Você sabe usar os porquês?

O uso dos porquês é motivo de muitas dúvidas na língua portuguesa; veja como empregar corretamente essas palavras

Ana Caroline Arjonas Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Seja na produção de uma redação ou em conversas com os amigos, existem diversos termos que causam dúvidas e que podem confundir até os mais experientes. No topo da lista estão os questionamentos com os porquês – conhecidos pelas incertezas e ambiguidades. Mas você sabe quando usar cada uma das alternativas?

Jovem em dúvida sobre o uso dos porquêsO uso dos porquês gera dúvidas, mas existem dicas que facilitam a memorização e a escrita – Foto: iStock/Divulgação

Assim como todas as expressões da nossa língua, o que vai definir o uso da palavra é o sentido da frase, ou seja, a mensagem que você quer transmitir com a fala ou escrita. Este é o norte que deve orientar o uso dos porquês, colocando cada opção em seu devido lugar.

Por que

O “por que”, separado e sem acento, deve ser usado no início das perguntas ou no meio das frases interrogativas indiretas, quando o termo é empregado como pronome relativo.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Para saber se o uso está correto, uma dica é sempre substituir a palavra pelos sinônimos  “pelo qual” e “por qual”.

Na prática, é assim que usa:

Por que as aulas práticas terminam rápido?
Quero saber por que tenho que fazer o dever de casa?
Por que a aula começa cedo?

Porque

Quando usado junto e sem acento, a expressão deve ser empregada nas respostas. Para fazer o teste, troque sempre por “pois”, “para que” ou “uma vez que”.

Na prática, é assim que usa:
Não fui ao parque porque estava doente.
Leve o guarda-chuva porque vai chover. Vou embora porque já terminei a atividade.

Por quê

O “por quê”, separado e com acento, é usado nas perguntas, sempre que a palavra estiver no fim da frase – seja depois da vírgula ou do ponto de interrogação, em casos de pergunta.

Na prática, é assim que usa:

Não foi à escola por quê?
Você não vai brincar? Por quê?
Andar de bicicleta, por quê?

Porquê

A última alternativa, junto e com acento, é uma das que causam mais dúvidas, mas é importante ter em mente que o termo deve ser usado como substantivo, ou seja, quando o objetivo é indicar o “motivo” ou “razão” – sinônimos para fazer o teste.

Na estrutura da frase, o uso surge após um artigo, pronome, adjetivo ou numeral, com o intuito de explicar o que está sendo falado.

Na prática, é assim que usa:

Não sei o porquê de tantas provas e atividades. 
Queria entender o porquê do Pedro não brincar hoje. 
Você pode me explicar o porquê das aulas teóricas?

Simples e fácil

Se você está sempre procurando uma forma fácil de memorizar as regras, esta dica vale ouro. Basta pensar em um assunto, fazer as perguntas, as respostas e entender o uso correto dos porquês. Veja como é fácil:

Por que você gosta de brincar? (pergunta)Brinco porque faz bem à saúde (resposta)Vocês brincam por quê? (fim da frase)Eu sei o porquê da brincadeira (substantivo).

Por que existem tantos porquês?

Seja depois da explicação ou durante a aula, você já percebeu que a língua portuguesa conta com muitas regras e que cada ordem deve ser seguida para manter o sentido das conjunções. Mas como surgiram tantos porquês? Quem criou as regras e como foi feita a classificação?

É difícil cravar o nome de quem organizou os porquês, mas as opções “porque” e “por que” aparecem em registros do século 13. Mas a situação ficou mais complicada a partir de 1931, quando foram criados o “por quê” e o “porquê”. A invenção brasileira foi para dar um sentido diferente ao “que” quando recebe o acento circunflexo.