Um padre de Sombrio, no Sul catarinense, gerou polêmica após dizer em uma missa, que todos os estudantes do IFC (Instituto Federal Catarinense), são “ateus convictos”. O comentário aconteceu no dia 10, mas o assunto só veio à tona na segunda-feira (18), quando a instituição divulgou uma nota de repúdio.
Pároco ainda disse que os professores estariam induzindo o ateísmo – Foto: Freepik/Reprodução/NDO líder religioso da Paróquia São João Paulo II disse que, para tirar Deus da vida de um jovem, basta matriculá-lo no IFC. “Quantas famílias da nossa paróquia estão sofrendo? Os filhos eram coroinhas, catequistas, iam para as missas, mas foram pro Instituto Federal e viraram ateus”.
Posteriormente, ele afirmou que os professores do instituto estariam propagando o ateísmo. Toda a missa foi transmitida em uma live no Facebook.
Seguir“Eles estão propagando o ateísmo a torto e a direito, tirando Deus da vida das nossas crianças. E sabe qual é o resultado disso? A morte, porque nunca na história da humanidade os jovens atentaram contra sua vida como agora.”, concluiu.
Nota do IFC
Em um texto divulgado na segunda-feira (19), o IFC declarou repúdio. “Mesmo compreendendo o absurdo disparate de tais declarações, entendemos que devemos manifestar nosso repúdio diante delas, uma vez que somos uma instituição que baseia todas as suas ações na disseminação do conhecimento e da Educação”.
Depois, o instituto destacou que sua missão oficial é “Proporcionar educação profissional atuando em ensino, pesquisa e extensão comprometidos com a formação cidadã, a inclusão social e o desenvolvimento regional”.
Ainda no texto foi destacada a importância do Estado laico. “A Constituição Federal assegura a liberdade religiosa, o respeito e a proteção às diversas crenças e também a separação entre Estado e Igreja — conceitos diametralmente opostos a qualquer tipo de preconceito religioso ou pregação anti-religião”.
Por fim, a comunidade de Sombrio foi convidada a conhecer de pertos as iniciativas da instituição, afirmando que “atitudes como a do supracitado pároco jamais abalarão nossa dedicação à educação de qualidade e à formação cidadã de nossos estudantes, seja qual for o seu credo religioso”.
‘Ateus convictos’, diz padre
Como a fala aconteceu durante uma live, o momento ficou registrado. A redação tentou contato com a diocese da paróquia, mas até a publicação da matéria, não obteve resposta. O espaço segue aberto.
Nota de solidariedade
No final da tarde desta quarta-feira (20), a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) divulgou uma nota prestando solidariedade ao IFC. O texto destacou que as “acusações são injustas e descabidas”.
“A fala do padre transcende a crítica e reforça os preconceitos contra as instituições públicas de educação do país. As alegações do pároco são demonstrações claras de falta de conhecimento sobre a missão e as atividades das instituições educacionais”, escreveu.
Em seguida, a universidade ainda apontou que o comentário polêmico serve para criar animosidades. “Nesses ambientes, existe acolhimento e respeito às diversas convicções religiosas dos estudantes, assim como ocorre com as convicções políticas. Propagar acusações como essas só serve para criar animosidades e perturbar o ambiente escolar, que é o melhor caminho para a emancipação de milhares de jovens”, concluiu.