Incertezas e regras sanitárias marcam retorno às escolas estaduais em Florianópolis

Diretores se mobilizam em "força-tarefa" para garantir que os estudantes cumpram o distanciamento social; medidas não são sempre respeitadas pelos alunos

Maria Fernanda Salinet e Sofia Mayer Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Orientações sanitárias, inseguranças e desafios para cumprir o distanciamento social marcam a volta às aulas presenciais, nesta quinta-feira (18), em escolas estaduais de Florianópolis. Em todo o Estado, são cerca de 500 mil estudantes retornando às salas de aula.

Nesta quinta-feira, apenas estudantes do 3º ano do Ensino Médio voltaram ao IEENesta quinta-feira, apenas estudantes do 3º ano do Ensino Médio voltaram ao IEE  – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

A maioria das escolas terá aulas no modelo misto, com alternância dos grupos que frequentam a sala de aula. É o caso da maior escola do Estado, o IEE (Instituto Estadual de Educação), no Centro, que voltou às atividades presenciais de forma escalonada. Nesta quinta, por exemplo, apenas as turmas de terceiro ano do Ensino Médio devem comparecer ao colégio.

Segundo o diretor, Vendelin Borguesan, cerca de 80% dos estudantes optaram por retornar às atividades presenciais. A incerteza em relação ao cumprimento das medidas sanitárias pelos mais novos, no entanto, preocupa alguns pais.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

A coordenadora de aula no IEE, Kathi Lori D’ávila, decidiu manter os dois filhos gêmeos, de 12 anos, no ensino totalmente remoto. “É uma idade em que eles não respeitam distanciamento. Ficam abraçando, se tocando. Eles só voltam para o presencial quando tiver vacina”, garante. As crianças estudam no sétimo ano do Instituto.

Apesar disso, Kathi revela que as medidas adotadas pela escola passam bastante segurança aos alunos e funcionários. “Na medida do possível, a escola está tomando todas as medidas e estamos respeitando os protocolos. Me sinto segura no retorno hoje”, ressalta.

Raikoinen Blosfeb vai se formar neste ano no IEERaikoinen Blosfeb vai se formar neste ano no IEE – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

Já o aluno Raikoinen Blosfeb, estudante do 3º ano do IEE, conta que o terceirão não está sendo o que esperava. “Era para ser divertido, uma despedida, mas não é assim”, diz.

Raikoinen tem uma irmã, de 10 anos, que também estuda no colégio, mas que irá seguir apenas no ensino remoto. “Ela tem diabetes, então meus pais quiseram que ficasse em casa”. Para evitar a chance de contágio, Raikoinen conta que vai direto para o banho após chegar da escola.

Distanciamento e desafios

Dos 1.160 alunos da escola Padre Anchieta, no bairro Agronômica, 728 escolheram continuar no ensino híbrido.

Já os estudantes que retornam à escola estão recebendo orientação constante sobre medidas sanitárias para contenção da Covid-19. A diretora Valéria Oliveira Florentino, por exemplo, utilizou o intervalo do Ensino Médio nesta manhã para reafirmar que é necessário “manter as regras, se não [o aluno] vai ficar na sala”.

A expectativa era de que 187 estudantes voltassem às salas de aula. Apenas 100 alunos, contudo, compareceram nesta quinta-feira. Todos foram divididos em dois grupos, permitindo os escalonamento das atividades presenciais.

Diretora da escola Padre Anchieta orienta alunos  – Foto: Maria Fernanda Salinet/NDDiretora da escola Padre Anchieta orienta alunos  – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

A estudante de 16 anos Eshiley dos Santos, do 1º ano do Ensino Médio, conta que não se sente segura para as atividades presenciais, mas precisou retornar. “Meus pais viram que eu não aprendia bem em casa, por isso tive que ficar presencial”, diz.

Segundo a jovem, os colegas não seguem muito bem o distanciamento. “São muito teimosos”, comenta. Relatos dão conta de que os alunos brincam, dizendo para “não ficar perto”, mas acabam se aproximando mesmo assim.

Eshiley dos Santos conta que os colegas têm dificuldade para seguir as regras sanitáriasEshiley dos Santos conta que os colegas têm dificuldade para seguir as regras sanitárias – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

A reportagem flagrou, nesta manhã, um aluno tirando a máscara facial. Uma funcionária, logo em seguida, pediu para que ele a colocasse novamente. “Estava machucando”, justificou.

Em Santa Catarina

De acordo com a SED (Secretaria Estadual de Educação), 82% dos alunos da rede estadual retornam de forma presencial nas escolas. A maioria terá aulas no modelo misto, com alternância dos grupos que frequentam a sala de aula. Enquanto um grupo frequenta o “Tempo Escola”, o outro estará no “Tempo Casa” e se alternam na semana seguinte.

“Estamos garantindo uma retomada presencial segura, baseada em três pilares: estrutura física, de pessoal e equipamentos de proteção individual. Se em alguma escola essas três condições não forem atendidas, naquela unidade o retorno será realizado inicialmente no modelo remoto”, explicou o secretário de Estado da Educação, Luiz Fernando Vampiro.

Tópicos relacionados