Conheça o flag, modalidade derivada do futebol americano e praticada em Florianópolis

Atleta do Desterro Atlantis pode servir à seleção brasileira no campeonato mundial da modalidade, em agosto

Diogo Maçaneiro, especial para o Notícias do Dia Florianópolis

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Cinco de um lado, cinco do outro. Frente à frente. Protetores bucais, cintas com uma tira de tecido de cada lado da cintura, posicionamento, estratégia definida com os técnicos de defesa e ataque, jogada traçada numa “cola” nos punhos, bola – oval – nas mãos da center e a quarterback à espera do snap para dar sequência à jogada, que pode ser um lançamento para a wide reciever ou uma corrida pelo field em busca de um touchown.

Gabriela Bank vai aprticipar do camp final de olho numa vaga na seleção brasileira - Flávio Tin
Gabriela Bank vai aprticipar do camp final de olho numa vaga na seleção brasileira – Marco Santiago

Não entendeu? Estamos falando do flag football, uma variação do futebol americano, modalidade popularizada no Brasil há pouco mais de uma década, quando a exibição dos jogos da NFL (Liga de futebol americano dos Estados Unidos) se tornou mais frequente. A novidade chegou ao Brasil no fim dos anos 1990 em São Paulo.

Florianópolis tem a sua equipe feminina em ação desde 2016. As meninas do Atlantis treinam duas vezes por semana na praça Breno Pinheiros Valadares, no bairro Santa Mônica, e estão atrás de novas jogadoras para entrar no elenco para a temporada. Tanto que nesta segunda será disputado o try-out, uma seletiva, no local, a partir das 20h. Atualmente, elas são 18 jogadoras.

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A equipe surgiu nos arredores da Universidade Federal de Santa Catarina, de onde a maioria das atletas e ex-jogadoras foi – ou é –aluna. Uma delas é a quarterback Gabriela Bankhardt. A jornalista recém-formada de 22 anos está entre as 32 convocadas que disputarão um dos 15 lugares na seleção brasileira para jogar o mundial do Panamá, no começo de agosto. E a indicação foi feita pelas próprias colegas de equipe. “Essa convocação já é uma grande vitória. Eu não imaginava que poderia chegar até aqui. Cada indicação foi uma surpresa. Quando o nosso time recebeu o convite para indicar uma atleta, eu fiquei surpresa quando fui escolhida.”, celebra.

Desde o ano passado ela participa de vários “camps”, uma espécie de períodos intensivos de treinamento com a comissão técnica do Brasil. O próximo, e decisivo, será agora em março, em São Paulo.

A paixão pelo esporte é grande e o espírito de equipe também. Ao lado da widereciever (recebedora) Ariane Maia, a Arika, Gabriela fez o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de Jornalismo sobre o flag. “A gente estava em projetos distintos, que não deram certo. Aí com a possibilidade de ir até São Paulo e participar do camp ficou mais fácil de fazer”, explica Arika.

Modalidade não era a primeira opção

Tanto Arika como Bank (abreviação do sobrenome e nome inscrito na camisa de Gabriela) praticavam outros esportes na faculdade antes de conhecer o jogo das fitas. Por coincidência, ambas jogaram futebol e vôlei e handebol, mas acabaram desistindo ao se apaixonarem pelo flag football – muito por influência de amigos.

Ariane e Gabriela (à dir) fizeram o TCC do curso de Jornalismo sobre o flag - Flávio Tin
Ariane e Gabriela (à dir) fizeram o TCC do curso de Jornalismo sobre o flag – Marco Santiago

“Eu andava bastante com o pessoal que iniciou o time, o Léo [Leonardo Lorenzoni, ex-jogador do Istepôs e fundador do Ghosts, time de flag masculino de Floripa, da Gabe [de Toni, ex-jogadora e atualmente jornalista na Chapecoense] e a Bruna [Ritscher, fundadora do Atlantis]. Eles começaram o time e me chamaram. Eu tinha conhecido o futebol americano há pouco tempo. Sabia bem pouco mas achabva interessante. Fui num treino e gostei bastante e foi tudo diferente do que eu já tinha praticado e comecei a ir, afirma Arika.

“O flag representa parte da minha vida, se tornou um sonho e uma conquista muito grande. Pretendo praticar até quando meu corpo permitir”, conclui a selecionável.

O que é o flag?

O flag football é jogado com dois times de cinco (ou oito, mais popular em São Paulo) atletas de cada lado. A principal diferença entre o flag e o futebol americano tradicional é a forma de se interromper o avanço do adversário. Não há o ataque ao corpo do rival para derrubá-lo. No flag cada jogadora tem amarrada à cintura uma cinta com duas tiras de tecido em cada lado. Cabe às defensoras puxarem uma dessas “bandeirinhas”, para que a campanha seja interrompida. O contato físico é bastante reduzido. Cada time tem quatro chances para atravessar o campo, caso contrário a bola volta para o adversário.

Equipe treina todas às segundas e quartas, no bairro Santa Mônica, em Florianópolis - Flávio Tin
Equipe treina todas às segundas e quartas, no bairro Santa Mônica, em Florianópolis – Marco Santiago

O objetivo é chegar ao outro lado do campo cujas medidas são de 25 por 50 jardas (22,86 x 45,72m), converter o touchdown e marcar seis pontos. Cada time tem uma equipe de ataque, no atlantis comandada pelo técnico Matheus Flach, e de defesa, sob a responsabilidade de Augusto Bosa. A dupla é remanescente do São José Istepôs, time de futebol americano masculino da Grande Florianópolis.

Glossário

Center – jogadora central, que faz o snap
Snap – lançamento da bola para trás para começar o jogo
Quarterback – a jogadora que lança a bola ao ataque
Widereciever – recebedora da bola no ataque
Field – campo
Touchdown – quando a jogadora atravessa a marca de 50 jardas do campo adversário

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