Quem vê Beatriz Trancoso, 12, e Henrique Trancoso, 5, não tem dimensão das premiações que os irmãos colecionam. A mais velha já conquistou a Copa do Brasil (1,5 e 2,5 Km), além de ser a atual líder do Circuito Summit 2022 e do Circuito Foxlux. O mais novo também já conhece o pódio das competições de natação, sendo o campeão do Troféu Ana Marcela Cunha (200 metros).
Juntos, os irmãos Trancoso já conquistaram 23 títulos e 9 medalhas, colocando o sobrenome da família nas competições de natação – modalidade que exige resistência física, com confrontos feitos em águas abertas, como mares e lagos. O esporte está chamando a atenção do público, que pode acompanhar o desenrolar do desafio.
Até o fim do ano, a dupla deve participar de 25 campeonatos de natação, realizadas, na maioria das vezes, em praias. As disputas são estaduais, interestaduais e nacionais. Espírito Santo, São Paulo e Bahia são alguns dos locais em que Beatriz e Henrique devem competir.
Seguir“É muito gratificante ver os dois se destacando em águas abertas, onde exige capacidade do atleta devido às dificuldades encontradas e colocadas pela nossa mãe natureza. A Beatriz é muito guerreira e dedicada, tem muita disciplina. Para o Henrique é tudo uma diversão, com aquela pitadinha de competitividade”, conta o pai Diogo Alexandre Trancoso.
Mesmo com a pouca idade, ambos estão deixando marcas por onde passam, com destaques que merecem atenção. O incentivo para natação veio do próprio pai, que pratica o surfe e sabe que nadar é o primeiro passo para entrar no mar.
No caso da atleta, o primeiro contato com a água foi aos quatro anos. O objetivo era simples: manter a segurança no mar e aprender a mergulhar. Já Henrique, que começou a nadar aos dois anos, sempre gostou da água, conseguindo pegar as primeiras ondinhas com apenas quatro anos.
Com a chegada das etapas nacionais, a família de Joinville intensifica as preparações, especialmente para Beatriz. Com treinos na piscina e provas nos fins de semana, conciliar a vida de atleta com a escola requer organização.
Durante a semana, a nadadora separa as horas entre o ensino, treinamento funcional, natação e dança. O irmão pratica em dois locais: um com colegas mais velhos, dos nove aos 11 anos, e outro com crianças mais novas.
“A Beatriz treina desde os quatro anos de idade, só que começou a treinar em equipe somente o ano passado. Esse desejo surgiu depois que ela entrou na equipe treinando com os outros nadadores. O Henrique criou o desejo depois de ter visto a irmã em seu primeiro campeonato aberto”, explica Diogo.
No caso da jovem, a identificação com o mar aberto surgiu em 2022, após uma maratona aquática em fevereiro e a vitória na categoria geral. Mesmo com o pouco tempo de prática, já existem desafios que ficaram marcados na memória, como a Copa do Brasil (primeira competição nacional) e a adrenalina imposta por situações inesperadas.
“Águas (vivas) na Ilha do Mel foi o meu primeiro contato com elas. Pensei em desistir da prova, pois ardia muito. Eu cheguei a parar, mas continuei a nadar e conforme eu nadava ardia menos. Assim consegui chegar até o final, sendo campeã.”, declara a garota.
A mesma admiração pelas competições de natação também é vivenciada por Henrique, e a irmã faz questão de observar a postura do menor.
“Ele é muito feliz nadando e nadar, hoje, é o que eu mais amo na vida. O mais engraçado é ver o foco dele antes das provas, com seu tamanho parece gente grande.”
Além das competições de natação, a família também aborda outros assuntos que vão além da rotina e das responsabilidades.
“Conversamos sempre, não só sobre a natação, mas tudo que envolve ter bons resultados, como a alimentação, disciplina, respeito e a nossa cabeça. Sempre estamos acompanhando notícias, resultados e falando de estratégias”, detalha o pai, que observa a vibração da praia quando Henrique participa das competições de natação..
E a grandeza dos obstáculos não é um impeditivo, pelo menos para os objetivos de Beatriz. “Meu sonho é conquistar uma medalha olímpica, mas quero subir um degrau de cada vez. Sendo assim, o meu primeiro objetivo é ganhar uma medalha no Mundial Junior de Maratonas Aquáticas”, diz a estudante. A participação só será possível em 2024, por conta da idade.
Quando o assunto é experimentar novas possibilidades, a adolescente aproveita para deixar um recado: “Não tenham medo de errar. Eu nunca imaginava disputar uma prova em mar aberto, me inscrevi de última hora na minha primeira maratona e encontrei a minha paixão”.