Pensando na importância do controle emocional e de técnicas que podem impedir a violência contra a mulher, a Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis promove aulas de jiu-jitsu com foco em defesa pessoal para profissionais da rede municipal.
Jiu-jitsu é uma arte marcial japonesa, porém não é só isso que é trabalhado na aula; o foco é a prevenção – Foto: Divulgação/its TeensCom encontros programados até novembro, o objetivo é abordar cenários críticos e o que deve ser feito, levando em consideração a segurança.
Além disso, os profissionais também aprendem a importância de evitar, evadir e enfrentar — evitar é abandonar lugares, evadir em casos de confronto ou discussão e enfrentar apenas quando não há outra opção.
SeguirQuem está à frente das turmas é o professor Joaquim Antônio Gonçalves Neto, conhecido como Quinzinho. Formado em pedagogia e com 14 anos de faixa preta, ele teve a ideia de trazer o jiu-jitsu para a rotina dos professores e estudantes em 2016, dando espaço para práticas pautadas na evolução pedagógica.
“O interesse é o desenvolvimento cognitivo, desenvolvimento motor, disciplina. Então essa é a abordagem que nós fazemos dentro da unidade escolar, além do jiu-jitsu tradicional que nós aplicamos”, comenta o professor.
Mais do que compreender os cenários de perigo, é por meio da prática que o emocional entra em pauta. “Eles podem ter controle emocional para evitar a briga, então aumenta a autoestima, segurança, porque sabem que podem se defender, que têm uma ferramenta a mais, então você estimula a coragem, abandono da covardia”, afirma Joaquim.
A iniciativa está disponível para todos os educadores, mas nos encontros com as mulheres a temática leva em consideração aquilo que pode ser aplicado no dia a dia. “Nós ensinamos técnicas de se livrar de pegadas no braço, de se livrar de aperto de abraço, acinturadas pelas costas para carregar a menina”, elenca o faixa preta.
Outra motivação do encontro é trabalhar com a própria percepção, mostrando que um espaço de luta também pode ser ocupado por elas.
Mais do que apenas jiu-jitsu
O professor de jiu-jitsu, Joaquim, ensina técnicas para mais uma profissional da turma – Foto: Divulgação/its TeensCom turmas compostas por diversas mulheres, este é um ambiente em que aprendem a denunciar os casos de violência e pedir ajuda dos órgãos responsáveis. “Dizemos assim: jiu-jitsu é melhor saber e nunca usar, do que precisar e não saber”, comenta Joaquim, que observa o aumento da presença feminina no Dojo — espaço de treino das artes marciais. A promoção de espaços como esse contribui com a troca de experiências femininas, além de impactar na sensação de pertencimento.
“Existem turmas focadas para essa atenção feminina. É estruturada de acordo com a necessidade, centralizada ou pode ser solicitada para que aconteça em uma unidade específica, para uma demanda específica. Também é oferecido de segunda a quinta-feira, todas as noites na Escola (Básica Municipal) Henrique Veras”, declara o chefe da Divisão de Projetos Especiais, Charles Schnorr.
Por mais que a prática seja destinada ao público feminino, existem encontros com toda a família, compartilhando com os moradores do mesmo lar aprendizados que serão levados para a vida.
“Acredito que, além do empoderamento feminino, desperta a atenção das mulheres, homens e crianças para os riscos que estão ao entorno do nosso contexto escolar, não apenas escola, mas das nossas residências, dos ambientes que convivemos. Além do empoderamento, se envolve a percepção de risco, principalmente isso”, complementa Charles.