uma forma de aumentar ainda mais a integração da Libras, os adolescentes levaram a língua para fora da sala de aula, estabelecendo conversas com funcionários e colegas da escola.
“O ensino da Libras como segunda língua para alunos ouvintes significou, de fato, a inclusão social do Gustavo, pois desta forma ele teve mais oportunidades de desenvolver sua aprendizagem e elevar sua autoestima. Ele adora ensinar os colegas e sente-se acolhido e enturmado da mesma forma que os demais”, conta a professora de Língua Portuguesa.
A atividade está sendo gratificante também para os colegas e amigos de Gustavo. “Eu amei o projeto desde que começou e estamos todos envolvidos nele. Conseguimos aprender e conscientizar muitas pessoas quanto à importância da inclusão”, declara a aluna Eloah de Paula Ezequeil.