Enzo Schuelter Evangelista tem 15 anos e está no 1º ano do ensino médio. Natural de Florianópolis, é aluno do Colégio Catarinense, escola particular e uma das mais tradicionais da Capital. O adolescente está experimentando as mudanças do novo ensino médio e gostando bastante: “A possibilidade de fazer escolhas é muito boa”, comemora.
Um dos mais tradicionais do Estado, Colégio Catarinense também tem obstáculos a enfrentar para implementar o novo ensino médio – Foto: Acervo/Colégio CatarinenseLogo no 1º semestre do 1º ano, Enzo pode fazer escolhas na sua formação. “Fiz matemática financeira, comunicação e mídias digitais, o propedêutico de matemática e física e, para eletiva, monitoria estudantil externa.”
Enzo está fazendo testes e não definiu uma profissão, mas pensa em algo na área das exatas. “É muito cedo, mas a mudança está me ajudando bastante, porque estou descobrindo interesses que nunca saberia que tinha.”
Enzo estuda no Catarinense desde o 5º ano do fundamental – Foto: Divulgação/NDA dificuldade, para ele, é ter que estudar de manhã e à tarde, o que torna o ensino “um pouco mais puxado, mas vale a pena”. Segundo Enzo, alguns colegas reclamam porque acham mais cansativo, porém, de forma geral, estão gostando das escolhas que fizeram. “Misturar as turmas também é muito bom, porque antes mal tínhamos contato com as outras.”
Para Fernanda Cristina Nunes Orth, 16 anos, também natural de Florianópolis, o novo ensino médio também está aprovado. Aluna do 2º ano, ela destaca as aulas diferentes que foram implementadas.
“Ficou mais dinâmico. Não ficamos só sentados na sala de aula. O único problema é ter aula em dois turnos. Nas segundas e quartas-feiras eu estudo de manhã e à tarde, daí fica mais puxado”, comenta a estudante.
O prédio do Colégio Catarinense em 1939 – Foto: Acervo/Colégio CatarinenseFernanda gosta muito de biologia e pensa em seguir uma profissão próxima dessa área. Mas ela também está aproveitando para testar. “Ano passado, quando tive que escolher para aprofundar, fui para área de ciências da natureza e matemática. Mas esse ano, fiz matérias diferentes, como empreendedorismo, algo que eu sempre achei interessante”, destaca.
A implementação no novo ensino médio no Catarinense
Louisa Farina, 55 anos, está há mais de três décadas trabalhando com educação. Há 25 anos trabalha no CC, onde atualmente é diretora acadêmica. No ensino médio, o Catarinense tem cerca de 800 alunos. Na avaliação de Louisa, no papel, a mudança é benéfica, entretanto, impõe desafios.
“O ensino médio é uma etapa da escolarização que demandava, há muito tempo, soluções de atualização e aproximação ao universo dos alunos e de uma releitura de contexto. São mudanças que, no seu espírito, são bem-vindas, mas temos problemas estruturais basicamente relacionados a políticas públicas e normativas que deixam as escolas bastante inseguras”, argumenta.
Louisa é diretora acadêmica no Catarinense – Foto: Divulgação/NDEntre os exemplos de desafios, a diretora cita que todas as escolas tentam fazer com que os alunos possam desenvolver as máximas qualidades humanas, mas que também existe o compromisso de preparação para as avaliações externas.
“O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) é muito importante, porque abre portas para as universidades e programas de introdução no ensino superior e a matriz de referências do Enem ainda não foi divulgada”, lamenta a educadora.
Louisa considera que as escolas estão um pouco inseguras em relação às avaliações externas, mas lembra que o Catarinense implantou o novo ensino médio antes da obrigação para o Estado.
Antecipação
“Por lei, a implementação era de 2020 para 2021, mas o Estado protelou para 2022 em função da pandemia. Ano passado, na 1ª série, nós já implantamos”, relata Louisa.
A diretora conta que as mudanças foram desenhadas para atender aos alunos naquilo que gostam, estão inseridos e que será uma formação cultural.
“Eles estão adorando. Temos propostas muito diversificadas que, olhando para a formação, estão contribuindo muito. Os itinerários que temos desenhado e as trilhas de aprendizado dialogam muito com a produção cultural para adolescentes e alunos que estão se preparando para entrar no ensino superior e no mercado de trabalho. São abordagens modernas, flexíveis e que fazem a escola ser um celeiro para as novas vocações”, destaca a diretora.
Entre as trilhas de aprendizagem do Catarinense, a diretora cita mídias digitais, finanças, gamificação, programação, energias renováveis e sustentabilidade. Os alunos podem se matricular em quatro por semestre.
Entre as que mais estão fazendo sucesso estão a de empreendedorismo, carreiras criativas e as trilhas de voluntariado. Outra vantagem, na visão da diretora, é que os alunos que não decidiram ainda o que desejam para o futuro têm inúmeras possibilidades para experimentar e escolher uma profissão.