Cinco de um lado, cinco do outro. Frente à frente. Protetores bucais, cintas com uma tira de tecido de cada lado da cintura, posicionamento, estratégia definida com os técnicos de defesa e ataque, jogada traçada numa “cola” nos punhos, bola – oval – nas mãos da center e a quarterback à espera do snap para dar sequência à jogada, que pode ser um lançamento para a wide reciever ou uma corrida pelo field em busca de um touchown.

Não entendeu? Estamos falando do flag football, uma variação do futebol americano, modalidade popularizada no Brasil há pouco mais de uma década, quando a exibição dos jogos da NFL (Liga de futebol americano dos Estados Unidos) se tornou mais frequente. A novidade chegou ao Brasil no fim dos anos 1990 em São Paulo.
Florianópolis tem a sua equipe feminina em ação desde 2016. As meninas do Atlantis treinam duas vezes por semana na praça Breno Pinheiros Valadares, no bairro Santa Mônica, e estão atrás de novas jogadoras para entrar no elenco para a temporada. Tanto que nesta segunda será disputado o try-out, uma seletiva, no local, a partir das 20h. Atualmente, elas são 18 jogadoras.
SeguirA equipe surgiu nos arredores da Universidade Federal de Santa Catarina, de onde a maioria das atletas e ex-jogadoras foi – ou é –aluna. Uma delas é a quarterback Gabriela Bankhardt. A jornalista recém-formada de 22 anos está entre as 32 convocadas que disputarão um dos 15 lugares na seleção brasileira para jogar o mundial do Panamá, no começo de agosto. E a indicação foi feita pelas próprias colegas de equipe. “Essa convocação já é uma grande vitória. Eu não imaginava que poderia chegar até aqui. Cada indicação foi uma surpresa. Quando o nosso time recebeu o convite para indicar uma atleta, eu fiquei surpresa quando fui escolhida.”, celebra.
Desde o ano passado ela participa de vários “camps”, uma espécie de períodos intensivos de treinamento com a comissão técnica do Brasil. O próximo, e decisivo, será agora em março, em São Paulo.
A paixão pelo esporte é grande e o espírito de equipe também. Ao lado da widereciever (recebedora) Ariane Maia, a Arika, Gabriela fez o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de Jornalismo sobre o flag. “A gente estava em projetos distintos, que não deram certo. Aí com a possibilidade de ir até São Paulo e participar do camp ficou mais fácil de fazer”, explica Arika.
Modalidade não era a primeira opção
Tanto Arika como Bank (abreviação do sobrenome e nome inscrito na camisa de Gabriela) praticavam outros esportes na faculdade antes de conhecer o jogo das fitas. Por coincidência, ambas jogaram futebol e vôlei e handebol, mas acabaram desistindo ao se apaixonarem pelo flag football – muito por influência de amigos.

“Eu andava bastante com o pessoal que iniciou o time, o Léo [Leonardo Lorenzoni, ex-jogador do Istepôs e fundador do Ghosts, time de flag masculino de Floripa, da Gabe [de Toni, ex-jogadora e atualmente jornalista na Chapecoense] e a Bruna [Ritscher, fundadora do Atlantis]. Eles começaram o time e me chamaram. Eu tinha conhecido o futebol americano há pouco tempo. Sabia bem pouco mas achabva interessante. Fui num treino e gostei bastante e foi tudo diferente do que eu já tinha praticado e comecei a ir, afirma Arika.
“O flag representa parte da minha vida, se tornou um sonho e uma conquista muito grande. Pretendo praticar até quando meu corpo permitir”, conclui a selecionável.
O que é o flag?
O flag football é jogado com dois times de cinco (ou oito, mais popular em São Paulo) atletas de cada lado. A principal diferença entre o flag e o futebol americano tradicional é a forma de se interromper o avanço do adversário. Não há o ataque ao corpo do rival para derrubá-lo. No flag cada jogadora tem amarrada à cintura uma cinta com duas tiras de tecido em cada lado. Cabe às defensoras puxarem uma dessas “bandeirinhas”, para que a campanha seja interrompida. O contato físico é bastante reduzido. Cada time tem quatro chances para atravessar o campo, caso contrário a bola volta para o adversário.

O objetivo é chegar ao outro lado do campo cujas medidas são de 25 por 50 jardas (22,86 x 45,72m), converter o touchdown e marcar seis pontos. Cada time tem uma equipe de ataque, no atlantis comandada pelo técnico Matheus Flach, e de defesa, sob a responsabilidade de Augusto Bosa. A dupla é remanescente do São José Istepôs, time de futebol americano masculino da Grande Florianópolis.
Glossário
Center – jogadora central, que faz o snap
Snap – lançamento da bola para trás para começar o jogo
Quarterback – a jogadora que lança a bola ao ataque
Widereciever – recebedora da bola no ataque
Field – campo
Touchdown – quando a jogadora atravessa a marca de 50 jardas do campo adversário