Porções reduzidas, retirada de alimentos do cardápio e pouca variedade: essas são algumas das reclamações feitas ao ND+ por mães de crianças matriculadas no NEIM Orisvaldina Silva, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, sobre o café da manhã servido na instituição.
Queda na qualidade da refeição atinge em especial o café da manhã, contam as mães – Foto: Reprodução/NDO NEIM Orisvaldina Silva recebe crianças de até quatro anos de idade. A instituição serve ao todo duas refeições: o café da manhã, posto na mesa logo após a entrada dos pequenos às 8h; e o almoço, servido por volta das 12h. Já no turno da tarde, as crianças recebem um lanche após a entrada, às 13h, e jantar, antes da saída, que é às 18h.
Os pais são informados do cardápio por meio da agenda entregue pela creche, onde constam também informações do cotidiano da criança.
Seguir‘Meu filho começou a perder peso’
Dentre as mudanças percebidas pelas mães em relação ao café da manhã servido em 2022 estão a redução ou retirada de alimentos como pão, bolo caseiro, sucos de frutas e queijo. No último dia 27, uma segunda-feira, a primeira refeição consistia em apenas um copo de vitamina de banana, relata a farmacêutica Nadja Preto.
Ela percebeu que tinha algo diferente na escola com a mudança no humor do pequeno de dois anos, matriculado há mais de um ano na creche. “Ele sempre falava animado da alimentação. De repente não comentava mais nada e começou a perder peso. Começamos a ficar preocupadas porque mudou muito o cardápio. Teve muitos cortes”, conta.
“Tem refeição na qual é servido apenas uma fruta, como uma maçã, e um pouco leite em pó. Outras têm só um copinho de vitamina, sem pão e queijo. Aumentaram os pedidos de comida de casa”, relata Nadja. Devido à rotina corrida da mãe, ela conta com a refeição servida na creche. “Muitas vezes ele não quer ir pra escola”, desabafa.
“Vemos também que o pouco que está no cardápio do café da manhã não é servido. Um dia desses fiquei observando meu filho tomar café. Era ovo mexido com mamão. [A merendeira] servia um pouco para cada criança. Tinha criança que pedia mais e não tinha. Só tinha mamão. Achei estranho”, lembra.
‘Minha filha parou de comer’
A filha de Nathaliê Santos Rodrigues, de dois anos, passou a rejeitar completamente a alimentação após as mudanças aplicadas neste ano. Além do aspecto nutricional, ela defende que o cardápio também esteja alinhado com o gosto as crianças.
“Ano passado forneciam merenda diferente, com pãozinho, queijo, manteiga… Hoje mudou bastante. A minha filha que tinha o costume de comer tudo no café da manhã, não come mais neste período”, detalha Rodrigues.
O que diz a prefeitura
Segundo a prefeitura, o cardápio servido nas crecheas do município é elaborado por nutricionistas do Departamento de Alimentação Escolar. Nutricionistas terceirizadas visitam semanalmente as escolas, acompanham as cozinheiras, contam estoques e solicitam os alimentos.
A Secretaria Municipal de Educação sustenta que não houve redução ou alteração no que é servido. A pasta afirma que o cardápio segue as resoluções PNAE (Programa Nacional Alimentação Escolar), do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), Do Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos e as orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Conforme a prefeitura de Florianópolis, parte das mudanças constatadas pelas mães decorrem de problemas técnicos ou licitações em andamento. Outra parte consiste em adaptações às diretrizes nacionais que regem a alimentação infantil.
A falta de queijo na escola ocorre porque o alimento está sendo comprado pela Prefeitura de Florianópolis. Já as preparações assadas, como bolo, foram suspendidas “pois o forno da unidade estava com problemas (a unidade já recebeu um fogão novo com forno) e já voltou a realizar as preparações assadas como o bolo”.
De acordo com Secretaria Municipal de Educação, as diretrizes nacionais que incidem sobre a merenda impedem “alimentos ultraprocessados e a adição de açúcar, mel e adoçante nas preparações culinárias e bebidas para as crianças até três anos de idade”. Por conta disso, a instituição não serve mais pão.
“O lanche da manhã das crianças menores de 3 anos é baseado em frutas que são importantes fontes de fibras, vitaminas e minerais essenciais para o adequado crescimento e desenvolvimento das crianças. Os pães estão indicados no cardápio para os grupos 4 a 6 (maiores de 3 anos de idade)”, informou a pasta.