Capital Nacional da Dança, Joinville é palco de um dos maiores festivais desta arte no mundo e possui a única filial do Teatro Bolshoi fora da Rússia. Os passos dos bailarinos e a melodia das canções cativam todo o município mesmo em fora de época do evento – e em sala de aula não seria diferente.
Reproduzindo passos de dança, os alunos puderam medir os triângulos e polígonos – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação/its TeensInspirada pelos movimentos das coreografias, a professora de matemática da Escola Municipal Valentim João da Rocha, de Joinville, Carolina Aparecida Marcelino Schmitt, propôs uma atividade que unisse o componente curricular com a dança.
“A arte é composta por giros e movimentos marcados por retas, ângulos e circunferências e não poderia deixar de ser uma grande ideia para o desenvolvimento de um projeto de matemática para o oitavo ano do Ensino Fundamental”, comenta a professora.
SeguirAo todo, os 38 alunos da turma participaram da proposta em um período de quatro meses. Os exercícios tinham o objetivo de analisar os giros e as possíveis circunferências presentes na dança e nas roupas dos bailarinos para construir o conhecimento do número Pi – conteúdo essencial que faz parte da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
“Historicamente, o currículo de matemática nessa fase é abstrato e de difícil compreensão pelos alunos, concomitantemente ao período de retorno ao ano letivo de aulas integralmente presenciais após a pandemia do Coronavírus, aumenta a necessidade de tornar a aprendizagem da matemática concreta e facilitar a compreensão”, explica Carolina.
Para desenvolver o projeto, foram realizadas dinâmicas com os alunos. Com os pés nos tornozelos e os braços na cintura, em meio a outros exemplos, é possível mensurar as alturas dos triângulos – os segmentos da reta que une a vértice ao lado oposto formando o ângulo de 90º graus e o ponto central denominado ortocentro -, e a bissetriz – segmento da reta que une o vértice ao lado oposto, dividindo o ângulo e formando o ponto central chamado de incentro -, respectivamente.
“A inter-relação da dança com a matemática nos permitiu, em sala de aula, analisarmos os ângulos presentes nos movimentos das pernas, dos braços e, a partir deles, verificar classificação e medidas”, esclarece a docente.
Em outra parte da atividade, os estudantes, com o auxílio de elásticos presos nas extremidades de seus corpos, criaram uma dança de autoria própria com o intuito de produzirem polígonos. Em seguida, projetaram no espaço as imagens necessárias para calcular os ângulos e examinar as diagonais adquiridas na execução.
Com os resultados obtidos no projeto conseguiram compreender os conteúdos matemáticos presentes da dança e o entendimento de valorização desta arte e da sua importância para Joinville e todo o Brasil. “Os estudantes apreciaram o projeto, e em especial a medição dos triângulos corporais, verificando que nem sempre o corpo humano possui total simetria”, conta a professora.
Para os alunos, o resultado foi positivo. “Desde as aulas realizadas em sala de aula até a apresentação do estande, foi uma nova experiência, me ajudou a vencer alguns medos também, como falar em público, me apresentar e as aulas acabaram sendo de uma forma diferente, aulas mais práticas, o que me ajudou muito a entender os conteúdos”, expressa a estudante Thatyana Alexandre Freitas.