Sabe aquele mosquito pequeno, com listras brancas e que quase não emite som? Este é o Aedes aegypti, responsável por transmitir uma doença infecciosa que não tem tratamento específico e que pode causar inúmeros danos ao corpo. Basta uma picada para acender o sinal de alerta, observando as mudanças do organismo e o surgimento dos primeiros sintomas, comprovando que a dengue mata.
A dengue mata adultos e crianças em todo o pais, desencadeando sintomas e uma verdadeira pane no organismo – Foto: iStock/divulgação/NDA contaminação ocorre por um vírus que faz parte do grupo dos arbovírus – transmitidos por meio da picada de insetos. O ciclo começa quando alguém está infectado e o Aedes aegypti acaba picando o indivíduo.
Quando existem muitos infectados, cenário dos últimos meses, há mais mosquitos contaminados, aumentando a chance de proliferação da doença.
SeguirDepois que o inseto é infectado, todas as picadas serão acompanhadas do vírus, que pode provocar reações diferentes em cada um, dependendo da idade, do histórico de saúde e da presença de comorbidades, fatores que contribuem com o surgimento dos casos graves – mais uma prova de como a dengue mata.
A contaminação, que é comum nos dias de calor, está em alta desde o início do ano. De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, já foram registrados mais de um milhão de casos prováveis de dengue em todo o país.
E por que a dengue mata? A resposta tem relação com as reações que cada organismo vai ter após o contágio.
“A dengue gera um tipo de desidratação interna, fazendo com que o indivíduo tenha um choque, que a pressão caia a níveis que ela não pode ser detectada”, explica a médica infectologista Carolina Cipriani Ponzi.
Existem quatro sorotipos virais conhecidos como DEN-1,DEN-2, DEN-3 e DEN-4, o que faz com que cada um possa ser contaminado até quatro vezes durante a vida. Porém, só existem dois tipos de dengue: a clássica e a hemorrágica.
“No segundo caso podem acontecer sangramentos importantes no cérebro e nos pulmões, quadros extremamente dramáticos e que podem levar à morte”, conta a médica.
Os sintomas surgem em até sete dias após a picada e incluem febre, enjoos, vômitos, dor de cabeça, dor no fundo dos olhos, manchas vermelhas, cansaço excessivo, dor nas articulações e sangramentos.
Não existe um tratamento específico para a doença e são indicados apenas medicamentos para aliviar os sintomas. O repouso e a hidratação são fundamentais para garantir a recuperação.
O caminho do vírus no organismo
Você já parou para pensar no caminho que o vírus percorre no corpo desde a picada? Quais órgãos podem ser afetados e qual é a resposta do sistema imunológico? Tudo começa com a contaminação da circulação sanguínea e a ativação dos receptores, encarregados de gerar os estímulos do corpo.
O próximo passo é a preparação para eliminar o impostor, acionando os linfócitos, células de defesa que começam a ser produzidas em grande escala quando há uma infecção.
O objetivo é contribuir com o processo inflamatório, matando o adversário.
É fato que o corpo humano conta com diversos sistemas preparados para conter agressões externas – e na luta contra o inimigo, alguns sintomas podem surgir, como febre, dor de cabeça, cansaço, vermelhidão e até mesmo coceira.
Qual é a diferença entre o Aedes aegypti e os demais mosquitos?
Existem diferenças que podem ser observadas, facilitando a detecção e o cuidado. Veja o que diferencia as espécies:
- Aedes aegypti: é menor que o pernilongo e pode ser reconhecido pelos riscos no tórax que formam um desenho parecido com listras brancas – as linhas são encontradas na cabeça e nas pernas. Com asas transparentes, o inseto produz um ruído quase inaudível. Pernas e mãos são os locais com o maior número de picadas do Aedes. O início da manhã e o fim da tarde são horários em que ele está na ativa.
- Mosquito: sabe aquele barulho que incomoda e que quase sempre surge na hora em que vamos dormir? Essa é uma característica do pernilongo, que chama a atenção pelo som audível. Com coloração marrom e circulação ativa na madrugada, costuma se alimentar de néctar e seiva de vegetais.
As fêmeas precisam se alimentar do sangue para desenvolver e maturar os ovos, fator que explica aquela picada dolorosa e irritante.
A dengue mata pode ser letal em muitos casos, dependendo do estado de saúde e tipo de contaminação – Foto: iStock/divulgação/NDSe a dengue mata, como prevenir?
Por mais que a circulação do vírus seja maior no verão, as chuvas constantes e a falta de cuidado com a água parada estão facilitando a proliferação, trazendo à tona a discussão de como a dengue mata.
Capaz de produzir de 600 a 1500 ovos, o inseto é resistente. “A fêmea contaminada pode transmitir o vírus para os ovos, que resistem até 450 dias em ambientes sem contato com água. O Aedes aegypti vive 45 dias e neste período ele pode infectar 300 pessoas”, explica a bióloga, especialista em epidemiologia e professora de ciências naturais Carla Keite Machado.
Nos dias mais frios, após o contato com a água, são necessários 20 dias para nascer um novo mosquito.
No verão o processo é mais rápido e pode ser finalizado em, no máximo, oito dias – a temperatura é um fator primordial para o desenvolvimento das larvas.
Limpar o quintal, eliminar a água parada em plantas, recipientes, piscinas, calhas e ralos, vedar os ralos, saídas de emergência da caixa d’água e limpar os bueiros são algumas das medidas que fazem a diferença, afastando de vez aquele medo de que a dengue mata.
Além de cuidar do seu espaço, incentive os colegas e familiares a fazerem o mesmo!
Existe vacina!
Engana-se quem pensa que não existe um imunizante para a dengue. A vacina Dengxavia, a primeira criada e registrada para conter o Aedes aegypti, está disponível no país e pode ser acessada na rede privada de saúde. O uso é recomendado para quem já foi infectado e tem entre nove e 45 anos.
A alternativa não é indicado para aqueles que ainda não tiveram contato com o vírus, já que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) destacam que as reações causadas pelo medicamento podem ser fortes.
A previsão para o futuro é promissora e o Sistema Único de Saúde (SUS) pode passar a oferecer a própria vacina nos próximos anos.
O imunizante está sendo desenvolvido pelo Instituto Butantã em parceria com Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIADI). O estudo está na fase final, com aplicação em mais de 16 mil pessoas na terceira fase dos testes.
Agora que você já sabe que a dengue mata, o próximo passo é evitar a proliferação e o contágio!