“Quem é você?” A pergunta é comum e pode surgir durante a conversa com os amigos, mas a resposta é complexa — e nem sempre está definida. Para ajudar no processo de desenvolvimento e de autoconhecimento infantil e na adolescência, os alunos do Centro de Educação Infantil (CEI) Professora Teresa Campregher Moreira e da Escola Municipal Enfermeira Hilda Anna Krisch, em Joinville, participam de encontros mensais.
Alunos desenvolvem atividades e aprendem sobre o autoconhecimento infantil na prática – Foto: Theo CeccatoA iniciativa partiu da dificuldade em expressar pensamentos, sentimentos e emoções, além do pouco conhecimento sobre a própria identidade. Para mudar a realidade, os alunos começaram a comparecer nas reuniões organizadas de acordo com a fase escolar.
O intuito é oferecer um espaço de reflexão e de pertencimento, buscando o autoconhecimento infantil e na adolescência. Além das conversas, o diferencial está em proporcionar a troca de vivências e a oportunidade de escutar as aflições e insatisfações que surgem nessas idades.
Seguir“Os estudantes gostam de ter um momento de fala em que todos os sentimentos, expressões, ideias e pensamentos são validados”, declara o psicólogo que criou o projeto Theo Ceccato, em parceria com a assistente social Simone Ramos de Oliveira.
A ação acontece em três esferas diferentes: com as crianças do CEI, com os alunos do primeiro ao quinto ano e com os estudantes do sexto ao nono ano — no contraturno escolar. Neste caso, o projeto recebe o nome de “Expressar-te”.
As tarefas são pensadas de acordo com a fase e as necessidades do grupo. Enquanto as crianças do CEI refletem sobre as emoções — medo, vergonha, tristeza, alegria e amor —, os Anos Iniciais falam sobre identidade, grupo e sociedade.
Nos Anos Finais, o foco é entender o significado da identidade, como se reconhecem, dificuldades e o que gostam. Após as falas, o próximo passo é usar o desenho e as palavras.
“É importante a expressão dos sentimentos por meio da arte, é imaginando e criando que o ser humano vai se construindo e tendo contato com o mundo”, conta o profissional. A ideia é expor os trabalhos no fim do ano, em um espaço dentro da escola.
Diversas habilidades são treinadas no projeto, mas o autoconhecimento infantil e na adolescência ainda é o maior ganho.
“Entender e validar os próprios sentimentos, compreender que são protagonistas da própria vida e ter um olhar mais atento ao contexto que estão inseridos. Se isso for constante, vão poder prevenir a ansiedade, depressão e outros transtornos”, destaca o psicólogo.
A ação também se alinha com algo que impactou a vida das crianças e dos jovens nos últimos anos: o isolamento causado pela pandemia.
“Eles passaram muito tempo em casa, sem interagir socialmente, apenas com a família, que em muitos casos não quer ou não tem tempo para conhecer o indivíduo”, explica Theo.
Ainda existem as situações em que a criança ou adolescente tenta expor uma opinião e é repreendido pelos familiares, reação que interfere no cenário atual — com jovens que não querem opinar e nem falar sobre si.
“Eles podem expressar e compartilhar vivências com outras pessoas que por muitas vezes passam pela mesma situação. São encorajados a mostrarem o ponto de vista e os seus sentimentos com os colegas”, esclarece o profissional.
Com as atividades e encontros que promovem o autoconhecimento infantil e na adolescência, os alunos estão mais abertos, com vontade de conhecer e discutir sobre os assuntos.