Ficar entretido com as aventuras de um personagem e se perder nas vivências dos colegas é apenas um dos benefícios da leitura. A adrenalina em cada frase e a vontade de conhecer o novo também motivam as descobertas, pelo menos para os grupos da professora de português Sandra Musshauser, da Escola Municipal Vereador Arinor Vogelsanger.
O projeto visa instigar a curiosidade dos alunos, incentivando a leitura – Foto: Renata Bomfim/Divulgação/its TeensPor lá, as turmas do sexto ao nono ano em que leciona são incentivadas a participar do projeto “Leitura compartilhada”, que tem o objetivo de fortalecer a proximidade com os livros, além de expor para a classe aquilo que é possível aprender com cada publicação.
O foco é proporcionar uma formação crítica e participativa, levando em consideração a melhora no rendimento escolar, a interação entre os colegas e o valor da imaginação.
SeguirO projeto já faz parte do ano letivo, compartilhando a cada trimestre aquilo que cada um aprende com as publicações que foram escolhidas, mas neste ano os alunos receberam um novo desafio: transformar a leitura em algo visual para aqueles que não escolheram a mesma obra, mas que desejam compreender a trajetória contada.
Chamada de “Colmeia literária”, a inspiração veio daquilo que é produzido pelas abelhas, mas com um novo intuito: incluir em cada quadradinho palavras e frases capazes de instigar a curiosidade.
“Eles tiveram que montar o favo de acordo com o livro que leram e que apresentaram para os colegas. No meio eu falei para eles desenharem a capa, colocar o nome do livro, autor e no restante do favo escolheram as frases que eles mais gostaram”, explica a educadora.
Com 335 colmeias expostas, o momento foi ideal para compartilhar experiências, ainda mais para aqueles que mantêm o hábito da leitura, como Ewelyn Silva Keller, que desenvolveu a habilidade quando pequena.
“Meu pai vivia comprando gibi e, depois de um tempo, comecei a procurar livros mais grossos, daí fui me apaixonando, fiz o cadastro aqui na biblioteca. Quando vi já estava viciada em ler livros”, comenta a estudante.
A situação se repetiu com Ana Júlia Medeiros Cruz, que agora é fã de romances. “Comecei a ler livros pequenos e quando percebi não conseguia mais parar. Comecei aumentando a quantidade de livros que eu lia por mês, e quando percebi estava apaixonada por leitura”, completa a adolescente.
Para Arthur Alexandre Martins, a proximidade com os livros é uma forma de melhorar a compreensão daquilo que é visto em sala de aula.
“Às vezes, na matemática, usamos a interpretação para algum problema, e nas outras matérias como quando vamos ler um texto. Quando estudamos, às vezes não lembramos a explicação, mas lendo aquilo e tendo uma boa compreensão, uma boa leitura, conseguimos lembrar de tudo e tirar uma boa nota nas provas”, diz o aluno, que compartilha com Ewelyn e Ana Júlia o hábito de ler, pelo menos, um livro por mês.
Mesmo que muitos acreditem no poder da leitura apenas na Língua Portuguesa, é fato que a interação no ato de compreender e compartilhar com o outro oferece benefícios que vão além da sala de aula.
“A leitura compartilhada trabalha a timidez deles. Eu, que trabalho do sexto ao nono ano, vejo quando eles iniciam, todos tímidos, morrendo de vergonha, porque eu dou opção deles apresentarem no fundo da sala. E vejo eles no oitavo, nono, a evolução é muito grande […] Então é uma realização, trabalha toda a autoestima, a timidez deles, aquele medo de falar em público”, conclui Sandra.