Prevenção na escola: estudantes de Florianópolis participam de simulado

disponível na rede municipal, a intenção do projeto é promover a prevenção no ambiente escolar em situações de emergência

Ana Caroline Arjonas Florianópolis

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Observar os elementos ao redor, conhecer as saídas de emergência e ter na memória o passo a passo em casos de urgência, além de serem medidas de prevenção, são questões primordiais, seja durante o início de um  incêndio ou quando existe a necessidade de evacuar a área.

É na troca de experiência entre profissionais e estudantes que a prevenção é trabalhadaÉ na troca de experiência entre profissionais e estudantes que a prevenção é trabalhada  – Foto: José Somensi/Divulgação/its Teens

Para instigar a prevenção, a Prefeitura Municipal de Florianópolis, por meio da Secretaria Municipal de Educação, incluiu na rotina escolar o projeto Educação Segura.

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Disponível desde 2018, 22 unidades já participaram da ação, que pode ser focada em situações que simulam vazamento de gás de cozinha, enxame de abelhas, ameaça de violência ou incêndio – cenário recriado na EBM (Escola Básica Municipal) Virgílio dos Reis Várzea.

Por lá, mais de 470 estudantes aprenderam o que deve ser feito quando é preciso evacuar o ambiente escolar, priorizando a vida e a organização.

Os mais de 100 profissionais da unidade também puderam acompanhar a simulação de incêndio.

Ao todo, 23 agentes estiveram presentes, incluindo viaturas da Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal de Florianópolis, Polícia Científica, Defesa Civil e Bombeiros.

Antes da sirene tocar, o primeiro passo foi orientar as turmas, explicando como deve ser a ordem na desocupação.

Quando o sinal foi dado, crianças e adolescentes começaram a ir em direção à saída, mesmo momento em que as viaturas chegaram.

O treinamento também retratou os primeiros socorros quando existem feridos.

Prestar os primeiros socorros também é uma forma de prevençãoPrestar os primeiros socorros também é uma forma de prevenção  – Foto: José Somensi/Divulgação/its Teens

Quem participou da encenação foi o estudante Pedro Giaretta Rollet, 11. “Foi legal. Eu me senti privilegiado, porque é como se fosse um destaque”, retrata o menino.

Para a secretária municipal de Educação, Fabrícia Luiz Souza, o foco em todas as capacitações precisa ser a prevenção.

“Fizemos o de incêndio, risco de incêndio, mas pode ter qualquer outro risco e as crianças têm que entender e conhecer como fazemos uma evasão, um abandono com ordem, para que não ocorra nenhum acidente e para que não tenha risco.”

Por mais que os estudantes e professores acompanhem apenas o que é feito na escola, existem preparos e situações que são pensadas com antecedência, tendo como objetivo o aprendizado.

“Os simulados representam uma parte importante da preparação para emergências nas escolas. Eles são antecedidos por uma rigorosa análise de risco, um planejamento meticuloso e a implantação de protocolos de emergência, que neste momento são testados e treinados. Nessa situação conseguimos perceber se há pontos a serem melhorados no plano”, comenta o secretário municipal de Segurança e Ordem Pública, coronel Araújo Gomes.

Para Marcos Aurélio Lima, da Polícia Científica, é preciso mudar a percepção da população, dando notoriedade aos detalhes que fazem a diferença em casos de emergência.

“Até a forma como a gente caminha na rua, sobe ou desce uma escada. Observamos que em outros países que têm essa cultura, isso faz parte da rotina. Então, quando acontece um evento crítico, as pessoas têm um comportamento bem mais interessante, que acaba culminando na maior prevenção”, destaca o profissional.

Além de memorizar o trajeto, o projeto Escola Segura também é uma oportunidade para conhecer aqueles que fazem a ronda na cidade.

“A importância é que as crianças, diretores e colaboradores conheçam como é o atendimento da Polícia Militar, a agilidade, quanto tempo é para chegar uma viatura e o tempo para resposta”, explica o soldado Paulo Índio Aguiar Júnior, do 21º Batalhão.

Mais do que o ambiente escolar, a vivência pode extrapolar a sala de aula, indo ao encontro com outros lugares e pessoas.

“Para que eles sejam multiplicadores desses conceitos em casa, na escolinha de futebol, na igreja, onde seremos o multiplicador da ideia”, finaliza o Chefe da Divisão de Projetos Especiais, Charles Schnorr.

Tocou a sirene. E agora?

A parte mais importante quando se fala em prevenção é saber evacuar um local de forma organizadaA parte mais importante quando se fala em prevenção é saber evacuar um local de forma organizada  – Foto: José Somensi/Divulgação/its Teens

Quando o barulho ecoa, pode ser difícil saber o que fazer. Para manter a calma e auxiliar no processo, é fundamental compreender as etapas da evacuação.

Desde a saída da sala até a chegada ao portão, é vital ter cautela com quem está ao redor.

Para o major do Corpo de Bombeiros Fernando Ireno Vieira, um ponto de atenção é a busca pelo outro.

“Na hora que está sendo realizada a evacuação do prédio numa situação adversa, o que a gente sempre tenta orientar e ensinar é manter sempre um hábito, uma rotina de sair, fugindo do pânico, tentando escapar do pânico, porque se a ação for coordenada, treinada, todo mundo consegue sair coordenadamente e evacuar a identificação, evitando danos maiores”, conta o profissional.

Mas o que acontece quando o chamado é verdadeiro?

Desde a ligação no 193 até o atendimento da ocorrência, a equipe está preparada para atuar em cenários adversos.

Veja alguns passos mencionados pelo major:

  • Coleta de informações (endereço, número de pessoas envolvidas e possíveis causas);
  • Acionamento da equipe que vai atender o chamado;
  • Durante o caminho, as viaturas trocam informações e falam dos procedimentos disponíveis;
  • Mobilização dos demais órgãos de segurança;
  • Avaliação da segurança do espaço;
  • Antes de entrar no local, o primeiro cuidado é com a própria segurança e a vestimenta adequada;
  • Gerenciamento do atendimento e auxílio às vítimas.
  • Após finalizar os procedimentos e minimizar os riscos, a equipe retorna ao quartel, disponível para um novo chamado.

De olho na saída de emergência

Sabe aqueles minutos que antecedem o filme no cinema?

Você já reparou que algumas companhias aproveitam para explicar como o espaço está equipado e o que deve ser feito em casos de abandono?

Por mais que a ilustração prenda a atenção por alguns minutos, a mesma prática deve ser válida para outros ambientes.

Entretanto, com a ausência de uma cultura de prevenção, muitos acabam deixando de lado aquele cuidado com os sinais, mas é em treinamentos como o da EBM Virgílio dos Reis Várzea que a percepção de risco entra em prática.

“Eles começam a se atentar à plaquinha de saída, extintor. Eles começam a ter uma percepção, uma cultura prevencionista mais aguçada. A cultura prevencionista está mais presente no contexto deles”, aponta Charles.

Cultura de prevenção

Para aqueles que possuem um olhar atento, os mínimos detalhes são fundamentais para compreender os riscos e como agir em cada situação.

Ainda que a primeira reação seja sentir medo, um instinto humano, é com cautela e cuidado que as ações devem ser pensadas, priorizando a vida.

O importante é reparar nos ambientes, nas opções de saída e nas iniciativas que devem ser executadas em casos de perigo, pensando também em quem está ao redor.

Além da ação, é preciso colocar a prevenção à frente, simulando cenários e fazendo testes para capacitar a comunidade escolar nas adversidades da rotina.

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