Uma professora da rede pública estadual de ensino de Santa Catarina alega ter sofrido injúria racial no local de trabalho. O caso aconteceu no último 20 de setembro na Escola de Educação Básica Henrique Stodieck, no Centro de Florianópolis. Em nota, a SED (Secretaria Estadual de Educação) diz que está apurando a situação. (Confira a nota completa no fim da matéria).
O relato da professora, registrado em um Boletim de Ocorrência, é de que colegas a teriam chamado de “macaca preta” enquanto ela estava ausente do local. De acordo com ela, a cena teria sido testemunhada por estudantes. No entanto, foi a professora negra a afastada da escola, e não as colegas que teriam proferido a suposta injúria racial. “Até quando isso vai?”, se questiona.
Professora sofre racismo em escola de Florianópolis – Foto: Arquivo/Divulgação/NDEstudantes que teriam presenciado a fala, comunicaram o fato para a outra professora, que ao tomar conhecimento, comunicou a direção da escola. Em entrevista ao portal ND+, a vítima conta que após o fato, ela e os alunos foram até a delegacia para registrar a denúncia.
Seguir“Após ter denunciado na delegacia a situação, voltei na escola para pegar a minha bolsa. E foi lá que os alunos fizeram um protesto contra o racismo”, recorda a educadora, que pediu para não ser identificada.
A professora diz que após o protesto, foi afastada da sala de aula pela direção escolar.
Segundo a docente, o afastamento veio inicialmente por dois dias, mas foi comunicado por e-mail em uma sexta-feira à noite.
“Na segunda-feira seguinte, eu já tinha tudo marcado para um trabalho com os alunos e um grupo de indígenas”, conta.
A profissional diz que viu racismo na medida da direção da escola em relação ao seu caso.
O diretor da escola teria suspendido a professora alegando que teve uma reunião com o Nepre (Núcleo de Política de Educação, Prevenção, Atenção e Atendimento às Violências na Escola) e com as Cres (Coordenadorias Regionais de Educação), e depois, chegado à conclusão.
O Nepre é um núcleo encarregado de implementar a Política de Educação, Prevenção, Atenção e Atendimento às Violências nas escolas públicas estaduais. O programa foca em temas sociais como sexualidade, drogas e violência, visando promover o direito à saúde e à paz.
Na teoria, as ações do grupo buscam prevenir todas as formas de violência contra crianças e adolescentes na escola. Projetos como “Crack é possível vencer” e o Proerd (Programa Escolar de Resistência às Drogas), em parceria com a Polícia Militar, fazem parte das iniciativas do Nepre para combater o uso de drogas e promover um ambiente seguro nas escolas.
Já as CREs são órgãos intermediários entre as secretarias estaduais/municipais de educação e as escolas. Elas têm a função de implementar políticas educacionais, supervisionar o desempenho das escolas, oferecer suporte aos professores, gerenciar recursos e promover a integração com a comunidade local para fortalecer a qualidade da educação em nível regional.
“No entanto, eu perguntei tanto para o Nepre quanto para o Crea que me falaram que não se reuniram com o diretor, e que se eu não tinha um processo administrativo, não tinha porque me suspender”, desabafa.
Questionada, a SED não confirmou se houve ou não a reunião. Mas disse que:
“A SED por meio da Coordenadoria Regional de Florianópolis, informa que está apurando a denúncia feita sobre o fato que aconteceu na EEB Prof. Henrique Stodieck, na Capital. A coordenadoria, em conjunto com a equipe multidisciplinar do Núcleo de Prevenção à Violência nas Escolas (NEPRE), está realizando o acompanhamento da situação junto à comunidade escolar e irá tomar as medidas cabíveis”.
Professora precisou de atestado médico
A professora, após ser afastada, diz que se viu abalada e que precisou pegar atestado por problemas de saúde mental causados pela situação na escola.
Professora diz que se viu obrigada a se afastar da sala de aula para se cuidar – Foto: Agência Brasil/Divulgação/ND“Até quando vou precisar lutar para ser ouvida? Até onde vou precisar andar para provar que sofri racismo? Hoje estou abalada, e sinto falta dos meus alunos”, desabafa.
Depois de afastada inicialmente, a própria professora optou por continuar longe da sala de aula para cuidar de sua saúde mental.
“Eu tive que escolher ou ficar na escola sem saúde mental, ou eu me afastava por meus direitos e a minha dignidade humana”, conta.
Deputado pede explicações
Diante dos fatos, o deputado Fabiano da Luz (PT) questionou a SED (Secretaria Estadual de Educação) sobre o porquê da professora ter sido afastada e pediu esclarecimentos para a pasta.
Segundo a assessoria de imprensa do deputado, entre as respostas exigidas pelo parlamentar está a do que a Secretaria está fazendo para que situações como esta não se repitam e qual foi, de fato, a punição para a professora que teria cometido o ato racista.
O pedido de esclarecimento já foi enviado à SED. Questionada, a SED não disse quando enviará a resposta ao parlamentar.