Com a mudança de clima e a possível chegada de um ciclone no Estado, que está em formação na Costa de Santa Catarina, o momento é ideal para refletir sobre os desastres naturais, causados pelas ações dos seres humanos ou por mudanças repentinas na temperatura.
Mais do que a preocupação com o guarda-chuva ou com o agasalho, essa é uma oportunidade para questionar como surgem os desastres naturais, causas e consequências e o impacto da atuação humana na natureza.
Infelizmente, não faltam exemplos de deslizamentos, temporais, chuvas e enchentes que devastaram cidades e prejudicaram dezenas de moradores. Mas como entender a relação entre o meio ambiente, temperatura e a vida em sociedade?
SeguirO que são desastres naturais?
Por mais que o nome apareça em diversas notícias e nos casos em que uma cidade está passando por uma enchente, por exemplo, o termo pode ser aplicado em outras situações.
Isso porque os desastres naturais são caracterizados por diversas manifestações ambientais. “São fenômenos naturais causados por uma tempestade, movimento de massa, ou seja, um deslizamento, mas não tem efeito humano nisso. É um desastre natural, são causas naturais”, explica o meteorologista Piter Scheuer.
Ou seja, os acontecimentos não estão diretamente relacionados com as atuações humanas, mas as consequências podem atingir aqueles que estão ao redor.
Além dos alagamentos, existem outras ações que recebem o nome de desastres naturais. “Pode ser uma geada severa, onda de calor, um temporal violento, uma tempestade severa, tornado, granizo, ventania”, elenca o profissional.
As influências sofridas por Santa Catarina também contribuem com os fenômenos naturais. “Nosso território basicamente é o ponto de encontro (ou confronto melhor dizer) de fluxos de diferentes origens – no quadrante Leste, recebe umidade do mar; no Sul, as frentes frias são as mais importantes; e nos quadrantes Norte e Oeste a umidade vem do setor tropical do Atlântico e da Amazônia”, comenta o professor o LabClima, Laboratório de Climatologia Aplicada da UFSC, Lindberg Júnior.
4 desastres naturais em Santa Catarina
Existem diversos quesitos que contribuem com os desastres naturais. A posição no mapa e a temperatura são critérios fundamentais. “É uma região que está localizada, geograficamente, favorável a ter o fluxo de ar quente e úmido que vem da Floresta Amazônica e a região que tem mais incidência a transição de frentes frias. Então é uma área que de fato tem condições propícias para ter tempo severo, principalmente o Oeste do Estado, uma região que tende a ter tornado, granizo, vendaval, microexplosão. Outras regiões podem ter, mas são mais pontuais. O maior registro sempre será no Oeste”, conta Piter. Confira alguns dos acontecimento mais recentes em Santa Catarina:
Microexplosão
Este é um fenômeno que tem início durante as tempestades, quando as nuvens carregadas começam a surgir no céu. A formação é de ar, água e granizo, que junto de raios e ventos são capazes de destruir construções e arrancar árvores do solo.
Por mais que o tempo de duração seja indefinido, uma coisa é certa: os estragos ficam nítidos — aqui o principal vilão pode ser o vento.
O professor Lindberg Júnior explica como a localização pode influenciar. “Talvez seja interessante considerar que em Santa Catarina, bem como os conjuntos dos Estados da Região Sul, somados com São Paulo e Mato Grosso do Sul, fenômenos do tipo microexplosões e tornados são bem comuns e fazem parte da dinâmica natural. De forma bem sintética, eles ocorrem devido a movimentação por processos convectivos (sistemas de baixa pressão), oriundos da troca e do transporte de calor e água entre superfície e atmosfera. São esses processos que formam as nuvens de chuva”.
Ciclone
Se no primeiro caso o grande causador pode ser o vento, aqui existem dois agentes que podem proporcionar uma combinação perigosa: umidade e calor. O ciclone começa quando há a formação de nuvens, umidade e tempestade.
É a instabilidade a principal responsável por guiar o ar, criando a movimentação que dá início ao desastre natural. Vale destacar que existem ciclones de tamanhos e forças distintas, dependendo da região e dos elementos que intensificam a mudança do clima.
Granizo
Quem nunca ficou olhando pela janela aquela chuva de granizo, pensando em como as pedrinhas podem cair do céu? A resposta da natureza é uma das mais conhecidas, predominante quando o clima começa a mudar de uma hora para outra ou nas baixas temperaturas.
O principal elemento é a solidificação das águas que estão nas nuvens — e a partir deste processo que começam a surgir os blocos de gelo, sendo dispensados quando a nuvem não suporta mais o peso.
Temporais
Seja nos dias de calor ou nos meses de frio, os temporais também fazem parte dos desastres naturais. Caracterizados pelos raios, trovões e um volume alto de chuva, as causas podem ser variadas, incluindo a mudança de tempo ou até mesmo a passagem de algum fenômeno.
Além das gotas, existem casos em que a enchente, alagamento e desmoronamento são algumas das respostas da natureza.
É possível evitar os desastres naturais?
Por mais que controlar as causas seja algo que está fora do controle humano, existem algumas medidas que podem ser adotadas para amenizar as consequências.
“O mais importante é evitar construir em encostas, vales, baixadas e áreas ribeirinhas que já tenham histórico de alagamento, enchentes, principalmente nessas áreas de morros. Então é sempre bom tentar evitar construir nessas área”, lembra Piter.
Além do cuidado com a localização, é importante ter em mente que cada região do Estado e do país convive com fenômenos diferentes e que dependem da época do ano e temperatura.
A alteração constante no clima também contribui com as mudanças e com as reações do meio ambiente. Com o aumento da poluição, lixos nas ruas, moradias irregulares e o desmatamento, os desastres naturais acabam sendo uma consequência de escolhas que foram feitas há anos — mas que impactam a vida no presente.