Scheila Fernando Coutinho tem 29 anos de magistério. Ela é diretora da escola Vitor Miguel de Souza, que fica em rua homônima no Itacorubi, em Florianópolis. Está na função desde 2019, quando aceitou o desafio de ser diretora e foi eleita pela comunidade escolar.
Na entrada, alunos precisam higienizar as mãos para evitar a contaminação pela Covid-19 – Foto: Leo Munhoz/ND“Tenho um carinho muito grande por esse espaço. É bem difícil para todo mundo, a pandemia veio e mudou nossos planos. Mudou tudo”, lamenta a diretora.
A diretora conta que não conseguiu tirar projetos da gaveta em função da pandemia. Ontem, Scheila estava na unidade, com os professores que não aderiram à greve em Florianópolis e os poucos alunos do ensino presencial.
SeguirSegundo ela, quase 90% dos 380 alunos da unidade escolheram o ensino remoto. Scheila não é contrária ao movimento de greve dos colegas, mas escolheu não entrar neste momento. Na próxima quinta-feira (29), às 10h, uma sessão do TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) vai definir se o movimento grevista é legal ou não.
No ambiente da sala de aula, alunos e professores devem usar máscara – Foto: Leo Munhoz/NDO Movimento Floripa Sustentável, que tem assento no Conselho Municipal de Educação, é contrário à greve. A presidente da entidade, Zena Becker, declarou: “enquanto a rede estadual, todos os municípios do estado e a rede privada estão em aula, por que as nossas crianças têm que ficar fora da sala de aula?” Zena fez um apelo para que a Justiça, o sindicato e a sociedade se unam para uma decisão melhor para as crianças.
Adaptações em meio à pandemia
A escola Vitor Miguel de Souza tem alunos do ensino fundamental, do 1º ao 9º ano, e do ensino infantil. As adaptações da pandemia de Covid-19 começam na entrada, onde a Dona Marisa tira a temperatura dos alunos e eles higienizam as mãos.
“A educação infantil faz um caminho, alunos do Ensino Fundamental fazem outro e a escadaria é o acesso de quem faz o ensino remoto e precisa retirar apostilas e materiais impressos”, conta a diretora, apontando para três entradas diferentes.
“Fomos lendo as portarias e fazendo a medição do espaçamento, um trabalho interno. Nessa estrutura, caberiam dez crianças em atendimento presencial, respeitando 1,5m”, conta a diretora dentro de uma sala de aula.
Salas de aula funcionam com distanciamento e recebendo somente parte dos alunos – Foto: Leo Munhoz/NDUma linha azul separa também o espaço dos professores e alunos. “Hoje, estamos atendendo seis crianças”. A pandemia e a greve esvaziaram as salas de aula: “três crianças em uma sala, duas na outra. No matutino a mesma coisa”, ressalta Scheila.
Ontem, uma professora do terceiro ano estava na escola cumprindo horário, mas nenhum aluno foi estudar. “Os pais têm liberdade. Nós estamos oferecendo atendimento, com a máxima segurança possível, dentro da nossa realidade”, garante a diretora.
Quem precisa acessar livros na biblioteca tem que acionar a bibliotecária. O livro é entregue ao aluno que, por enquanto, não pode vasculhar sozinho nas prateleiras. Áreas grandes, como o ginásio de esportes e o auditório estão fechados.
“O refeitório também não está sendo usado. A merenda é servida na sala. Quando as crianças que optaram pelo presencial voltarem, vamos fazer um remanejamento de horário para o lanche, para que todos possam usar o refeitório, garantindo o distanciamento”, explica.
Sala para alunos com suspeita
Quando um aluno chega à escola com algum sintoma da Covid-19, como febre, a escola recomenda que os responsáveis leve a criança para unidades de saúde. No entanto, se o sintoma surge na aula, a unidade do Itacorubi possui uma sala de isolamento para as crianças.
Sala de isolamento para alunos com suspeita de Covid-19 – Foto: Leo Munhoz/ND“Isso é para quando a criança apresenta dor de cabeça durante a aula. Se ela já tem a queixa no início, vai pra casa, não pode entrar. Mas, se durante a aula, a criança apresentar algum sintoma, fica na sala de isolamento”, explica Scheila.
No ponto de vista da diretora, a situação é muito difícil. Ela conta que tinha intenção de estabelecer um vínculo maior com a comunidade quando iniciou sua gestão, mas não pode ir além do Whatsapp agora.
Diretora do ensino fundamental fala sobre as adaptações
Raquel Valduga Schöninger é diretora de educação fundamental da Secretaria de Educação de Florianópolis. Ela conta que a organização para o atendimento das crianças durante a pandemia começou ainda em 2020.
“Construímos e colocamos o portal educacional da rede municipal de ensino de Florianópolis no ar. Tem várias abas destinadas à discussão dos componentes curriculares, toda organização das nossas políticas públicas”, conta a Raquel.
Segundo ela, todas as unidades educativas do ensino fundamental possuem a sua página no portal, com a organização das aulas por ano, turma e por componente curricular.
No início de 2021, foi feita a orientação dos diretores e as formações voltadas para os protocolos de saúde e as legislações vigentes, com relação ao enfrentamento da pandemia.
“Organizamos, também, formações voltadas para saúde emocional e mental dos professores, tanto com psiquiatra do município, quanto com psicóloga, tudo no portal”, ressalta.
Ela destaca as especificações da Portaria nº 983/2020, criada em conjunto pelas secretarias estaduais de saúde e educação. O documento tem os protocolos que as escolas precisam seguir.
Espaço para retirada de apostilas dos alunos do ensino remoto – Foto: Leo Munhoz/NDSegundo Raquel, a Secretaria Municipal de Educação está visitando as unidades para conferir os protocolos e os EPIs (equipamentos de proteção individual) obrigatórios na portaria foram entregues. As escolas de Florianópolis estão cheias de adesivos, cartazes e banners explicando a necessidade da higienização, do distanciamento social e dos cuidados da pandemia.
“Organizamos tudo para conseguir oferecer aos nossos estudantes as condições necessárias a partir dos protocolos de saúde”, afirma Raquel.
Quando acabar a greve dos professores, a escola Vitor Miguel de Souza, no Itacorubi, e as demais unidades da rede municipal de Florianópolis estarão totalmente preparadas para receber os estudantes que desejam voltar para a sala de aula. Basta que as famílias assinem um termo escolhendo: ensino totalmente remoto, em casa; ou híbrido, uma semana online, outra semana na escola.