Eles são minoria, buscam direitos básicos e lutam para serem respeitados. Os mutantes da Marvel, como conhecemos na franquia X-Men, trazem diversos paralelos com o nosso mundo contemporâneo.
O preconceito que os mutantes sofrem por causa de seus poderes é uma analogia à intolerância que minorias enfrentam no mundo real – Foto: Divulgação/its TeensMesmo sendo superdotados, resultado da mutação que carregam no gene X, essas pessoas com habilidades variadas precisam lidar com o preconceito de parte da sociedade.
Alguns querem esse grupo registrado e exposto, outros desejam ver os mutantes encarcerados – ou pior – apenas por serem “diferentes”.
SeguirMas mesmo que existam aqueles que os temem, há grandes apoiadores que estão prontos para erguer a mão, entendê-los e ajudá-los nessas batalhas, que muitas vezes são mais dolorosas que enfrentar os vilões Magneto ou Apocalipse.
Que tal refletir sobre intolerância com essa franquia, a começar por “X-Men – O Filme”, de 2000?
Preconceito linguístico
“Que Horas Ela Volta?” (2015, 12 anos)
Na produção “Que horas ela volta?”, as protagonistas sofrem preconceito por causa de seu sotaque nordestino – Foto: Divulgação/its TeensUm tipo de preconceito que não é tão discutido, mas merece atenção, é o linguístico. E é o que presenciamos no longa-metragem brasileiro “Que horas ela volta?”, escolhido para representar o Brasil no Oscar de 2016.
Na trama, Val (Regina Casé) e sua filha, Jéssica, são pernambucanas e moram na casa de uma família paulista, onde a protagonista trabalha como empregada doméstica.
Quem disse que existe apenas uma forma correta de falar a nossa língua e que as regras da gramática devem reinar em todos os contextos?
O filme realça como as variações fazem parte da pluralidade do português e que é preciso aceitar a amplitude da nossa língua, respeitando as peculiaridades e expressões de cada grupo e região.
Racismo e sexismo
“Estrelas Além do Tempo” (2016, 10 anos)
O filme se passa no auge da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, mostrando o preconceito que mulheres negras sofriam na época – Foto: Divulgação/its TeensHoje as conversas sobre a luta por oportunidades mais justas para mulheres no mercado de trabalho correm a todo vapor. As coisas não eram bem assim, no entanto, nos anos 1960, quando o cenário era mais complicado e o sexismo não era discutido.
Há muito a melhorar, mas o fato de hoje debatermos com amplitude sobre a desigualdade de oportunidades e salários vivenciada pelas mulheres, bem como os impactos da misoginia, traz mais esperança.
Um bom exemplo que destaca três figuras femininas brilhantes é o filme “Estrelas além do tempo”. Além de enfrentarem obstáculos profissionalmente a mais só por serem mulheres no ramo da tecnologia, três cientistas ainda lidam com o racismo institucional.
Baseado em uma história real, o longa traz os bastidores do programa espacial da Nasa.
Etarismo
“Um Senhor Estagiário” (2015, 10 anos)
A produção hollywoodiana mostra que diferentes gerações tem muito a aprender umas com as outras, mas para isso é preciso deixar o preconceito de lado – Foto: Divulgação/its TeensÉ bem comum ouvirmos que devemos respeitar os mais velhos. É necessário, no entanto, entender a amplitude desse dever.
Criar estereótipos, agir com preconceito ou discriminar pessoas com base na idade delas é o que define o etarismo. Isso inclui comentários maldosos, que diminuem as pessoas idosas ou as fazem soar como incapazes.
Uma boa lição sobre como a idade deve ser respeitada é a comédia “Um senhor estagiário”. Estrelada por Robert De Niro e Anne Hathaway, ela traz os desdobramentos da empreitada de um idoso de 70 anos. Ele decide abandonar a aposentadoria e encontra em uma vaga de estágio a chance de voltar ao mercado de trabalho.
Aí é que vemos algumas das barreiras enfrentadas por uma pessoa idosa – os julgamentos, por exemplo, muitas vezes atenuados –, mas também a riqueza de sua bagagem de conhecimento.
Capacitismo
“Extraordinário” (2017, 10 anos)
No filme é possível ver como o preconceito afeta, não só o alvo direto, mas também sua família – Foto: Divulgação/its TeensA falta de acessibilidade é apenas uma das constantes e necessárias queixas das pessoas com deficiência. Além da invisibilidade em diversos segmentos da sociedade, há também a batalha para conquistar mais espaço e respeito.
Esse último ponto reflete diretamente no que vivencia o protagonista do filme “Extraordinário”. Auggie, um menino de 10 anos que passa a frequentar a escola tradicional pela primeira vez, enfrenta o medo de ser julgado por ter um rosto diferente dos colegas.
O garoto nasceu com uma deformação facial e passou por 27 cirurgias plásticas. Ele acaba optando, então, por um capacete para esconder a face.
É justamente por isso que precisamos enfrentar também o capacitismo, aquela ideia equivocada de que as pessoas com deficiência são menos capazes.
Esse tipo de preconceito também dá as caras com comentários ou atitudes que colocam essas pessoas como heróis da superação simplesmente por lidarem com a deficiência. Por menos capacetes como o de Auggie e mais empatia real.