Mãe de autista denuncia falta de professor auxiliar em CEI de Joinville

A mãe relata que desde o começo do ano letivo, a filha não tem acompanhamento de um professor auxiliar especializado

Redação ND Joinville

Receba as principais notícias no WhatsApp

Uma situação está preocupando a mãe de uma criança com autismo em Joinville, Norte de Santa Catarina. Falta professor auxiliar no CEI onde a criança está matriculada, um problema que pode comprometer o aprendizado da menina. O problema dessa mãe, pode ser também o que muitas famílias estão enfrentando na maior cidade do Estado.

Mãe da pequena LunaMãe está lutando para que a filha tem um professor auxiliar – Foto: Reprodução Balanço Geral/Thiago Bonin/NDTV

Aos 9 meses, Luna foi diagnosticada com transtorno do espectro autista nível moderado à severo, com muitas terapias e apoio dos pais, ela teve um bom desenvolvimento. Mas mesmo hoje, aos 5 anos, ela precisa de suporte para interagir socialmente e de auxílio integral para atividades básicas do dia a dia, como se alimentar e ir ao banheiro.

Essas necessidades se estendem também no ambiente escolar, segundo Vanessa, no ano passado ela conseguiu aprovação para que o Cei Mário Avancini onde Luna é matriculada, no bairro Iririú, zona Leste de Joinville, tenha um professor auxiliar especializado para acompanhar a filha, porém, desde o início do ano letivo isso não acontece.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Vanessa diz que, segundo a secretaria de educação de Joinville, o município carece de profissionais para ocupar o cargo de auxiliar em sala de aula e, quando consegue, a pessoa desiste antes mesmo de começar, um problema que se arrasta já faz três meses.

“Eu não quero que a Luna vá para a escola para simplesmente ela ficar lá brincando, se for assim ela fica em casa. Quero que ela vá para interagir, brincar com outras crianças. Isso que a Luna precisa, é isso que é o fraco dela, a interação social. Por isso estou lutando tanto para essa auxiliar, quanto antes. Porque não adianta lá na metade do ano vim uma auxiliar, tem que ser desde agora”, relata Vanessa Keli Pereira Alves, mãe de Luna.

A lei n.º 12.764/2012 que institui a política nacional de proteção dos direitos da pessoa com transtorno do espectro autista prevê o direito a acompanhante especializado para alunos autistas em classes comuns de ensino regular em caso de comprovada necessidade, comprovação que Vanessa tem em mãos.

A infância é a fase onde o indivíduo tem mais facilidade de aprender por conta da neuroplasticidade, sendo a capacidade do cérebro de se transformar, de mudar, em resposta aos estímulos aos quais a criança é submetida.

A psicóloga Ana Carolina Wolff Mota, explica que o autismo é uma condição que afeta a capacidade da criança de se organizar em relação ao ambiente, desde interpretar informações, compreender as intenções das pessoas e ter motivação para as tarefas e atividades, por isso, um professor auxiliar é indispensável no processo de aprendizagem.

Psicóloga fala sobre a falta de profissionalPsicóloga alerta sobre os riscos que crianças autistas correm em não ter apoio nas escolas – Foto: Reprodução Balanço Geral/Thiago Bonin/NDTV

“Como nós temos tessas dificuldades da criança, ela precisaria de um suporte humano, que vá mediar essa relação dela com o ambiente, seja garantindo um foco para aquilo que é mais relevante, seja organizando o ambiente para ela estar um pouco mais confortável. A criança com autismo depende muito desse nível de suporte e a gente precisa de mediadores para fazer isso”, conclui a psicóloga.

Ela alerta ainda sobre os riscos que crianças autistas correm em não ter esse apoio nas escolas.

“ A gente tem riscos grandes dessa criança não ter oportunidade de aprendizagem bem aproveitados. Riscos dessa criança se desorganizar no ambiente e criar uma situação aversiva com aquele contexto e com a escola com aprendizagem. Um risco muito grande a médio e longo prazo é que as pessoas não consigam lidar com ela. Como ela não está sendo aproveitada no seu melhor potencial, as pessoas também não sabem que ela é capaz.”

Para a mãe de Luna, esse é um mundo novo, mas ela está lutando.

“Eu to lutando, tudo o que a Luna tem direito que sei que eu possa fazer algo a mais estou fazendo”, concluiu Vanessa.

Enquanto a matéria era veiculada no programa Balanço Geral, alguns pais enviaram mensagens através do whatsapp, relatando o mesmo problema enfrentado pela Vanessa.

Sobre a falta de professor auxiliar, a Secretaria da Educação de Joinville informa que o pedido de contratação para professor auxiliar para esta criança já foi realizado.

Enquanto isso, a equipe gestora da unidade organiza-se para suprir esta falta, realizando o suporte necessário à criança.

*Com informações de Tábata Porti, repórter da NDTV Record Joinville

Tópicos relacionados