Anunciada na última sexta-feira (6), a greve dos servidores municipais de Itajaí começou na manhã desta segunda-feira (9), com 1.120 profissionais aderindo à paralização, além de manifestação em frente a prefeitura. O principal pedido é o reajuste salarial.
De acordo com o presidente do SindiFoz (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais da Região da Foz do Rio Itajaí), serviços essenciais não foram impactados.
Mais de 1 mil servidores municipais aderiram à greve – Foto: Elias Gotaski/NDTVNa educação infantil, cerca de 7 das 67 unidades estão sem atendimento. No ensino fundamental, nenhuma unidade parou 100%, ou seja, nenhuma escola chegou a ficar sem aula, mas algumas turmas ficaram sem aulas pois o professor aderiu a greve.
SeguirNa Escola Maria Nilza Ferreira Evaristo -do bairro Espinheirinhos- nenhum servidor aderiu ao movimento. A prefeitura ainda não tem o número exato de professores que aderiram à greve.
Algumas turmas da educação fundamental e infantil ficaram sem aulas – Foto: Elias Gotaski/NDTVPara o presidente do sindicato, Francisco Eduardo Johannsen, deve ser mantido o mínimo de funcionários necessários para operação dos serviços essenciais. A prefeitura apura se algum setor da saúde foi afetado por conta da greve.
Serviços essenciais
Os serviços essenciais inclui, conforme a lei nº 7.783, de 1989, o tratamento e abastecimento de água, e captação e tratamento de esgoto, que em Itajaí é um serviço municipalizado, pelo Semasa (Serviço Municipal de Água, Saneamento Básico e Infraestrutura); e assistência médica e hospitalar, no caso dos postos de saúde, CIS (Centro Integrado de Saúde) e UPA (Unidade de Pronto Atendimento).
O transporte coletivo também não sofre alteração, já que em Itajaí o serviço é feito pela empresa Transpiedade. A coleta de lixo também não deve ser impactada, por ser feita pela empresa Ambiental.
Outros serviços municipais considerados não essenciais, conforme a legislação, podem sofrer alterações.
Greve
Nesta segunda, os servidores que aderiram à paralisação se reuniram em frente à prefeitura de Itajaí. O pedido é para que o município conceda a reposição da inflação. O índice IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de maio de 2019 a abril de 2021, conforme a data-base, é de 9,32%.
Profissionais que aderiram à greve fizeram paralização em frente à prefeitura de Itajaí – Foto: Elias Gotaski/NDTVSegundo o Sindifoz, os servidores estão há dois anos sem o reajuste salarial. As negociações do sindicato com a prefeitura acontecem desde março.
Na última terça-feira (27), a Vara da Fazenda Pública de Itajaí concedeu uma liminar para o sindicato determinando que o município de Itajaí conceda a revisão geral anual dos servidores municipais ativos e inativos.
O que diz o município
A prefeitura de Itajaí se manifestou por nota. Segundo o texto, o município está impossibilitado de conceder o reajuste. “O impedimento é decorrente da Lei Complementar Federal nº 173/2020, que estabelece o Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus e proíbe que seja concedida a revisão salarial até 31 de dezembro de 2021”, afirma a nota, com informações da Procuradoria-Geral.
“A Lei Federal veda aumentos salariais, inclusive a concessão da Revisão Geral Anual, que é a reposição da inflação”, alega a prefeitura. “O próprio TCE/SC (Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina) também já emitiu decisão, em maio de 2021, contrária à concessão da revisão neste período pandêmico”, inclui.
Além da impossibilidade legal de conceder a Revisão Geral Anual dos servidores neste momento, o Município de Itajaí vem direcionando grande parte de seus recursos financeiros e orçamentários para a Secretaria de Saúde, em ações de combate à pandemia de coronavírus, com gastos extraordinários bastante superiores aos previstos no orçamento para o período.
“Nos causa estranheza o anúncio do Sindifoz de uma greve para o dia 9 de agosto, quando temos até o dia 17 deste mês para responder à Justiça local. Além disso, devemos obedecer a Lei Federal e, por isso, não podemos conceder a revisão geral anual aos servidores neste momento”, explica Gaspar Laus, procurador-geral do Município.
“O Município de Itajaí informa ainda que não irá se eximir de conceder a devida Revisão Geral Anual aos servidores públicos, assim que for legalmente possível, e que está aberto ao diálogo com o sindicato da categoria. Por fim, reforça que seguimos em período de pandemia e que os servidores públicos municipais são essenciais para bem atender a população itajaiense”, conclui a nota.