Polícia prende mais de 2 mil manifestantes em universidades dos EUA nos protestos pró-Palestina

Uma ação policial usou bomba de gás lacrimogêneo e balas de borracha para expulsar estudantes que protestavam na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, na madrugada de quinta-feira (2)

Foto de Beatriz Rohde

Beatriz Rohde Florianópolis

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Uma onda de protestos pró-Palestina tomou as universidades dos Estados Unidos. Na quinta-feira (2), o total de manifestantes presos pela polícia nos campi ultrapassou 2 mil, de acordo com a Associated Press.

Polícia prende manifestantes em universidade da CalifórniaApós confronto entre manifestantes pró-Israel e pró-Palestina, uma ação policial usou equipamento de choque contra estudantes da UCLA – Foto: Reprodução/Reuters

Na madrugada de quinta-feira, a polícia da Califórnia usou balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os estudantes e professores acampados na UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles).

A instituição foi palco de um confronto violento entre manifestantes pró-Palestina e pró-Israel na quarta-feira (1º). A direção da UCLA, em consequência, suspendeu as aulas.

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Segundo a polícia, centenas de estudantes foram presos após se recusarem a deixar o local. A faculdade, no entanto, não é a única a protagonizar os protestos.

Estudantes se manifestam a favor da Palestina em universidadesEstudantes e professores exigem que as universidades se desliguem de empresas que financiam o governo de Israel – Foto: Reprodução/AFP

As manifestações contra a ofensiva de Israel na Faixa de Gaza começaram em 18 de abril em todo o país. Os jovens pedem o cessar-fogo imediato e exigem que as instituições se desliguem de empresas que apoiam o governo israelense.

Quais universidades participam dos protestos?

A Universidade de Columbia, em Nova York, é considerada o epicentro da mobilização. Os alunos montaram um acampamento no início de abril e ocuparam o Hamilton Hall, um dos prédios da instituição.

Polícia de Nova York entra em prédio da Universidade de ColumbiaA polícia de Nova York expulsou estudantes que ocupavam um prédio histórico da Universidade de Columbia – Foto: Reprodução/AFP

A polícia estadunidense usou equipamento de choque para entrar no campus na noite de terça-feira (30) e expulsar os manifestantes. Um ônibus levou os estudantes detidos.

Outras faculdades renomadas da Ivy League participam do movimento, como Harvard, Yale, Brown, Universidade da Pensilvânia, Princeton e Cornell.

Estudantes se manifestam em universidades dos Estados UnidosAlém da Universidade de Columbia, outras renomadas instituições da Ivy League são palco de protestos – Foto: Reprodução/AFP

As forças de segurança também interferiram na Emory University, City College de Nova York, Universidade de Winsconsin, Universidade do Texas, Universidade da Carolina do Norte e na Florida State University.

O dia 30 de abril registrou o maior número de prisões em um único dia em todo o país desde o início do movimento, com quase 400 detenções.

Um vídeo mostra a ação policial de quinta-feira na Universidade de Portland, que resultou na prisão de 30 pessoas. As autoridades entraram na biblioteca onde os estudantes estavam barricados desde segunda-feira (29).

Também na quinta-feira, o presidente Joe Biden comentou a situação durante uma coletiva na Casa Branca. “Há o direito de protestar, mas não o direito de causar o caos”, repreendeu.

Mesmo diante da pressão, o presidente declarou que não vai reconsiderar sua política no Oriente Médio.

“Destruir propriedades não é um protesto pacífico. É contra a lei. Vandalismo, invasão de propriedade, quebra de janelas, fechamento de campi, forçando o cancelamento de aulas e formaturas, nada disso é um protesto pacífico”, defendeu Joe Biden.