Thalia Tainá, autônoma, tem dois filhos, um menino de 5 anos e uma menina de 7 anos que estudam na mesma escola em Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina. Mas desde que as aulas começaram na rede pública, no início de fevereiro, ela tem encarado um transtorno diário com a ida e a volta das crianças para os estudos. Isto porque quem mora até 2 km da escola não tem mais direito ao ônibus escolar.
Agora, por conta de uma alteração feita pela Prefeitura, só aluno que mora a mais de 2 km da escola tem direito a ir de ônibus escolar. – Foto: Reprodução vídeo NDTVSem acesso ao transporte escolar, os filhos precisam ir a pé, o que tem preocupado a mãe. E ela não é a única que reclama disso. Um levantamento feito por moradores apontou que mais de 70 famílias, em diferentes bairros, passam pela mesma situação.
E o problema com o transporte escolar foi motivo de protesto nesta segunda-feira, dia 22, na cidade. Com faixas e cartazes, pais e alunos se reuniram em frente à Escola Euclides Emídio da Silva, na região da Barra do Saí, para cobrar o transporte escolar.
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Protesto por transporte – Foto: Reprodução vídeo NDTVJúlia da Silva, dona de casa, tem uma filha de seis anos, que não tem condições de andar 2 km para chegar à escola. Ela está preocupada e clama pelo ônibus, lembrando que este problema tem atingido outras comunidades da cidade.
A equipe de reportagem da NDTV Joinville fez o mesmo trajeto. Com o veículo, leva cerca de 5 minutos, mas os 2 km, que parecem tão pouco, cansam e muito para quem percorre tudo isso a pé e duas vezes por dia.
Outra moradora que está revoltada é Rosana Banks Cordeiro. Ela tem três filhos e dois netos que estudam na escola. O mais novo tem apenas 6 anos. Ela contou que um dia a filha chegou a desmaiou por causa do sol.
A mudança
Em uma resolução de 2020, a Prefeitura de Itapoá alterou o serviço de transporte escolar no município. Isso porque o número de ônibus seria insuficiente para suprir a demanda de alunos da rede pública municipal.
Com isso, os ônibus passaram a atender apenas as crianças que moram a mais 2 km da escola. Durante os últimos dois anos de pandemia, com aulas remotas, o problema não foi sentido, mas agora com o retorno das aulas presenciais a situação ficou complicada.
O caso foi levado para o Ministério Público e os pais exigem uma solução.
O que diz a Prefeitura
Por meio de nota, a Prefeitura de Itapoá justificou a mudança realizada no transporte escolar. Disse que, em apenas 5 anos, o número de estudantes saltou de 3,6 mil para 5 mil e que ficou difícil de atender a demanda com apenas nove ônibus disponíveis para o transporte.
O município afirmou, ainda, que as alterações no serviço foram realizadas com base em diretrizes do governo federal, que determinam critérios para identificar estudantes a serem beneficiados. Um desses critérios é a distância até a escola.
*Com informações de Maikon Costa, repórter da NDTV Record Joinville