“Quem aderir à greve terá o código 04. O código de falta injustificada”. A declaração é do secretário da Casa Civil de Florianópolis, Everson Mendes. Ele se referia ao movimento grevista do funcionalismo público da Capital deflagrado na quarta-feira (9).
Greve em Florianópolis também impacta saúde, educação e assistência social – Foto: Reprodução/NDPor motivos diferentes, trabalhadores da Comcap, depois servidores da educação, da saúde, assistência social e outras áreas da Prefeitura de Florianópolis decidiram cruzar os braços e entrar em greve.
Em relação à educação, o Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis) reivindica que a prefeitura pague o Piso Nacional do Magistério.
SeguirQuando a greve ainda não estava confirmada, o secretário de educação, Maurício Fernandes Pereira, criticou a possibilidade. “É um escândalo. Faltam sensibilidade e respeito do sindicato para com a comunidade escolar”, disparou.
Reajuste será concedido no próximo mês
A prefeitura informou, em nota, que está cumprindo, desde janeiro, a regularização do piso e que isso foi acordado com a categoria no final de 2021. Disse, também, que o reajuste será concedido a partir do próximo mês.
A prefeitura alega que os profissionais não estão com nenhum dia de atraso. “Faz cinco dias que foi sancionada a lei do novo piso do magistério. Recebemos a notícia na sexta-feira passada, estamos organizando os cálculos e vendo o impacto”, afirmou Mendes.
Greve da Comcap, que impacta regiões Sul, Leste e Central de Florianópolis, também começou na quarta-feira (9) – Foto: Reprodução/NDOutra pauta dos grevistas é a inclusão dos auxiliares para o quadro do magistério. “Isso é uma discussão técnica administrativa de 20 anos (…) para tentar fundamentar, porque eles [o sindicato] não têm base, foram pegando várias discussões de mesa e colocando ali para fazer uma pauta, dizendo que estão com inúmeros problemas, sendo que não é verdade. Toda a estrutura de educação está pronta para recomeçar e é reconhecida nacionalmente”, defendeu Mendes.
O secretário reiterou que a prefeitura não se negou a negociar, mas que, durante a greve, não vai abrir mesa de negociação. “Eles organizaram as duas assembleias no mesmo dia e depois de dois anos, quando está retornando a aula, as crianças voltando para escola, os pais se organizando, eles fazem a greve só para congestionar”, disse Mendes.
A prefeitura vai avaliar, nesta quinta-feira (10), a adesão da greve e o secretário acredita que terá participação pequena.“Conclamamos, pela imprensa, que os servidores não ouçam, não deem crédito às mentiras que o sindicato está querendo apregoar”, completou o secretário.
Secretário defende negociação com categoria sem necessidade de greve
Sobre a paralisação na saúde, o secretário Everson Mendes disse que Florianópolis tem a melhor gestão da pandemia no Brasil. “Eles foram trazendo pautas como plano de carreira, cancelamento das férias de quem estava atendendo na saúde. São só pautas políticas. Tudo isso pode ser conversado sem precisar deflagrar greve”, declarou.
O secretário disse que, no caso do cancelamento das férias, os servidores compreenderam a necessidade de seguir o serviço. “A maioria entendeu que, naquele momento, era preciso segurar as férias para uma concentração de mão de obra para o atendimento à população para cuidar da cidade”, reforçou.
A prefeitura alega que contratou, somente em janeiro de 2022, mais de 400 servidores temporários de forma emergencial e que muitos foram afastados por contraírem Covid-19, o que impactou equipes de saúde, tanto da linha de frente, quanto de saúde da família.
Também informou que está voltando com a regularização da programação de férias nas próximas semanas e que, se julgar necessário, fará novas contratações.
Vacinação continua nesta quinta-feira (10)
Mesmo com o anúncio de greve, a Prefeitura de Florianópolis informou que o serviço de vacinação contra a Covid-19 programado está mantido. Além disso, segue prevista a chamada “quinta da criança”, iniciativa para promover a vacinação infantil contra o coronavírus.
Realizada pelos servidores de saúde que não aderiram ao movimento, a ação está prevista para começar às 9h, e terá horários de funcionamento até às 19h, uma vez que, entre os pontos espalhados pela Capital, haverá diferença no horário de encerramento.
Além das crianças, que têm ação focada para receber o imunizante, adolescentes e adultos serão vacinados em outros dois pontos da cidade.
Na educação, a prefeitura informa que ainda não é possível saber como será o funcionamento das escolas. As 38 mil crianças e adolescentes matriculados na rede municipal de ensino iniciaram o ano letivo na quarta-feira (9), assim como as 2.050 pessoas que querem completar o estudo fundamental na Eja (Educação de Jovens, Adultos e Idosos).
A Secretaria de Educação informa que os responsáveis pelos estudantes entrem em contato com as escolas para saber se as aulas seguirão de forma normal ou se as atividades serão paralisadas hoje.