Indignado com o fato de a greve do Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis) afetar, também, os serviços de educação em Florianópolis, o prefeito Gean Loureiro (DEM) disse que a prefeitura sempre cumpriu o piso do magistério – um dos principais motivos apontados pelos grevistas para a paralisação.
Na escola Adotiva Liberado Valentim aula normal para os estudantes – Foto: Diorgenes Pandini/Especial para o ND“Nesse mês, já vamos pagar o reajuste do piso. Greve política, partidária e sem motivo, que prejudica a cidade”, disparou Gean. Entretanto, a greve deflagrada na quarta-feira (9) não atingiu a creche da pequena Maria Flor na quinta-feira (10).
Ela estava pulando de alegria quando chegou, na quinta à tarde, no Neim (Núcleo de Educação Infantil Municipal) Diamantina Bertolina da Conceição, que fica no Rio Tavares, Sul da Ilha. Apenas uma professora da unidade, que tem mais de 30 profissionais, aderiu à greve e a unidade está em pleno funcionamento.
SeguirPai de Maria Flor, o empresário Pedro da Silveira, 44 anos, foi quem a levou para a creche. Ele estava com receio de que a pequena ficasse sem atendimento. “De manhã, eu até entrei em contato para saber se ia ter ou não [aula]. Para a gente que trabalha e precisa que os filhos estudem, foi ótimo que estão trabalhando”, relatou Pedro.
A pequena Maria Flor estava só ansiedade, segundo o pai, para voltar às aulas – Foto: Diorgenes Pandini/Especial para o NDO casal Juliana Godoy e Fabio Martin, que mora no Porto da Lagoa, tem o pequeno Zack, de 4 anos. Para alívio deles também, a creche não parou. O casal, entretanto, disse que é favorável ao movimento dos trabalhadores.
“Parece que, em março, já vão acatar as reivindicações, mas, ao mesmo tempo, fico feliz de ter essa sorte de essa unidade não aderir à greve”, comentou Fabio.
Diretora da creche, Marilete Laura, disse que o grupo dialogou na quinta-feira pela manhã e que vai analisar o movimento de greve.
“A princípio, até hoje [sexta-feira], nosso atendimento fica normal e mesmo que haja uma greve pelo nosso grupo, sempre respeitamos as famílias. Retornaremos à unidade e informaremos”, garantiu a diretora.
Segundo ela, a creche atende mais de 120 crianças e as famílias estão preocupadas com a possibilidade de greve na unidade.
Juliana e Fabio também conseguiram deixar o pequeno Zack na creche – Foto: Diorgenes Pandini/Especial para o ND“Acreditamos na luta, porém, não é oportuna no momento. A maioria das pessoas que estão aqui estiveram na luta o ano passado, mas foi muito desgastante e estão com medo de iniciar uma nova greve. As famílias sofreram muito com a pandemia e a greve do ano passado. A educação está muito defasada para iniciar novamente um ano com greve”, disse Joseânia Nunes, servidora do administrativo da creche.
Segundo ela, o Neim Diamantina é uma das creches que não adere 100% a greves e que, em dez anos, nunca fechou.
Só uma creche e uma escola não abriram as portas
Segundo a Prefeitura de Florianópolis, 79 creches funcionaram normalmente na quinta e três parcialmente: Neim Francisca Idalina Lopes, no Morro das Pedras, e Neim Chico Mendes, Monte Cristo.
O Neim Diamantina Bertolina da Conceição, do Rio Tavares, aparecia na lista da prefeitura como a terceira com funcionamento parcial, mas a reportagem constatou que a unidade não aderiu ao movimento grevista.
No controle da prefeitura, somente uma creche está sem funcionamento, o Neim Canto da Lagoa, no Canto da Lagoa. Por outro lado, a reportagem constatou que outra creche no Rio Tavares, o Neim Maria Nair da Silva, aderiu ao movimento.
A prefeitura também informou que 33 escolas estavam funcionando normalmente na quinta. Entre elas, a EBM (Escola Básica Municipal) Adotiva Liberato Valentim, na Costeira. A unidade foi visitada pela reportagem e o diretor confirmou que está em pleno funcionamento. Na secretaria, alguns pais estavam matriculando seus filhos.
Três escolas estavam funcionando parcialmente na quinta, conforme levantamento da prefeitura. São elas: EBM Osvaldo Galupo, no Morro do Horácio, EBM Osvaldo Machado, em Ponta das Canas, e EBM Tapera, na Tapera. A EBM Brigadeiro Eduardo Gomes, no Campeche, é a única escola sem funcionamento.
Sem saber se haveria aula, Pedro ligou para escola a fim de confirmar – Foto: Pedro da Diorgenes Pandini/Especial para o NDa SilveiraJá num balanço sobre como os serviços de saúde foram afetados, a prefeitura também registrou a baixa adesão dos grevistas. Dos 49 postos de saúde, 30 estavam funcionando parcialmente na quinta, 17 totalmente e dois não informaram.
O levantamento também mostra que o atendimento nas UPAs e policlínicas foi mantido, assim como o Lamuf (Laboratório Municipal) e o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) municipal.