“É desesperador pensar que quatro anos de dedicação podem não ter valido de nada”. Esse foi o desabafo de uma ex-aluna turma de odontologia da Unip (Universidade Paulista) Marquês que descobriu após se formar que o curso não é reconhecido pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura).
Sem o reconhecimento do MEC, os integrantes da turma não conseguem ter registro no CRO (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo) e sem esse registro, eles são impedidos de trabalhar na área e não são reconhecidos como profissionais. As informações são do R7.
MEC confirmou a aluno que curso não era reconhecido – Foto: Reprodução /NDA instituição alega à reportagem que foi credenciada pelo MEC em 1988 e “possui autonomia didático-científica para criar os próprios cursos (Art. 53, da Lei de Diretrizes e Bases, LDB)”. Eles afirmam, ainda, que toda a documentação foi enviada, tanto ao MEC quanto ao CRO e ao CFO (Conselho Federal de Odontologia).
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Conversa de aluno com MEC que confirmou sobre não reconhecimento do curso – Foto: ReproduçãoMesmo assim, os alunos buscam, desde janeiro, pelo registro que permite que eles consigam trabalho, mas não impedidos. De acordo com o MEC, a Unip do campus Marquês “ainda está em processo de reconhecimento”, que não foi finalizado.
Depois de quatro anos estudando em período integral, a turma se formou no fim de 2022, acreditando que já em 2023 poderia começar a exercer a profissão. Desde então, os ex-alunos começaram a preparar os documentos para pedir o registro no CRO, o que tem sido negado por essa situação com o MEC.
Sem o reconhecimento no ministério, a faculdade não poderia aplicar o curso, explicou o advogado Rafael Fiuza.
“A faculdade sabia que a gente precisava disso para trabalhar. Passamos quatro anos de muita ansiedade, sonhamos com esse momento, nos dedicamos. Foi um descaso com a nossa vida, dinheiro, sonho e esforço”, revelou a formanda.
Oportunidades de emprego perdidas
Outra aluna, também entrevistada pela reportagem, disse ter sentido revolta após perder duas oportunidades de emprego na área. “Na primeira, eu falei com o dono da clínica, tentei explicar toda a situação com a faculdade, mas ele não quis nem me ouvir, foi claro e rápido nas palavras: ‘Não aceito ninguém sem o CRO'”, conta.
A segunda oportunidade perdida, revelou a jovem, “estava mais certa”. A vaga era na clínica que atende os pais dela há anos e a empresa precisava de um dentista imediatamente para preencher um dos horários.
“Eu fui ao consultório e o dentista foi mais atencioso comigo, pediu para eu tentar outras maneiras de conseguir, falar com o CFO, talvez tentar pegar um provisório. Eu fui atrás disso com o conselho, mas eles disseram que não tinha jeito e tinha que aguardar a validação”, disse. “Mesmo que ele quisesse me contratar naquele momento, era arriscado ter alguém trabalhando sem o registro para exercer a profissão”, completou.