Não é qualquer lugar do país que tem uma universidade no nível da Federal de Santa Catarina. A UFSC chegou gigante às suas mais de seis décadas de atuação. Sua reputação foi sustentada ao longo dos anos pela ampla oferta de cursos de qualidade, pesquisas de forte impacto, corpo docente qualificado, grande estrutura, alcance no interior do Estado e fora do país e excelência na formação de seus egressos.
UFSC tem passado glorioso e histórico de má gestão – Foto: Anderson Coelho/Arquivo NDA história destoa do cenário atual, no qual a flagrante deterioração de fachadas rasgadas por sulcos e fendas, cobertas por pichações e rodeadas de mato são a porta de entrada para um ambiente no qual estudantes convivem com a estagnação no conhecimento.
No seu entorno maior, constituído pela sociedade catarinense, persiste a esperança de que a universidade volte a orgulhar nosso Estado. Afinal, a UFSC ostenta a façanha de entrelaçar carreiras notáveis em áreas bastante distintas.
SeguirDali saíram expoentes de áreas tão distintas, como por exemplo o ex-governador e ex-senador Luiz Henrique da Silveira, a renomada jornalista internacional Sônia Bridi, o CEO da maior cervejaria do mundo, Michel Doukeris, e a premiada cientista Elisa Orth.
Todos frequentaram as salas da UFSC. A lista de egressos notáveis é tão vasta quanto a admiração pelos que saíram de seus corredores para levar o nome da instituição a um patamar altivo.
Foi da universidade que saíram uma série de soluções e descobertas ímpares. O sistema eleitoral brasileiro, destaque mundial pela inovação do formato eletrônico, começou com as urnas eletrônicas desenvolvidas e testadas na UFSC.
A informação de que o novo coronavírus já estava no Brasil antes mesmo do primeiro caso publicizado na China veio de pesquisadoras da UFSC, ao acharem partículas do SARS-CoV-2 em amostras de 2019 no esgoto de Florianópolis.
Sem contar a lista de descobertas que entraram para a história do conhecimento, desde uma estrela rara e mais velha que o sol até a menor orquídea identificada até hoje no mundo.
A UFSC EM NÚMEROS
- 5 campi
- 2.495 docentes 3.129 técnicos-administrativos em educação
- 1.190 alunos da educação básica
- 30 mil matriculados na educação superior
- 120 cursos de graduação (107 presenciais e 13 a distância)
- 8 mil estudantes nos cursos stricto sensu
- 65 mestrados acadêmicos e 21 profissionais
- 56 doutorados
- 2 mil estudantes nos cursos lato sensu
- 7 especializações
Fonte: Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI 2020-2024)
Pesquisa:
– Mais de 620 grupos de pesquisa, reunindo professores, técnicos e estudantes
– Cerca de 2,7 mil projetos
– Milhares de publicações em revistas científicas
Extensão:
– 21,8 mil iniciativas com impacto direto na sociedade
Internacionalização:
– 349 convênios com 38 países em todos os continentes
Fonte: UFSC
Alguns notáveis da UFSC:
Luiz Henrique da Silveira (in memoriam)
Vilson Kleinübing (in memoriam)
Esperidião Amin (senador)
Sonia Bridi (jornalista)
Ela Wiecko (jurista)
Alexandre Hohl (médico)
Fernando Marcondes de Mattos (fundador e presidente do Costão do Santinho)
Patrimônio construído ao longo de seis décadas, com bilhões de reais em investimentos públicos. – Foto: Anderson Coelho/Arquivo NDMais de 40 mil pessoas
A UFSC é maior do que 90% dos municípios de Santa Catarina. São mais de 40 mil pessoas circulando diariamente em seus diversos campi, entre estudantes, professores, servidores e comunidade envolvida com suas atividades de extensão.
Sua estrutura também é de causar inveja a muitos prefeitos: entre os prédios, ruas e praças da UFSC, tem hospital, farmácia, restaurante, igreja, museu, centro esportivo, centro de eventos e serviço próprio de vigilância que funciona como uma espécie de guarda municipal.
Um patrimônio construído ao longo de seis décadas, com bilhões de reais em investimentos públicos e a missão de serem empregados para “popularizar a ciência, estimular a reflexão crítica e colaborar com a promoção da qualidade de vida e da formação de recursos humanos, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento político, econômico, social, cultural, desportivo, científico e tecnológico do Estado e do país”, nas palavras da própria universidade.
Maior biblioteca pública do Estado
No departamento de Botânica, campus de Florianópolis, ainda dá para voltar às origens da UFSC. É que ele funciona em um casarão erguido em 1930, provavelmente para abrigar alguma família da então Fazenda Modelo Assis Brasil.
É praticamente a única coisa que resta da fazenda, então construída pelo governo estadual, onde foi erguido um dos maiores campus universitários do país.
São mais 20 milhões de metros quadrados que atualmente abrigam 11 centros de ensino e, entre outros destaques de infraestrutura, a maior biblioteca pública de Santa Catarina.
Foi o professor e desembargador Henrique Fontes quem esteve à frente das negociações da área e da elaboração do projeto do campus, que já à época contemplava espaço completo para as atividades de uma universidade.
A então “Universidade de Santa Catarina” foi criada pela sanção da lei federal 3.849, em dezembro de 1960, incorporando a designação “federal” cinco anos depois.
Para formá-la foram agrupadas sete faculdades existentes à época na Capital: direito (1932), ciências econômicas (1943), odontologia (1946), farmácia e bioquímica (1946), filosofia (1952), medicina (1957) e serviço social (1958), além da Escola de Engenharia Industrial, criada para atender os requisitos necessários à formação de uma universidade. O primeiro reitor da UFSC foi João David Ferreira Lima, a partir de 1961.
Universidade ainda tem boa pontuação em rankings
Em rankings de performance universitária em nível mundial, a UFSC é destaque dentro e fora do Brasil, posicionando-se entre as 10 melhores federais brasileiras, as 25 melhores da América Latina e Caribe e uma das 100 mil melhores do mundo.
Essas classificações costumam levar em conta dados de anos anteriores, ainda sendo necessário algum tempo para que o efeito da maneira como a universidade reagiu à pandemia se expresse nos índices.
Um deles, o QS Universities Ranking, elaborado pela consultoria britânica QS, avalia os níveis de reputação acadêmica, reputação de empregador, relação docente/estudante, citações, índice de professores internacionais e índice de estudantes internacionais. Apesar de estar em queda desde 2014, a pontuação da UFSC ainda a mantém em seleto grupo.
Entre as universidades latino-americanas, outro ranking da QS posiciona a UFSC entre as 25 melhores, na 23ª posição, entre um total de 416 instituições avaliadas.
No World University Rankings, elaborado pela também britânica Times Higher Education, ligada à revista Times, a catarinense alcançou a 11ª posição entre as latino-americanas, a oitava entre as melhores universidades do país e a quinta entre as federais brasileiras.
O índice alcançado, de 4,08 em um máximo de 5, confere grau de excelência. Na última avaliação do Sistema Nacional de Pós-Graduação, dos 56 programas avaliados pela Capes, 17 alcançaram as notas mais altas e 62,5% deles obtiveram nota igual ou superior a 5.
Além disso, tem cientistas da UFSC entre os melhores do mundo. São 33 integrantes do seleto grupo dos 100 mil mais influentes da atualidade, em lista elaborada pela universidade americana de Stanford.
O impacto das escolhas da universidade durante a pandemia nessas avaliações de desempenho virá nas próximas edições desses rankings e será determinante para avaliar o caminho escolhido pela UFSC durante a pandemia.