Vida das abelhas vira objeto de estudo em escola de Joinville

A partir dos estudos de matemática para compreender sobre o formato hexagonal das colmeias, estudantes aprendem com aplicação prática todos os componentes curriculares por meio da relação com o inseto

Renata Bomfim Joinville

Receba as principais notícias no WhatsApp

Para aprender sobre a relação das abelhas com a matemática, a turma do quinto ano da professora Cacieli Moy Braciak Batista, na Escola Municipal Governador Pedro Ivo Campos, tem envolvido, em todos os componentes curriculares, a importância desse inseto como objeto de estudo.

alunos conhecem com é um meliponário, criação de abelhas sem ferrão Alunos conhecem meliponário; próximo etapa do projeto deve ter criações na unidade – Foto: EM Governador Pedro Ivo Campos/Divulgação

Além da formação da colmeia com vários hexágonos, o que se torna um prato cheio para estudo de geometria, pesquisadores apontam que elas também são ótimas na resolução de problemas não numéricos.

O que antes poderia causar medo e aflição, agora é motivo de curiosidade e aprendizado. O projeto multidisciplinar “Do mel à geometria – A sociedade perfeita das abelhas” surgiu justamente com a aparição dela em sala de aula.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Por conta do olhar atento aos interesses dos estudantes, logo a professora resolveu integrar o episódio ao seu planejamento de ensino. “Uma vez, uma aluna viu uma abelha morta na janela e falou para mim: ‘ó, professora, que bom, uma a menos’. E aquilo me deu um clique. Eu preciso fazer alguma coisa para essas crianças, porque a gente não pode pensar isso”, relembra.

Turma do quinto ano estuda a vida das abelhas com envolvimento de todos os componentes curriculares – Foto: Renata BomfimTurma do quinto ano estuda a vida das abelhas com envolvimento de todos os componentes curriculares – Foto: Renata Bomfim

Para tornar o ensino mais efetivo, tomar posse de questões do dia a dia para aplicar os conhecimentos em sala de aula acaba sendo uma forma de aprendizagem muito mais prazerosa, além de prender a atenção e o interesse dos alunos.

“A professora disse que a gente ia aprender matemática, ciências, português, e a gente ficou: ‘como que a gente vai aprender tudo isso em um objeto só que é a abelha’?”, comenta a aluna Emanuele de Oliveira Kuelkamp.

A pergunta não demorou muito para ter uma resposta, que veio dos próprios alunos. “A gente sempre achou que ela só servia para fazer mel, e aí, com os nossos estudos, a gente constatou que não é só pra isso que elas servem”, diz a estudante Sophia Joenck da Silveira. “É uma sociedade perfeita e muito organizada.”

Com todo o conhecimento teórico dos alunos, de acordo com a professora Cacieli, foi possível fazer a comprovação prática: medição de perímetro e área, construções de problemas matemáticos, estudos sobre a importância dos seres vivos e leitura, interpretação de textos envolvendo o projeto, além de programação de jogo educativo dentro da temática desenvolvido no laboratório maker da unidade.

Com o auxílio da professora Patricia Paes Martins Bitencourt, a turma do quinto ano aprendeu sobre programação na prática, desenvolvendo seu próprio jogo com perguntas e questões matemáticas sobre as abelhas.

Para tornar a criação ainda mais divertida, os comandos do teclado foram substituídos por frutas – as mesmas que precisam da abelha para serem polinizadas. “O objetivo (do jogo) era, de acordo com aquilo estudado (em sala de aula), fazer as perguntas e jogar entre eles (alunos) para ver o que cada um aprendeu”, destaca a professora.

Dos estudos à prática: hora de cuidar das abelhas

Se antes a compreensão dos estudantes sobre as abelhas era sinônimo de punição, o cenário está bem diferente – e mudou tanto que o que deveria ficar fora da escola, agora está bem dentro – e com produção de mel e tudo.

O envolvimento dos alunos com o projeto foi tão positivo que o próximo passo é ter meliponários (coleção de abelhas sem ferrão) na escola. Ao todo serão quatro caixas, de três espécies diferentes, que vão ficar sob responsabilidade e cuidados dos próprios estudantes.

Educação financeira em dia

Neste ano, cerca de 3.080 alunos de quinto ao nono ano, de 15 escolas da Rede Pública Municipal de Joinville, estão participando da versão piloto do Programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP).

Eles têm acesso a conteúdos de educação empreendedora do Sebrae/ SC e, a partir dessas lições, estão desenvolvendo produtos para venda e exposição no Dia da Escola Empreendedora, que ocorrerá em outubro.

Com o projeto “Do mel à geometria – A sociedade perfeita das abelhas”, além de todo o conhecimento adquirido pelos alunos, eles também vão aprender sobre educação financeira com a venda de sabonetes aromatizados em formato hexagonal, desde o processo de escolha dos itens para produção até a venda.

Tópicos relacionados