É normal que durante o ano letivo aconteçam faltas por diferentes motivos, seja devido a uma doença, viagem ou outro compromisso. Entretanto, a infrequência sem justificativa é prejudicial para a aprendizagem e deixa danos no rendimento escolar.
Reunião com os pais sobre a infrequência escolar – Foto: EM Dr. Sadalla Amin Ghanem/Divulgação/its TeensLidar com a evasão escolar é um desafio de toda escola, por isso é necessário pensar em propostas para reverter a situação. A equipe gestora e o corpo docente da Escola Municipal Doutor Sadalla Amin Ghanem organizaram um projeto que visa conscientizar os alunos e seus familiares sobre a importância da frequência nas aulas.
No primeiro trimestre de 2022, a escola estava com uma taxa de infrequência alta. A unidade, que atende cerca de 900 alunos, contabilizava 9.105 faltas.
SeguirCom base neste dado, a instituição realizou uma reunião multidisciplinar para levantar ideias com o objetivo de reduzir o número destas ausências.
“Os estudantes ainda mantinham um ritmo de aulas não presenciais, fruto do tempo em que ficaram em casa durante a pandemia da Covid-19, como também outras características inerentes a cada composição familiar”, explica o assistente social da escola, David Moloies.
A partir disso, foram desenvolvidas múltiplas atividades para enfatizar os perigos da inconstância na presença em sala de aula. Elaborou-se um gráfico de controle de frequência escolar e um mural lúdico para serem expostos na escola.
Além de fiscalizar a frequência dos alunos desta maneira, a escola também tem o intuito de gerar o engajamento e a participação dos pais na vida escolar de seus filhos. Com essa finalidade, foram preparadas reuniões de conscientização com os familiares, contando sobre as diretrizes do projeto.
“As faltas sem justificativas afetam negativamente os estudantes em diversos aspectos, no intelectual, pois ele perde a explicação do professor e, por mais que ele reponha a matéria, não consegue repor a ação, a importância da formatação da aula que foi perdida”, esclarece David.
Outro ponto a ser destacado é o protagonismo dos discentes no processo de responsabilidade escolar. Mediante a assinatura da direção, foi feita a autorização para realização de 2ª chamada de trabalhos e avaliações por meio de um formulário, com o objetivo de dar ao estudante o compromisso de informar o motivo da ausência nos dias de avaliações.
A chegada tardia foi igualmente trabalhada nas atividades. Com o controle dos atrasos foi possível mensurar quais alunos apresentavam dificuldades para cumprir com o regimento escolar.
A presença depois do horário passou a ser registrada com um carimbo na agenda escolar e, havendo reincidência de três chegadas tardias, a equipe de Serviço de Orientação Educacional (SOE) entra em contato via telefone.
Para que essas atividades gerassem resultados positivos, a instituição contou com a participação de toda a comunidade escolar. “O projeto teve respaldo de toda equipe pedagógica, o que fez com que tivéssemos maior comprometimento nas ações praticadas. Além disso, o corpo discente também demonstrou maior envolvimento nas aulas e nas práticas, fortalecendo o projeto”, conta o assistente social.
E os frutos do projeto vieram: o número de faltas sem atestado médico foi reduzido em 46,87%. Em 90 dias da proposta, a escola registrou 6.199 faltas, quase três mil a menos comparado ao início do trimestre.
Essa iniciativa gerou efeito até mesmo fora da unidade, estando presente no “Seminário da orientação educacional, psicologia e serviço social na educação básica: tecendo saberes e construindo práticas”, desenvolvido pela Secretaria de Educação de Joinville.