O dia 8 de março sempre amanhece para as mulheres com milhares de mensagens no WhatsApp, grupos, redes sociais e onde mais for possível. Além disso, não é nada incomum clubes se manifestarem com o famoso “Feliz Dia da Mulher”. Mas, afinal, na prática, o que isso significa? Muito pouco.
Estádios, ginásios, pistas e onde mais quisermos. A mulher pode e deve estar onde quiser – Foto: Divulgação/NDO 8 de março é marcado como um dia de luta por direitos, espaço, respeito, visibilidade, equidade. Lutas que atravessam décadas, séculos e continuam. Continuam porque em 2022, mulheres ainda precisam provar que são “merecedoras” de espaços que foram atribuídos por homens como sendo locais exclusivos deles.
No esporte, isso não é diferente e, ao contrário, é muito latente. A disparidade salarial é apenas um dos pontos que provam o quanto o esporte ainda é local de privilégio masculino. Atletas sofrem com estrutura e visibilidade abaixo, muito abaixo daquelas destinadas aos homens.
SeguirEm 2020, quando a pandemia havia iniciado e a NBA montou uma super bolha para dar continuidade à temporada, os relatos do abismo entre a estrutura para os homens e para as mulheres da WNBA inundaram as redes sociais, mas essa diferença não é exclusividade daquele momento. É diário. Salários menores, cotas de televisão quase inexistentes e um esforço quase sobre-humano para tentar levar o esporte feminino às pessoas sem que haja o mesmo peso às modalidades.
E quem ama o esporte e quer trabalhar com ele, mas do lado de cá, na cobertura diária sofre também diariamente. As mulheres crescem assistindo e acompanhando o futebol, o futsal, o basquete, o automobilismo, tudo que, em casa, toma conta da TV principalmente aos domingos e, nada mais natural do que a paixão nascer e crescer nos nossos corações.
Unir essa paixão a profissão, para muitas, também é um caminho natural que começa ter percalços logo na primeira ida ao estádio com um crachá de repórter. Se os olhares como torcedora já são atravessados, quando uma mulher assume o lado profissional, o que a atravessa é o preconceito.
Os olhares de dúvida sobre a real paixão, sobre competência, sobre capacidade podem ser explícitos e podem vir disfarçados. Mas existem. Sempre.
Nós, mulheres, estamos ocupando espaços que nos pertencem. Trabalhando com o que amamos seja dentro de campo, à beira dele ou nas cabines de estádios, ginásios, pistas.
Podemos trocar, sem titubear, os posts de “Feliz Dia da Mulher” pelo respeito ao nosso trabalho, pelo reconhecimento ao amor que colocamos em cada uma das coberturas, em cada ida a treinos, jogos, corridas.
Os discursos e argumentos machistas utilizados por homens que ocupam naturalmente esses espaços são doloridos e em alguns dias machucam mais que outros, mas também são motores que impulsionam cada mulher a continuar abrindo espaços, ocupando estádios, ginásios, pistas e todos os lugares onde houver esporte, onde houver paixão.
O Dia Internacional da Mulher é um dia de luta, é um dia em que paramos, ainda mais, para pensar que diariamente precisamos provar nosso valor, provar que estivemos, estamos e estaremos em todos os espaços.