Com o objetivo de explorar a cultura de Florianópolis e aproximar as crianças da tecnologia, os grupos cinco e seis do Neim (Núcleo de Educação Infantil Municipal) Dona Cota têm um novo desafio: a criação de um podcast musical, incluindo uma composição autoral.
A professora uniu cultura e tecnologia para criar o “Pão de Cast”, podcast musical – Foto: José Somensi/Divulgação/its TeensO resultado está sendo o “Pão de cast”, podcast musical feito com a professora Carolina Borges Souza Guntzel. Com encontros semanais, a turma aproveita o momento para ensaiar e gravar, dando evidência para canções conhecidas dos manezinhos, como “Lagusta Laguê” e “Rancho de Amor à Ilha” — e o cantar e dançar é algo que faz parte do cotidiano deles.
“A tecnologia vem nesse sentido, de trazer essas novas possibilidades dentro daquilo que os professores já trabalham; isso é um dos vieses que eu uso na unidade”, conta a educadora Carolina, especialista em informática educativa e mestre em mídia e conhecimento, responsável por observar nas tarefas diárias a oportunidade de apresentar uma nova ferramenta.
SeguirEntre as palmas e a coreografia ensaiada nas canções que mencionam bairros de Florianópolis e apresentam a cultura da cidade, aquilo que está na letra serviu de inspiração para ir além, dando aos pequenos o desafio de compor a própria canção.
“Queremos fazer uma música autoral. Estamos trazendo a cultura da Ilha, mas pensamos: ‘Vamos dar um passo a mais?’. É um processo tão bonito, as crianças estão superenvolvidas, as professoras também, então agora nosso próximo passo é trazer uma composição nossa.”
Até o momento já foram gravadas duas músicas, mas a estimativa é registrar uma terceira canção e encerrar o ano com a composição própria, que ganhará um videoclipe. Mais do que dar o play e acompanhar as vozes com o violão, o cenário é pensado para que a turma sinta o prazer de gravar o próprio trabalho.
As crianças se encantam com o podcast musical, reação que serve de incentivo para as professoras – Foto: José Somensi/Divulgação/its TeensCom tapete e almofadas, os pequenos vão conferindo a gravação do podcast musical no software, ansiosos pelo resultado, momento que ficou registrado na memória de Carolina. “Depois que gravamos, liguei uma caixa grande, e era um semblante empoderado. Empoderamento, acho que essa é a palavra. Os olhos brilhavam, foi muito lindo”, explica a profissional.
Além da alegria de acompanhar o próprio trabalho, a autonomia fica evidente quando compreendem que todos podem produzir e consumir cultura, sentimento explicado pela professora. “Sentir-se empoderado de: ‘Eu posso produzir, não estou só ouvindo aquilo que vem de outros lugares, aquilo que a mídia veicula, que a professora coloca em sala”, diz a educadora.
Outro fator que contribuiu com a desenvoltura da turma é que o ato de cantar e dançar faz parte do dia a dia, ou seja, todos já estão acostumados com a diversão — o diferencial foi acompanhar a gravação e compreender o processo que existe por trás do que é divulgado.
Para a diretora Deyse Aparecida Tunes, a abordagem escolhida demonstra o apreço à infância. “O tempo da tecnologia é muito fácil, é tudo para ontem, mas a criança, para embarcar nessa viagem, precisa ser respeitada. A gente não pode gerar um estresse no sentido de criar um ritmo de produção. Elas precisam se sentir à vontade, precisam participar de uma forma leve, brincando. Tudo tem que ser uma brincadeira”, evidencia Deyse, que vê na integração uma forma de democratizar o acesso.
“Pode contribuir na formação crítica, que as crianças possam ter esse comparativo do que veem lá fora para o que elas veem aqui dentro, e também no sentido de produção, que elas possam ser autoras, que possam compreender o que tem por trás, perceber que o que é produzido e o que a gente vê tem um ser humano por trás, que pensa, que seleciona, que escolhe e que produz.”
Tecnologia e podcast musical
O trabalho com a tecnologia engloba diversas manifestações culturais; o podcast musical é apenas um exemplo do que é feito na unidade – Foto: José Somensi/Divulgação/its TeensEmbora o espaço seja utilizado para aproximar as turmas do universo tecnológico, durante um tempo o ambiente aproximou os grupos da leitura. Entretanto, a ideia de colocar as inovações na agenda da semana é antiga — o Neim Dona Cota foi escolhido para ser um piloto da rede municipal, sendo item de estudo para outros profissionais.
Com as mudanças dos aparelhos e das ferramentas, a sala voltou a ser utilizada no início deste ano, com a chegada da professora Carolina Borges Souza Guntzel. Isso porque a profissional é a responsável por compreender o que cada professora está apresentando, unindo os projetos com a tecnologia.
Educação ambiental, desenhos animados e a criação de um país próprio são temas que despertam a curiosidade das turmas e incentivam o uso da tecnologia, seja com um aplicativo diferente, seja colocando o corpo para sentir aquilo que é criado com as inovações.
Filmes, pintura, música, dança e fotografia também fazem parte das vivências. Um exemplo foi o Baile Afrofuturista, momento em que as crianças puderam compreender a cultura africana, dando ênfase às músicas e à arte. Por mais que o digital seja o foco, os pequenos também são incentivados a manter o empréstimo de livros — eles levam uma publicação em uma sacolinha, com o desafio de completar a leitura.