Explorar os conteúdos da sala de aula com criatividade, inovação e protagonismo está nas competências desenvolvidas por uma educação empreendedora. Muito além de apenas criar um produto ou serviço, aprofundar essa temática ainda no Ensino Fundamental dá autonomia para que alunos ocupem o espaço de protagonistas do seu processo de aprendizagem.
No quinto ano, o estudo de educação empreendedora rendeu criações de conserva chamada conserva “Vó Virgínia”- Foto: Leve Fotografia com PropósitoIsso porque a educação empreendedora é uma ferramenta que está aliada às competências escolares e unir esse conhecimento ao aprendizado de sala de aula, além de dar um salto no modelo de ensino, ainda reforça o quanto uma educação está alinhada com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), já que educação empreendedora está entre as diretrizes.
Novidade na Rede Municipal de Ensino de Joinville, a primeira edição do projeto Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP) – fruto de uma parceria entre a Secretaria de Educação de Joinville e o Sebrae Santa Catarina – desafiou 15 escolas e mais de três mil alunos, do quinto e nono anos do Ensino Fundamental, a desenvolverem suas próprias “microempresas”.
SeguirEntre as unidades participantes, a Escola Municipal Professora Virgínia Soares virou uma feira a céu aberto. Isso porque as turmas de quintos e nonos anos resolveram abrir microempresas no ramo alimentício, com produção de conservas, sucos naturais, empadão, geladinho, brownie, entre outros, sendo os alunos e comunidade escolar os consumidores de toda essa produção.
Mas, para chegar à comercialização do produto final, uma base teórica foi envolvida por trás disso: para saber desde os primeiros passos no segmento e como criar um projeto empreendedor, professores e alunos tiveram acesso a conteúdos oferecidos pelo Sebrae/SC por meio de apostilas e plataforma digital. Organizado por faixa etária, o quinto ano aprendeu sobre comportamentos empreendedores, e a turma de nono ano participou do curso “Meu dinheiro, meu negócio”.
Com a formação, os alunos aprenderam desde a pesquisa de mercado para escolha do produto ou serviço até planejamento, levantamento de custos, desenvolvimento da marca, estratégia de venda e investimento.
Educação empreendedora nos anos iniciais
Com o quinto ano, a horta pedagógica fez parte do projeto de educação empreendedora – Foto: Leve Fotografia com PropósitoCom o desafio de criar um produto a partir da horta, as turmas dos quintos anos da EM Professora Virgínia Soares contaram com investimento da escola e a venda de couve e alface para abrir a microempresa, que leva para as casas das famílias da comunidade a afetividade da conserva “Vó Virgínia”.
Isso porque os alunos mergulharam na biografia da matriarca da escola para conhecer sua história. Além disso, a professora Ieda Maria Vargas dos Santos uniu as disciplinas para que todo o trabalho pudesse ser desenvolvido com multidisciplinaridade. “A gente alinhou isso na matemática, no português. Conversei com a professora de história e geografia”, relembra.
Na criação do projeto, o trabalho está alinhado com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, como observa a diretora, Susana Cercal de Nascimento. “A reutilização dos vidros de conversa, a questão do plantar, colher. A compostagem. O que a gente produz e o que não vai ser utilizado, como destinar corretamente isso…”, lista a diretora.
Com um minimercado exposto com a produção das conservas feitas pelos alunos com apoio das famílias, para chegar ao resultado final, os estudantes passaram por diversas etapas da educação empreendedora. “A gente aprendeu a plantar, a colher, a vender e a se organizar com o dinheiro. A gente aprendeu também que ser empresário e empresária não é fácil”, diz Amanda Máximo Domingo.
Educação empreendedora nos anos finais
Com as turmas do nono ano, o projeto do JEPP veio em um ano importante para os estudantes: a formatura do Ensino Fundamental. Com o objetivo de usar o lucro das vendas para a despedida do último ano na escola, os produtos desenvolvidos pelas equipes uniram facilidade, baixo custo e rentabilidade. O que seria? Comida, claro.
“Na minha ideia, eles precisavam criar algo que as pessoas voltassem para comprar, não um produto que vendesse e ficasse ali mesmo. Eu comentei que comida é algo que a gente vai atrás, acabou e a gente volta pra comprar. Então, eles começaram com essa ideia”, relembra a supervisora dos anos finais, Maíra Cabral e Silva.
A ideia da supervisora deu certo nas vendas das quatro turmas, que precisaram fazer investimento inicial de R$ 5 por aluno para abertura do negócio e, desde a primeira venda, já começou a dar lucro. Com equipes organizadas como nas empresas, cada grupo ficou responsável por um setor: financeiro, compras, produção e venda dos produtos.
Na temática da educação empreendedora, além de conhecer os processos e etapas para desenvolvimento de uma empresa, os estudantes puderam compreender os bastidores de quem tem o seu próprio negócio – e que serviu como aprendizado. “A gente tem que dar mais valor ao dinheiro. Comprar é muito fácil, mas fazer é bem complicado”, conclui Joelma Buhring Hobold.
Educação empreendedora na rede
Além da EM Professora Virgínia Soares, outras unidades da rede também participaram deste projeto piloto com o desenvolvimento de diferentes produtos e serviços.
Abaixo, veja a lista completa das escolas que fizeram parte da primeira edição do projeto Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP).
- EAM Carlos Heins Funke
- EM Anita Garibaldi
- EM Dom Jaime Barros Câmara
- EM Doutor Abdon Baptista
- EM Governador Pedro Ivo Campos
- EM Padre Valente Simioni
- EM Plácido Xavier Vieira
- EM Professora Eladir Skibinski
- EM Professora Lacy Luiza da Cruz Flores
- EM Professora Thereza Mazzolli Hreisemnou
- EM Professor Avelino Marcante
- EM Professora Zulma do Rosário Miranda
- EM Valentim João da Rocha
- EM Prefeito Max Colin