A Educação de Jovens e Adultos (EJA) surgiu como resposta à demanda crescente pelo aprendizado, com oferta de vagas permanente, atendendo pessoas a partir dos 15 anos. Anteriormente, outros projetos foram criados, mas com uma abordagem diferente.
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) atende desde jovens a partir dos 15 anos até idosos – Foto: iStock/Divulgação/NDNesse novo modelo, algumas características fazem da EJA a alternativa para aqueles que, na maioria das vezes, precisam dividir as horas entre trabalho, família e estudos.
Por diversos motivos e circunstâncias, a educação acaba sendo deixada de lado na infância e adolescência, motivando a procura por novas oportunidades na fase adulta — seja para adquirir conhecimento ou atualizar os saberes conquistados.
SeguirPara atender as necessidades e garantir o direito à educação, assegurado pela Constituição Federal, existem regras que instituem a oferta do ensino, incluindo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, instituída em 1996, e a Resolução Nº 02/2010, do Conselho Municipal de Educação de Florianópolis.
EJA em Florianópolis
Por ter uma identidade própria, com autonomia para ser pensada respeitando as singularidades dos estudantes, a EJA da Capital é dividida em dois segmentos: o primeiro é focado na alfabetização, enquanto o segundo possibilita a conclusão do Ensino Fundamental, tendo a leitura e a pesquisa como princípios educativos.
O ponto de partida são as problemáticas levantadas pelos indivíduos, que assumem, junto com os professores, o protagonismo do processo. Além de levantar as problemáticas que serão pesquisadas em sala de aula, os estudantes também são donos do próprio tempo.
“Muitas vezes, para a pessoa ter um emprego, ela precisa estar matriculada e isso pode acontecer a qualquer momento, não tem um período fixo. A qualquer tempo você pode entrar e sair da EJA, porque você constrói a sua trajetória educativa”, explica a coordenadora da EJA na Capital, Sônia Santos Lima de Carvalho.
A carga horária do primeiro segmento é de 800 horas, enquanto a do segundo é de 1600 horas.
Não é segunda chance: é um direito
Com encontros planejados a partir das vivências da turma e experiências pessoais, o foco da EJA de Florianópolis é conectar os componentes curriculares com aquilo que cada estudante já sabe, criando um conhecimento significativo. “A EJA não é recuperação de tempo perdido, não é uma segunda chance. A EJA é direito, uma educação pensada para jovens, adultos e idosos”, conclui Sônia.
Com um tempo de aprendizagem singular e característico para cada estudante, não há uma pressão para terminar os estudos e ingressar no Ensino Médio. O desenvolvimento individual é respeitado e o que vale é atingir os objetivos que foram traçados no momento da matrícula — seja aprender a ler, escrever, emitir a carteira de motorista ou ingressar no mercado de trabalho.
Ler, ouvir, falar e escrever
Quando o assunto é a leitura e a escrita, inúmeros obstáculos podem influenciar no processo educativo. Por isso, as rotinas do primeiro e do segundo segmentos são diferentes. Aqueles que estão no início da trajetória aproveitam as horas para escutar as histórias contadas pelo professor, com a missão de entender e escrever aquilo que foi captado.
Nas turmas do segundo segmento a rotina é um pouco diferente. Com foco nos questionamentos apresentados pelos grupos, ler, escrever, investigar e desdobrar o assunto, indo em busca das respostas, são os desafios da classe. A leitura e a escrita são trabalhadas em conjunto com a pesquisa.
EJA X CEJA
Por mais que as siglas sejam parecidas, existem diferenças no processo educativo. Enquanto a primeira é focada nos aprendizados do Ensino Fundamental, sendo uma obrigação municipal, a segunda é destinada ao Ensino Fundamental e Ensino Médio, mas a responsabilidade passa a ser estadual.
Os termos também podem ser confundidos com o Movimento Brasileiro de Alfabetização, conhecido como Mobral. O método foi utilizado na década de 1970, com o objetivo de diminuir o analfabetismo entre os adultos.
Na época, o ensino era focado apenas na leitura e escrita, sem levar em consideração os conhecimentos adquiridos ao longo da vida, como o modelo atual.