Queda de inscritos no vestibular da UFSC indica desinteresse nos últimos anos

Redução no número de inscritos no vestibular da UFSC já ultrapassa os 40%; semana que marcou a retomada presencial da instituição foi cercada de polêmicas

Foto de Redação ND

Redação ND Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Desde 2018, a redução no número de inscritos no vestibular da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) já ultrapassa 40%. A procura cada vez menor por seus cursos demonstra que a universidade já não desperta nos jovens a mesma aspiração de outros tempos.

Na semana que passou a instituição retomou as aulas presenciais e uma série de questões foram levantadas acerca do atual funcionamento.

Este ano, houve pouco mais de 18 mil inscritos. Dos 102 cursos oferecidos, 48 tiveram mais vagas abertas do que candidatos para preenchê-las. Além disso, outros 21 cursos tiveram concorrência de um a dois candidatos por vaga. Nove cursos tiveram menos de dez candidatos.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir
Entrada da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), – Foto: Henrique Almeida/Agecom/NDEntrada da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), – Foto: Henrique Almeida/Agecom/ND

Os dois menos procurados ficam no campus de Blumenau: lá, engenharia de materiais teve 70 vagas e seis inscritos, enquanto a licenciatura em matemática ofereceu 35 vagas, com apenas três interessados.

Para Luiz Roberto Liza Curi, conselheiro e ex-presidente do CNE (Conselho Nacional de Educação), um dos principais problemas para a sobra de vagas em universidades federais é o currículo engessado e o modelo pouco inovador. “A falta de diversidade, de criatividade, de inovação no processo curricular” contribui para o declínio, segundo Curi.

As consequências econômicas da pandemia também podem ter contribuído para a diminuição da procura, no entendimento do pró-reitor de graduação da UFSC, Daniel Vasconcelos. “Muitos jovens tiveram que passar a trabalhar para contribuir com a renda familiar”. O pró-reitor também acredita que as universidades públicas são alvos de muitas críticas e de perseguição o que, para ele, também impactaria na procura.

Já Curi enxerga um cansaço crescente nos estudantes submetidos a currículos que, muitas vezes, não os aproxima da atuação profissional futura, o que leva os estudantes a abandonar a universidade, geralmente, nos três primeiros semestres. “Uma instituição com alto índice de evasão não retém o aluno por encantamento, atração e interesse. É uma instituição que perde o foco no estudante na formação. Essa mesma instituição, no decorrer dos anos, perde seu poder de convocação”, afirma.

Como é o ingresso na UFSC

Há basicamente duas maneiras de ingressar na UFSC: fazendo o vestibular ou via Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Das cerca de 6,5 mil vagas oferecidas este ano pela universidade, 70% são reservadas para quem faz o vestibular. As outras 30% são destinadas ao Sisu, programa federal no qual, uma vez inscrito, o aluno usa a nota do Enem mais recente para disputar vagas em instituições pelo país.

Das vagas ofertadas no vestibular, 50% são necessariamente destinadas a alunos egressos de escolas públicas. Dentro desse conjunto, há subdivisões reservadas segundo critérios de renda e cor. Para conquistar qualquer vaga no vestibular, o aluno tem que alcançar uma nota mínima de corte, independentemente do sistema de cotas.

Com as aulas, voltam também as greves

Deixar de bater ponto, reduzir a jornada de trabalho sem mexer no salário e receber reajuste de 20%. É o que querem os servidores técnicos administrativos em educação, os Taes, em mais uma greve na UFSC.

Evento da UFSC – Foto: Instagram/Sintufsc/Divulgação/NDEvento da UFSC – Foto: Instagram/Sintufsc/Divulgação/ND

Além dos objetivos descolados da realidade encarada pela maioria dos trabalhadores brasileiros, o momento não poderia ser mais revelador da entropia universitária. A greve foi deflagrada exatamente quando a universidade finalmente volta às atividades presenciais, depois de dois anos praticamente fechada por causa da pandemia.

Na pauta dos grevistas também estão pontos que só podem ser alterados na esfera federal, como a revogação do teto de gastos e o arquivamento da proposta de reforma administrativa no serviço público. Mas por enquanto a greve segue por tempo indeterminado e em atos locais, dentro da UFSC.

Nos últimos dez anos, as greves, de tão recorrentes, passaram a fazer parte do calendário da UFSC. Os serviços foram interrompidos pelos Taes em três anos consecutivos, de 2014 a 2016; em 2019 a greve chegou a 40 dias, provocada pelos estudantes; e agora, uma nova greve dos Taes já marca o início letivo de 2022.

Queda de candidatos nas federais do Sul do país

  • 1 de 3
    Números na UFSC - Gráfico/ND/Divulgação
    Números na UFSC - Gráfico/ND/Divulgação
  • 2 de 3
    Gráfico que mostra a UFRGS - Gráfico/ND/Divulgação
    Gráfico que mostra a UFRGS - Gráfico/ND/Divulgação
  • 3 de 3
    Gráfico mostra o número na UFPR - Gráfico/ND/Divulgação
    Gráfico mostra o número na UFPR - Gráfico/ND/Divulgação

Tópicos relacionados