Hoje é impossível imaginar a vida sem internet, não é mesmo? Praticamente todos os estudantes já nasceram num mundo conectado e esta é uma das bases que movem a sociedade. A ferramenta pauta nossas vidas e passa por mudanças conforme o tempo. É o caso da Web 3.0, uma expressão que entra cada vez mais no vocabulário popular, mas que a maioria não sabe bem o que é.
A Web 3.0 usa como ideia as tecnologias de blockchain para dar liberdade aos usuários – Foto: iStock/Divulgação/its TeensSabemos que é algo que promete revolucionar o mundo online, mas, para entender um pouco mais, é preciso conhecer a importância da rede e suas versões anteriores.
A internet foi essencial para um dos maiores baques que a humanidade sofreu em sua história. Imaginem um mundo sem ela durante a pandemia: o quanto de pessoas a mais teria que se expor ao coronavírus para poder trabalhar, estudar, ter lazer, descansar a mente.
SeguirSeria muito mais difícil manter as pessoas em casa, pois foi por conta do digital que conseguimos nos informar, nos comunicar de forma rápida, saber como os países ao redor do mundo estavam lidando com isso e até se divertir e encontrar risadas em meio a uma situação tão difícil.
Os espaços virtuais podem ser usada em prol das pessoas ou contra (caso das fake news, por exemplo). E justamente por ser uma ferramenta é que ela evolui, se desenvolve e se transforma.
Web 1.0: Um grande mural
De 1991 a 2004, a web era quase como um mural da escola: poucas pessoas podiam pendurar seus recados e avisos, e os usuários apenas liam o que estava exposto lá.
Os sites eram estáticos, serviam praticamente apenas para consulta e, a grande maioria, para leitura (até carregar foto era difícil). Não existia nenhuma rede social de relevância na época e as interações eram mais os sites de bate-papo ou programas de conversa como ICQ e mIRC.
Produzir conteúdo era para poucos, já que existia a necessidade de entender sobre programação ou conhecer alguém que fizesse isso para você, sem contar os custos de ter um lugar para publicar. Era difícil monetizar e, no geral, as pessoas eram apenas consumidoras.
Web 2.0: O corredor da escola e as propagandas da lanchonete
Em 2004 houve a primeira grande mudança de comportamento da internet com a chegada da Web 2.0, pois foi a partir dela que a interatividade virou recorrente. As pessoas passaram a produzir conteúdo, comentar, interagir com diversas possibilidades.
A grande sacada é que agora as pessoas não buscavam apenas conhecimento ou entretenimento, pois as grandes empresas da internet passaram a ter informações nossas. Antes a gente apenas observava, mas, a partir dali, passamos a ser observados também.
Há uma fase clássica que resume – de forma simplista – a grande mudança aqui: “se você não está pagando pelo produto, o produto é você”. Foi a partir da Web 2.0 que os anúncios tomaram conta e a internet passou a ser algo rentável, gerando big techs como Facebook e Google.
Falta de privacidade é uma marca e surge com a desculpa para conteúdos mais personalizados. Forma também as bolhas com conteúdos direcionados para cada um. Se antes éramos apenas consumidores, aqui passamos a ser o produto.
Web 3.0: o que é?
A Web 3.0 surge a partir da falta de privacidade, com a pretensão de nos dar uma solução. Aqui entra a tão famosa blockchain, outra expressão que surgiu recentemente, que é uma ferramenta de segurança, a mesma utilizada pelas criptomoedas.
Diferente de utilizar grandes servidores particulares das megaempresas que armazenam os dados, aqui os dados são compartilhados entre milhares de servidores, formando uma rede mais transparente e democrática.
Não é qualquer um que pode tomar as decisões, pois ainda é necessário conhecimento e recursos para isso, mas na Web 3.0 muitos vão gerenciar os dados das pessoas, além de fazer o acompanhamento e conferência das informações compartilhadas. De forma geral, os usuários serão donos dos conteúdos, não mais as empresas como Google, Facebook, Amazon, etc.
Ainda é difícil ver quais os ganhos reais, mas a base está em integrar cada vez mais pessoas e máquinas nessa equação. A inteligência artificial será amplamente utilizada e desenvolvida com a Web 3.0, já que os dados serão disponibilizados a todos.
Além disso, a imersão vai ser algo presente no mundo digital, como o metaverso está tentando fazer. O design 3D será cada vez mais comum e as interatividades serão mais imersivas, quase como um mundo paralelo.
Cuidados, muitos cuidados
Porém, toda tecnologia que surge tem seus cuidados e, no caso da Web 3.0, ele pode ser gigante. Um deles está justamente nessa imersão, e a criação de um mundo novo pode abrir margem para ferir direitos, como por exemplo, aqueles cobertos pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).
Outro problema é o gerenciamento de conteúdos, como moderação e remoção de publicações violentas e ofensivas, pois tudo é compartilhado entre milhares de computadores e não há garantia de que algo será excluído de todos os servidores.
Há questões também relacionadas às leis e proteções da população, já que é um mundo descentralizado, o que nem sempre é bom. A quem recorrer quando houver violações e crimes? Quem vai conter e punir, na vida real, quem cometer crimes dessa forma? São várias questões que nos levam a pensar como fazer.
Como diria Tio Ben, do Homem Aranha: “Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”, e essa passa a ser uma responsabilidade de todos nós na Web 3.0.