Você sabe o que um coelho, uma tartaruga e um pavão podem ensinar? Quais lições podem ser divididas entre humanos e animais? Por mais que a relação entre as espécies seja antiga, há sempre algo novo na convivência, detalhes que passam despercebidos, mas que fazem a diferença no Centro Educacional Professora Maria de Lourdes Couto Cabral – CAIC, em Navegantes.
Crianças desenham pássaros, animal presente na rotina do centro educacional – Foto: Ana Caroline Arjonas/Divulgação/its TeensPor lá, as turmas entenderam que aprender é um processo que extrapola a sala — agora elas estudam no pátio, na presença dos novos amigos.
A ideia de incluir a vida animal na escola começou em 2018, com a chegada da primeira galinha e a construção do galinheiro. Ideia do diretor Valdemir Chagas Santos Júnior, a comunidade animal começou a crescer com os anos, graças, na maioria das vezes, a doações da própria vizinhança.
SeguirA abordagem está alinhada com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), trazendo como objeto de estudo aquilo que faz parte do dia a dia.
Se antes a ideia era apenas do responsável pela unidade, agora todos estão imersos no processo, incluindo a gestora Ana Paula Massiroli Dias, a professora Amanda Felício dos Santos e as monitoras Alexandra dos Santos e Silvana dos Santos.
O objetivo é que os pequenos aprendam por meio da curiosidade e da observação, reconhecendo várias espécies, desenvolvendo respeito, cidadania e proteção, além do cuidado com a natureza.
“Centro educacional: lugar de gente e bicho feliz”
No Centro Educacional Professora Maria de Lourdes Couto Cabral – CAIC, os desenhos são formas de retratar os animais que vivem na unidade – Foto: CAIC/Divulgação/its TeensNessa aproximação entre crianças e animais, uma observadora decidiu usar o relacionamento como ponto de partida. A professora Amanda Felício dos Santos, que acompanha o Jardim A, resolveu criar o projeto “Minha escola é o bicho”, momento em que os pequenos visitam os animais para compreender as curiosidades e costumes de cada integrante do espaço escolar. Com tartaruga, pavão, galinha, coelho, passarinho e ganso, no centro educacional o contato deixa de ser teórico e passa a fazer parte da realidade. “A questão da vivência, deles poderem conviver, de interagirem com esses bichinhos. Não só de longe, mas também de perto”, explica a professora.
Mesmo sem um número fixo de animais, já que muitos chegam por doação, uma coisa é certa: o casal de tartarugas acaba sendo o preferido, responsável por chamar a atenção dos pequenos.
Seja pelo tamanho da unha ou a curiosidade para saber o que tem dentro do casco, o momento de visitar os répteis acompanha os questionamentos e potencializa a proximidade, pelo menos para Helena Rodrigues, Evelyn Silva e Nicollas Abreu.
Mas se engana quem pensa que a turma não se arrisca com outros seres. As calopsitas são novas no centro educacional, mas há quem experimente pegar no colo, entendendo que o bico, por exemplo, é uma parte do corpo que o pássaro usa para agarrar e não cair.
A interação com as espécies não tem um dia marcado. Na verdade, eles estão pela unidade, fazendo parte da rotina. Além daqueles estudados em sala e no pátio, as turmas também observam as borboletas e larvas que surgem no jardim. E o ganho da cidadania só é possível porque eles compreendem que cuidar e respeitar os limites também é uma forma de demonstrar amor.
“Estamos possibilitando e permitindo a formação do conhecimento da criança. Então pode depois pensar, lá na frente, ‘poxa, eu ajudei na construção’, e a gente ajuda mesmo, né? E eles aprendem o tempo todo um com o outro e a gente também. Essa integração, essa troca é maravilhosa.”, finaliza Amanda.