Um levantamento do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR) publicado na quinta-feira (23) mostrou que somente 11% das escolas públicas brasileiras têm acesso à internet com velocidade adequada.
A média é de um equipamento para cada dez estudantes no maior turno escolar – Foto: Thomas Park/UnsplashA pesquisa monitorou 32.379 escolas com mais de 50 estudantes no maior turno. Apenas 3.640 delas tinham internet com velocidade de download de 1 Megabyte por segundo por aluno, recomendada pelo Enec (Estratégia Nacional de Escolas Conectadas) do governo federal.
“As TIC [Tecnologias da Informação e Comunicação] têm se tornado cada vez mais relevantes nas atividades em sala de aula, o que, a reboque, reforça a necessidade de uma conexão à rede apropriada e capaz de atender a todos os estudantes”, enfatiza Paulo Kuester Neto, supervisor de projetos do NIC.br.
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Além das desigualdades regionais, a pesquisa constatou discrepâncias dentro das próprias regiões – Foto: Yeko Photo Studio/NDEntre as 137.208 escolas estaduais e municipais, 89% dispõem de acesso à internet. No entanto, só 62% usam a rede para a aprendizagem e 29% contam com computadores, notebooks ou tablets para acesso pelos alunos.
O estudo ainda destaca que, nas unidades com acesso à rede, a média é de um dispositivo para cada dez estudantes no maior turno escolar. A análise considerou informações do Censo Escolar da Educação Básica 2023, do Inep.
Desigualdade no acesso à internet nas escolas
As regiões Norte e Nordeste têm a menor cobertura de Internet e menor qualidade de conexão. No Norte, 37% das instituições declararam não ter internet para uso geral.
89% das escolas têm internet, mas só 62% usam a rede para a aprendizagem – Foto: Reprodução/UnsplashA distribuição, porém, é desigual: cidades como Manaus e Macapá têm entre 80% e 90% das escolas conectadas, mas os municípios distantes das grandes capitais ficam entre 0 e 40%.
A pesquisa mostrou que 70% das escolas brasileiras na área urbana têm acesso à internet, contra apenas 30% na área rural.
“A análise que fizemos apontou discrepâncias de condições de acesso a recursos digitais pedagógicos em diferentes cenários. O desafio de ampliar o uso de tecnologia em sala de aula não se restringe a garantir conexão, mas em oferecer internet de qualidade e dispositivos suficientes aos estudantes”, afirma Paulo Kuester Neto.
70% das escolas na área urbana possuem acesso à rede, já na área rural são 30% – Foto: FG Trade/iStock/NDA média nacional de velocidade de download por aluno do maior turno é de 0,26 Megabyte por segundo, o que cresceu 37% em relação a 2022.
Os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina se destacam por apresentarem os maiores índices do país, enquanto o Acre, Amazonas e Amapá possuem os menores valores de velocidade.