Inclusão de estrangeiros nas escolas municipais de Joinville

Essa reportagem foi feita pelos alunos da Escola Municipal Doutor Abdon Badptista para a editoria "Eu, repórter na its"

EM Doutor Abdon Baptista Joinville

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Nos últimos anos as escolas brasileiras têm observado uma realidade com a qual boa parte delas não estavam acostumadas: o aumento do número de alunos estrangeiros em seu quadro de estudantes.

Alunos da Escola Municipal Doutor Abdon Baptista – Foto: Miguel Mendes Ferreira/Divulgação/its TeensAlunos da Escola Municipal Doutor Abdon Baptista – Foto: Miguel Mendes Ferreira/Divulgação/its Teens

Você sabia que existe todo um processo de adaptação para os imigrantes aqui nas nossas escolas? Pois é, a Escola Municipal Doutor Abdon Baptista possui imigrantes que passaram por algumas dificuldades, como a diferença de idiomas.

Um exemplo é a aluna Diosamar Aurora Rivas, que veio de Ciudad Bolívar, cidade localizada na Venezuela, para o Brasil aos 10 anos com a família. Ela nos conta um pouco como foi sua adaptação aqui em Joinville: “Foi muito difícil, muita coisa que passamos”.

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Em relação à língua portuguesa, Diosamar descreve como foi o processo de transição: “Estudei, escutei, aprendi algumas palavras e foi assim. Algumas palavras são diferentes, mas muita coisa é igual. Os professores tratam de acomodar as pessoas que chegam. Por exemplo, se não entendo algo, eles ajudam, traduzem pelo celular”.

Ela acrescenta também as diferenças da sua antiga escola na Venezuela para o Abdon: “Não tem aulas de Inglês, Artes, nem professores de Educação Física, também não temos supervisora”.

A mãe da aluna, Judy Josefina García, que trabalha na escola como zeladora, menciona como era viver na Venezuela e as tantas necessidades que a fizeram sair do país: “A educação praticamente não existe. Queríamos mais direitos sociais, salários dignos. Mas a parte mais agravante do país é a instabilidade. Porque para aquelas pessoas, sua vida não valia nada”.

Também nos revela o processo de transição do tipo de trabalho que costumava fazer lá e quando chegou aqui: “No começo foi difícil, porque na minha vida nunca tinha trabalhado com zeladora, pois sempre trabalhei como professora aposentada, na parte administrativa e como diretora”.

A diretora Patricia da Silva Furbringer conta como é a questão diligente ao acolhimento desses alunos e como lidou com a dissensão de os idiomas serem semelhantes/diferentes: “Primeiro passo, todos os alunos que chegam, nós procuramos saber do histórico, a questão da família e o social dos alunos. É passado pelos orientadores, os profissionais conversam, veem quais são as necessidades. Esses alunos do Abdon têm o conhecimento da Língua Portuguesa, eles conseguem se orientar, se organizar”.

De acordo com estudiosos da área de linguística, muitas palavras do Português e do Espanhol se assemelham, isso acontece pois se tratam de idiomas da mesma família, de origem latina.

De acordo com a auxiliar de direção Rosana Martins de Souza Araújo, a Escola Municipal Doutor Abdon Baptista conta e já contou com alunos da Bolívia, Venezuela, Japão, Taiwan, totalizando 18 estrangeiros nos últimos cinco anos. Rosana comenta que muitos desses imigrantes passam por dificuldades quando chegam aqui.

O que você acha de dar uma olhadinha na nossa lista de cinco passos de como acolher um aluno estrangeiro na sua escola?

1. Esteja ao lado dessa pessoa para ajudá-la;

2. Prontifique-se para apresentá-lo aos seus amigos;

3. Realize uma boa pesquisa cultural;

4. Tenha paciência com o novo aluno;

5. Auxilie ao máximo, sendo um intermediador no processo de adaptação cultural.

Reportagem escrita por: Amanda de Amaral, Arthur Lima, Liana Beatriz de Assumpção, Paula Malisia Moreira, Rebeca Lorrane Santos Correia, Thalles da Silva Vaz, Vinícius Pinheiro Machado

Conheça a editoria “Eu, repórter na its”

Com orientação da revista its Teens, os alunos viram pauteiros, repórteres e fotógrafos na escola para escrever uma notícia e compartilhar com toda a Rede Municipal de Ensino de Joinville o que tem de legal na unidade.

Todo o processo é acompanhado com a supervisão de um professor ou da própria gestão para publicação. Nesta matéria, a Escola Municipal Doutor Abdon Baptista assina a editoria.

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