Um concurso para professores e profissionais da educação fundamental em Jaraguá do Sul, Norte de Santa Catarina, pode terminar na Justiça. Após a publicação do resultado da última fase do edital, um grupo de 120 candidatos contesta o resultado da prova psicotécnica.
Segundo o grupo, 71% dos candidatos a coordenador foram declarados inaptos – Foto: Getty Images/iStockphoto/NDSegundo o grupo, 349 de 695 convocados para esta última fase do concurso – a prova psicotécnica – foram considerados inaptos, o que representa uma reprovação de 50,2% do total. Ele reclama que não houve transparência nem definição dos critérios de seleção na prova psicotécnica.
“A sensação é de injustiça e de perplexidade, fica a impressão que boa parte das pessoas não tem aptidão para ser professor. A gente não imaginava que essa subjetividade do edital seria tão danosa”, afirma André Borbély, de 31 anos, analista financeiro e porta-voz do grupo.
SeguirSegundo o André, essa falta de clareza aconteceu tanto no edital quanto na prova. Há relatos de casos de pessoas que prestaram a avaliação psicotécnico e na divulgação do resultado foram classificadas como ausentes.
O grupo também alega que no edital deveria constar detalhadamente os requisitos psicológicos para o desempenho no cargo. E que a falta dessas informações poderia gerar uma insegurança jurídica.
O edital do concurso foi lançado no final de 2019 e, devido a pandemia, apenas no segundo semestre deste ano, foi retomado com a previsão de 215 vagas para profissionais da educação fundamental, como professores, auxiliares e coordenadores.
O processo seletivo prevê a realização de quatro fases no processo de seleção: prova objetiva, prova discursiva, prova de títulos e avaliação psicotécnica.
Todas as fases, com exceção da prova de títulos, são de caráter eliminatório.
O grupo ainda afirma que há candidatos que trabalham na própria prefeitura de Jaraguá do Sul, como temporários e com anos de experiência em salas de aula.
No entanto, o Instituto Ânima, responsável pela aplicação das provas, afirmou que os candidatos terão a oportunidade de conhecer os resultados da sua avaliação psicológica em entrevista devolutiva com os psicólogos.
O grupo alega que já fez, nesta semana, a solicitação da entrevista, mas ainda não houve confirmação nem data para a atividade.
Após esta etapa de entrevista, os candidatos vão poder entrar com recurso, se assim considerarem necessário, segundo a Prefeitura.
Reclamação ao MP
Várias pessoas, inclusive do grupo, entraram com denúncia no Ministério Público, que ainda não decidiu se abrirá um inquérito. Por enquanto, foi abertura uma notícia do fato. Em último caso, o grupo pensa em entrar com mandado de segurança na Justiça para ter esclarecimentos do certame.
“A gente quer uma avaliação objetiva e honesta de como vai ser feita a avaliação”, finaliza André.
O que dizem
Instituto Ânima
O Instituto Ânima afirma que as provas psicotécnicas “foram determinados pelo município e aplicadas em total consonância com as disposições estabelecidas nos Editais 01/2019 e 02/2019, com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Regional de Psicologia e pelo respectivo manual de aplicação de cada teste”.
Prefeitura de Jaraguá do Sul
Já a prefeitura de Jaraguá do Sul afirmou que 50 psicólogos aplicaram a prova psicotécnica no dia 14 de novembro.
Esta prova foi incluída no concurso por ser uma demanda da equipe de servidores da saúde e também pela comissão de servidores que acompanha os estágios probatórios dos concursados.
O diretor de gestão de pessoas de Jaraguá do Sul, Alessandro Buozi Martins, reconhece o sentimentos dos candidatos e afirma que o concurso foi elaborado para ter etapas difíceis.
“Entendemos a frustação das pessoas. O intuito é contratar gente boa que vai render, não é perseguição. A prova escrita foi difícil, e tinha que ser mesmo”.